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Editorial - Novembro - Evolution? Where?

  • 2017-01-10 23:29
  • Autor: Solange Pinto


Editorial - Novembro - Evolution? Where?

Nunca fui muito adepta de estrageirismos, sobretudo os que provêm da terra de Sua Majestade… Nesta coisa dos toiros, sempre prevaleceram as ‘espanholadas’ e os motivos são óbvios.

Quer se queira, quer não, os estrageirismos admitidos na Festa, são os que chegam da terra de ‘nuestros hermanos’ ou não fosse a língua mãe da tauromaquia mundial, o castelhano.

Fruto das modernices que uns aficionados mais generalistas e recentes querem impor à Festa, argumentando um quase utópico pluralismo, desajustado, mesmo que em nome de uma desejada ‘evolution’, surge o bullfest, diz-se que em defesa das tradições e cultura portuguesa.

Vamos lá a exemplos, quiçá os melhores… Do lado de lá da fronteira, é a tauromaquia e ‘la fiesta’, o ícone máximo da identidade do país colossal que é a Espanha. Em Madrid, nos cartazes de um mês seguido de corridas de toiros, jamais se observa por entre as diversas inscrições constantes do cartaz anunciante do evento, algum estrangeirismo em jeito de agradinho ao turista. E digamos em abono da verdade, que por entre os 24 mil espectadores que por vezes esgotam Las Ventas, há um número importante de turistas provenientes de vários quadrantes geográficos e culturais.

Espanha jamais sentiu necessidade de se adaptar a quem chega, fez todo o contrário. Vendeu sempre a ideia de que ‘La Fiesta de Los Toros’, é o que é e sim, deve ser promovida com arrojo, de forma ambiciosa, mas sempre, preservando a sua identidade natural.

Se sim, dissermos que há um fortíssimo marketing associado à ‘Fiesta’ em Espanha, é verdade! E aí reside, o cerne da questão.

Além do Bullfest, uma cedência apenas linguística, não houve, ao longo dos tempos, um trabalho ambicioso na promoção da Festa em território luso.

Não necessitaremos de ir a lugares menos centrais do nosso Portugal taurino, para constatar aquilo que vemos na capital do país. A juntar à não divulgação da tauromaquia nos eventos de promoção turística realizados em Portugal, há ainda a lamentar, que nas lojas de ‘recuerdos’ da cidade de Lisboa, seja raríssimo encontrar algo alusivo à tauromaquia. Tudo o que se encontra, tem mais de uma vintena de anos, não é apelativo e parece sim o resultado puro e duro de um ‘mercadillo’ de antiguidades.

A marca ‘Touradas’, nasceu no passado ano… supostamente marcaria uma nova era na difusão das tradições taurinas, do vocabulário, dos costumes tão próprios desta vertente cultural. Mas onde? Como? Nada se vê em termos práticos. O projecto fez renascer a esperança, mas a verdade é que são os mesmos (e escassíssimos) postais antigos que por aí estão nas ruas de Lisboa, uns barretes queimados pelo sol e… nem o Hard Rock Lisboa tem uma t-shirt com ilustração taurina, como de resto se encontra no Hard Rock Madrid…

Por muito que apareça um empresário mais ‘à frente’ ou um toureiro que aposte na sua promoção a nível mais vísivel, os seus trabalhos nunca verão repercussão à altura, por falta de acompanhamento dos restantes agentes da Festa e das entidades a quem parece que se subsidiam ideias… e que disso não passam, de ideias!

A tauromaquia tem enorme potencial na área do merchadising

Meus senhores, deixem lá os estrageirismos e agarrem-se à verdadeira defesa do cavaleiro, do forcado, do toiro e do matador… Agarrem-se também às praças de toiros e ‘vendam’ a ideia de que algumas delas, são verdadeiros monumentos.

Evolution? Where?

Ou melhor… Evolução? Onde?