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Balanço de Temporada - CAVALEIROS

  • 2017-11-28 09:42


Este é talvez o mais fácil de todos os balanços aqui feitos.

Os triunfos no que a cavaleiros concerne, foram feitos de momentos, de lides inesquecíveis, e, nos casos que apontarei, feitos de constância, de regularidade e até de ascensão constante.

O nosso país, vive embrenhado no mito que diz que Portugal é a Pátria do Toureio a Cavalo e que o Campo Pequeno, é a Catedral do mesmo tipo de toureio.

A prova de que se pode bem ser o triunfador da temporada lusa, sem se pisar no Campo Pequeno, tem um nome. Diego Ventura!

Diego Ventura – Cumbre!

Diego Ventura, foi o máximo triunfador da temporada portuguesa e porque não dize-lo, da temporada também no país vizinho.

Se olharmos para o ‘lado’, recordamo-nos de actuações ‘cumbre’ de Ventura em Madrid e de tantas outras tardes rotundas, resultando no corte de 83 orelhas e 8 rabos, em 39 festejos. Mas é de Portugal que falamos e o luso-espanhol, ‘rebentou com o quadro’ em todas as praças por onde passou. Estremoz, Moita, Montijo, Santarém, Beja e imagine-se, Vila Franca de Xira.

Em Estremoz, esteve enorme, num confronto directo com Moura Júnior, em Beja, absolutamente fantástico, deixando o público em completo delírio, bem como na Moita, lidando três toiros, numa noite para si inesquecível, tal como a tarde escalabitana, num ‘Dia de Portugal’, de êxito para si e Julián Lopéz ‘El Juli’. Contudo, a elegerem-se dois festejos como os melhores nas nossas arenas, contar-se-iam a corrida com palco no Montijo, tendo por diante, reses de Canas Vigouroux e, Vila Franca, com um soberbo toiro de Prudêncio. No Montijo, Ventura quebrou o conceito a si associado, de que apenas lida toiros ‘nhoc-nhoc’, em Vila Franca, conquistou o mais exigente público português.

É de Ventura o ‘prémio’ máximo e na sua trajectória não se sentiu a falta de Lisboa. Quando o triunfo de um toureiro é genuíno, pouco importa o palco ou a arena do mesmo. A força da arte, transcenderá… tudo!

António Palha Ribeiro Telles e João Moura Caetano – Temporada de regularidade em forma de grandes actuações

Há toureiros aos quais não seria necessário esmiuçar os resultados das suas actuações. Este ano 2017, foi para António Palha Ribeiro Telles e João Moura Caetano, um ano de extrema regularidade em forma de boas actuações. Não andaram, não estiveram ‘benzinho’… nada disso! Triunfaram a cada compromisso, fruto de quadras magnificamente preparadas e de momentos das suas carreiras, felizes, de plena maturidade e coerência.

A consagração da evidente veterania de Telles, mescla-se com a ‘jovem’ consagração de Caetano. Ambos triunfaram nos festejos onde marcaram presença. Lisboa, foi praça talismã para os dois toureiros. No caso de António Telles, somam-se ainda grandes prestações em Salvaterra, Évora e Vila Franca, entre outras. No caso de Caetano, falamos ainda de Póvoa do Varzim, Portalegre e Elvas.

Não há dúvida de que estes toureiros, de sangue português em todos os seus poros, foram aqueles, a quem a inspiração mais fez brilhar.

Francisco Palha – Um caso sério…

Não foi uma, não foram duas, talvez não tenham sido três, mas, na retina, mais que outras, está a actuação poderosíssima de Palha, na última da temporada, em Évora.

A derradeira deste ano, não foi sequer uma surpresa, Francisco, está moralizado, com cunho próprio e com a garra dos seus trinta anos, aos quais poderíamos bem subtrair dez, tal não é o ‘sangue na guelra’ que leva e que aparenta até uma agradável ‘inconsciência’.

Falar de Francisco Palha, é falar de um caso sério!

João Moura Júnior e João Telles Júnior

Não foram temporadas redondas ou inesquecíveis, mas, diga-se em abono da verdade, que não houve ‘petardos’ ou passos mal dados. Ainda assim, estes dois toureiros a quem a história parece colocar sempre, taco a taco, traçou-lhes um destino dissemelhante, no que a presenças no Campo Pequeno, diz respeito.

Moura Júnior, ali triunfou no dia 18 de Maio e Telles Júnior, nem sequer ali pisou… Mas triunfou. Como disso são exemplos, Salvaterra, com grande actuação frente a toiros de Veiga Teixeira e Abiúl, com Graves.

João Moura e Rui Fernandes – O mais internacional de outros tempos e o mais internacional dos tempos modernos

Um foi o mais importante cavaleiro do mundo, ‘mandando’ no toureio além-fronteiras, chegando a ser o ‘número um’ no país vizinho. O outro, o último dos mais internacionais ginetes. Falamos de João Moura e Rui Fernandes, toureiros geneais, de rasgos inesperados e de amantes fiéis ao seu toureio.

O Padrinho de alternativa de Rui Fernandes, protagonizou este ano, uma soberba actuação na Nazaré e uma outra em Évora, num cartel compartido com Pablo Hermoso de Mendoza. Rui Fernandes, triunfou forte em Abiúl e Beja, contando ainda com boa actuação em Lisboa.

Pablo Hermoso de Mendoza – O eterno Senhor do Toureio

Este ano, o toureiro de navarra, Pablo Hermoso de Mendoza, actuou apenas e só por uma vez em Lisboa, contudo, marcou presença em Alcochete e Évora, fazendo ainda o seu debute por terras do Algarve.

Andou bem, sempre em timbre de ‘Senhor do Toureio’, voltando a apaixonar os portugueses, face à sua classe e elegância.

Em Lisboa, voltou a armar um taco dos antigos, num cartel compartido em mano-a-mano, com José María Manzanares.

Tito Semedo e Francisco Cortes – Toureiros reivindicam na arena, mais oportunidades

Se me pedissem para recordar ‘actuações surpresa’ desta temporada, de imediato, falaria nas que foram protagonizadas por Tito Semedo, em Albufeira e Francisco Cortes, em Évora.

A primeira delas, a de Tito Semedo, foi rotunda, redonda, sem deixar dúvidas e de verdadeira inspiração por parte do toureiro alentejano.

A segunda delas, a que aconteceu no dia de encerramento de temporada, em Évora, tendo como autor Francisco Cortes. Que bem andou o toureiro estremocense, em ferros que bem poderia dizer, de antologia.

Estes dois ginetes, reivindicaram mais oportunidades, mostraram que a experiência é um posto ainda na moda e que… cuidado com eles!

Filipe Gonçalves e Duarte Pinto - A ter em conta...

Filipe Gonçalves e Duarte Pinto, são definitivamente dois toureiros a ter em conta...
No caso do primeiro toureiro citado e não sendo de resto a sua melhor temporada, contam-se actuações importantes, como as levadas a efeito em Abiúl e Beja. Gonçalves, deu significativo salto na passada temporada, continuando a ombrear este ano, com as máximas figuras do toureio. 
Duarte Pinto, é outro dos nomes a dar atenção. Temporada de destaques inequívocos, dono de impressionante segurança na arena, num toureio muito equilibrado e coerente. Um pouco por todo o lado por onde passou, manteve uma regularidade assinalável, não estando mal em nenhuma das ocasiões. 

Luís Rouxinol e Sónia Matias – Duas distintas encerronas

Trinta anos de alternativa e um desafio arriscado. Luís Rouxinol, foi um dos dois toureiros, que esta temporada se impôs o enorme desafio de tourear seis touros de distintas ganadarias. O palco foi o Montijo e praça muito bem composta. Quase três quartos de casa, numa evidente aposta ganha no que a bilheteira diz respeito. Ainda assim, deste toureiro esperava-se mais, no que a nível artístico concerne. O ‘toureiro que não sabe estar mal’, obviamente não estreou no Montijo, tal condição, mas, verdade é que o seu festejo, resultou monótono e aquém das enormes expectativas, criadas por uma carreira de regularidade.

A segunda ‘desafiada pelo desafio’ de lidar seis touros, foi Sónia Matias. E aqui sim, expectativas goradas, mas para os muitos que vaticinavam o ‘suicídio’ da ginete. Esteve bem, feliz, sem nervos, sem… fez o que pôde, mas de forma agradável, numa corrida que não aborreceu, não foi monótona e muito acima de tudo o que se esperava. Aposta ganha e justa saída em ombros.

Mónica Serrano e Andrés Romero – O sabor agridoce

Mónica Serrano, havia já pisado arenas lusas… mas, a verdade é que foi em Beja, que todas as memórias se reavivaram e as promessas que vinham nas inúmeras malas trazidas do México, não passaram, de um autêntico desastre. Leiam-se todas as crónicas feitas pelos escribas do nosso país, e depressa se entenderá o paupérrimo nível da toureira filha do ‘Rei do Quiebro’… Já Andrés Romero, foi o ar fresco vindo da Andaluzia. Se em Albufeira agradou sem deslumbrar, na Nazaré, ‘virou do avesso’ a Praça de Touros do Sítio, num rejoneo de bom gosto e que promete dar cartas em Portugal em anos vindouros.

Outros tantos… Porque quantidade, ‘si que la hay’

Quantidade de toureiros, ‘si que la hay’ por aqui. Contudo, há que frisar, que não poderíamos aqui falar em todos os nomes, em todas as boas ou más actuações. Quem as teve boas, que as repita a bem do ânimo dos aficionados, quem as teve em tom de menor inspiração, que ‘sonhe’ que a vida, é assim mesmo e que se o triunfo não aconteceu hoje, pode bem acontecer amanhã.