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Touradas - O que vem aí?

  • 2016-09-29 18:00


Touradas, o que é e que novidades vai trazer à tauromaquia?
Para lhe responder a esta e a outras questões, o TouroeOuro.com esteve à conversa com Paulo Pessoa de Carvalho, Presidente da Federação Prótoiro, sobre a nova marca que acabou de ser lançada.
O que é, a que se propõe, onde vai chegar?
Tudo para saber nas linhas seguintes...

TouroeOuro (TeO) Paulo faça-nos um ponto de situação da Prótoiro? Como a encontrou, o que se tem feito, e para onde vai caminhar…

Paulo Pessoa de Carvalho (PPC) - Antes de olhar para onde estamos, deixe-me recordar o momento do nascimento. A PRÓTOIRO nasceu como necessidade comum de um grupo de pessoas. Na altura, procurávamos um caminho que de alguma forma ajudasse todos os sectores da festa a prepararem-se para os tempos actuais e futuros. Daí, desse sentimento mútuo de várias pessoas, surgiu a PRÓTOIRO.

O trabalho por ela desenvolvido tem sido muito, nem sempre visível, mas de certeza frutífero. Na verdade, e muito resumidamente, a PRÓTOIRO abriu um canal de consciencialização para problemas que temos sentidos, e tem ajudado a criar uma estratégia de acção e defesa da festa. Tem desenvolvido um trabalho profundo com as forças de intervenção na sociedade, com o objectivo de dar a conhecer e valorizar a festa e a sua importância sóciocultural e económica.

O caminho que se segue é a continuidade do trabalho feito, um trabalho difícil porque se vira para dentro e para fora. Temos a contínua meta de envolver todos os agentes da Festa, incentivando-os a fazer mais e melhor e alertando-os para a necessidade de mudança. Mas, o grande foco da Protoiro é agir na sociedade para mostrar a verdadeira importância da tauromaquia e toda a sua enorme riqueza e multivalências, que ultrapassam tremendamente o espectáculo em si que é uma corrida de toiros. Neste capítulo e apenas para concluir, a PRÓTOIRO terá sempre como seu lema a liberdade cultural e o respeito pelas opções de cada um. Com o lançamento da marca Touradas, um passo estratégico muito meditado, damos um passo inovador e importantíssimo para a promoção da tauromaquia.

TeO - Como sente a união entre os intervenientes da festa para com a Protoiro?
Como correu e foi recebida a apresentação do projecto ‘Touradas’ aos intervenientes?

A apresentação do projecto TOURADAS correu bem e foi recebida de igual forma. Foram colocadas oportunas questões e a plateia constituída por elementos das 4 associações que constituem a PRÓTOIRO, saiu, penso eu, esclarecida mas, acima de tudo, consciente de que estamos um passo à frente de muitas áreas de negócio na forma como olhamos para o futuro.

As pessoas perceberam que existe estratégia, existem ideias, existe um caminho claro a percorrer. Agora, é tempo de concretizar estas ideias, valorizarmo-nos, darmos definitivamente o passo para uma nova e actual noção do mundo da tauromaquia, quer para dentro quer para fora - pois irão respeitar-nos e valorizar-nos de uma outra forma. Não é possível chegar, ver e vencer, isso não acontece na vida real salvo raras excepções. As pessoas, na sua grande maioria, são impacientes e desconfiadas, são características humanas que todos nós partilhamos. Temos resistências ao que é novo, ao que é diferente. O caminho que temos vindo a fazer é longo e árduo. Por vezes temos mesmo de nos recordar de que só o tempo, a união e o foco no mesmo objectivo (defesa e promoção da festa) é que nos farão chegar onde pretendemos. Esta apresentação correspondeu precisamente a um esforço numa área em que nos pediram que melhorássemos a nossa intervenção, na acção da comunicação interna. Pedimos a paciência e compreensão de todos para o arranque deste enorme projecto, que exige energias e empenho de todos. Estamos todos a trabalhar para a Festa, para que ela se fortaleça.

TeO - A Protoiro prepara-se para lançar a marca ‘Touradas’, quer explicar-nos melhor em que consiste?

PPC - Depois de vários anos de trabalho sentimos a necessidade de poder potenciar a comunicação da tauromaquia, um dos objectivos fundamentais da Protoiro. Isso só é possível através da criação de uma marca em redor da qual se constrói a comunicação e a estratégia para abordar os nossos públicos alvo. Assim, decidimos criar a marca “Touradas”, uma marca que agrega a comunicação de todas as dimensões do universo da tauromaquia, comunicando a tauromaquia na sociedade. 

É uma marca de raiz portuguesa mas de mentalidade aberta e global, daí a escolha de um toiro origami como símbolo da marca.

A marca Touradas aposta na dimensão emocional: no seu ADN está uma marca feita de Portugal e das suas emoções, do amor à cultura portuguesa e àquilo nos faz únicos no mundo. Uma marca vibrante para quem vive a vida intensamente e com optimismo. Uma marca cheia de paixão, que oferece experiências excitantes e que desperta sentimentos únicos. Uma afirmação para quem afirma o que é, aquilo em que acredita, o que o faz feliz.

TeO - Iremos agora vender as Corridas de Touros, agora denominadas de ‘Touradas, como um produto?

PPC - Não somos nós que denominamos as corridas de toiros de touradas, são os portugueses, pois a maioria da população refere-se ao espectáculo tauromáquico como “touradas”. Por isso, quando queremos comunicar temos de ir ao encontro do nosso público-alvo e falar a sua linguagem. Essa foi a razão da escolha do nome.

A Tauromaquia é uma parte integrante da indústria cultural do nosso país, por isso a criação desta marca é um passo em frente para comunicar a tauromaquia como um produto cultural único no mundo, pois a corrida à portuguesa é um espectáculo cultural que só existe em Portugal, tendo um potencial de negócio elevado. Queremos levá-lo a mais portugueses mas também explorar o seu potencial turístico.

Mas como disse antes, a marca Touradas não se refere só ao espectáculo em si, mas a todo o ciclo de valor do universo taurino. Queremos junto com os profissionais potenciar as actividades e o potencial de negócio que existe dentro da tauromaquia. Dois exemplos, só: o turismo taurino e o turismo equestre. Queremos valorizar o sector e ser uma plataforma para dar visibilidade aos negócios e ofertas que existem dentro do mesmo, apoiando o seu crescimento.

Além das Corridas de Toiros, iremos vender a imagem do universo da tauromaquia em toda a sua amplitude, através da marca TOURADAS. Para se perceber melhor:: pretendemos fazer pela tauromaquia o mesmo que o Turismo de Portugal faz pelo sector do turismo, promovendo-o e potenciando o negócio de toda a oferta turística em Portugal.

TeO - Como iremos ‘vender’ esse produto?

PPC - Com a criação desta marca, a Protoiro passa agora a remeter-se a um papel institucional, que é o seu grande objectivo. Já a marca Touradas, gerida pela Protoiro,vai adoptar uma postura de comunicação proactiva, com acções de activação em eventos, dentro e fora do contexto da tauromaquia, com acções e campanhas temáticas regulares, apostando numa maior exposição mediática deste produto cultural.

Esta é uma marca para viver, dialogar e partilhar, pelo que a presença digital da Touradas inclui um novo website www.touradas.pt, tecnologicamente evoluído e adaptado às plataformas mobile, além de uma forte presença nas redes sociais, criando uma relação próxima e envolvente com todos, aficionados ou não.

 A assinatura da marca é “Vive a tua Paixão”, apelando directamente à afirmação daquilo que a todos nos move e motiva, mesmo para lá da tauromaquia. O tom da marca será informal, “tu”, permitindo uma relação franca e directa, apelando também a um público mais jovem.

TeO - Estaremos a vender esse produto a ‘turistas’ e vamos esquecer quem nos ‘alimenta’, falando essencialmente do Ribatejo e Alentejo, bastiões da tauromaquia…

Essa questão é totalmente desajustada e perdoe-me, diria que de alguém que está “fora da jogada”. Como tive oportunidade de dizer, esses bastiões da tauromaquia tradicional (porque há mais) serão claramente importantes beneficiados com este projecto, pretendemos aliás que de uma forma mais ampla, se venha a obter uma valorização da tauromaquia e de todos os seu derivados em que as regiões que refere, serão provavelmente aquelas que poderão beneficiar mais com este upgrade que pretendemos fazer na área da comunicação e da informação, pela sua localização e até pelas suas características geográficas. Com esta marca, temos um produto turístico para oferecer, por exemplo, e essa oferta só se fará em parceria com os actores locais.

TeO - Como se dará o financiamento da marca?  

PPC - A marca não irá ter custos elevados à partida, será todo um processo de crescimento equilibrado e sustentado. Novas ideias, valorização da imagem e, à medida que formos obtendo resultados, dá-se o passo seguinte. Será normal que aconteçam algumas acções de impacto e interesse nacional, mas estão sustentadas na criatividade e inovação, valorizando esses aspectos em detrimento do investimento financeiro. Também se prevê que se as coisas correrem como pretendemos, seja possível num prazo de cerca de dois anos termos impacto palpável neste projecto, diria que a maturidade do projecto será por aí, sendo que nunca devemos esquecer que o mesmo será dinâmico e não se poderá nunca, dar por concluído, pois é um trabalho constante. Agora é só o ponto de partida.

Para arrancar lançamos a campanha #partilhaatuapaixao que desafia todos a irem ao novo site www.touradas.pt e a partilhar fotos daquilo que os apaixona, sejam corridas, cavalos, o sol, a praia, o que seja. Quando a campanha terminar iremos fazer uma acção pública na cidade de Lisboa, com todas as fotografias que forem partilhadas connosco. Deixo o apelo à participação de todos e que descubram o novo site. Temos a certeza que se vão surpreender.

TeO - Até que ponto poderemos ‘inovar’ em algo tão tradicional?

PPC - Podemos sempre inovar! Se assim não fosse o mundo estaria morto. Ser tradicional, não significa

estar parado. A tradição é uma contínua reeinterpretação. Basta olhar para o Fado, que passou de velhinho a estar na moda, veja-se por exemplo a recuperação do sector do calçado, que passou de obsoleto a inovador. É exactamente este tipo de efeito que pretendemos provocar na tauromaquia.

Ter história é um capital impagável e temos é de saber usá-lo como fonte de futuro. Acima de tudo o que queremos é inovar na comunicação. O que queremos é despertar novos interesses e curiosidade para o universo riquíssimo da tauromaquia. Valorizamos agora aspectos que “os de dentro” dão por adquiridos: a riqueza dos trajes, as profissões associadas, a vida no campo, os valores éticos e ecológico, entre outros.

 A Tauromaquia é um dos factores identitários de Portugal e tem uma força extraordinária com cerca de 3,5 milhões de portugueses que se afirmam aficionados, mas com um universo de quase nove milhões que respeita a tauromaquia. Este capital tem de chegar a todos os portugueses.

TeO - Com o novo conceito, iremos finalmente dar solução a alguns dos problemas da festa de touros?

PPC - Esperemos bem que sim, que seja possível encontrar novos caminhos e reformular alguns dos que existem, agora isto é um novo recomeço, não é uma solução que por si só resolva os problemas.

Este novo conceito, esta nova forma de dar a conhecer a Tauromaquia, é uma ajuda que apenas com a reacção de todos se pode tornar grande, forte e imparável. Para ser directo: nós não vamos dar batatas a ninguém, nós vamos semear e cavar, queremos poder dar semente e enxadas, que sejam boas e que façam com que todos juntos, tenhamos um enorme batatal! Aí sim a festa de Toiros terá muitos dos seus problemas resolvidos.