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Editorial - Março - A paixão pelos melhores…

  • 2018-03-12 11:57


'...A mim interessa-me muito mais, desfrutar da tarde, que marca um antes, um depois e um forte desejo, de continuar a acreditar que este toureiro, tem obrigatoriamente que estar em Lisboa, com as condições que entender que são as suas…'

Tive ao longo dos anos, uma forte propensão para gostar dos melhores…

Não sou profunda conhecedora de fado, mas gostei sempre muito de Amália Rodrigues. Mais que as suas músicas, apaixonei-me pela Mulher que foi, pela personalidade, pela força, pelo carisma e até, pela classe tão peculiar que sempre exibiu…

Sou prática, directa e incisiva, mas, a visão romanceada de e na escrita de Eça de Queiroz, foi também uma das minhas paixões…

A minha felicidade, passou sempre por viver a trezentos por cento o momento que hoje me fará feliz e quando acredito que o segundo seguinte será de ‘escândalo’, aposto todas as minhas fichas.

Na tauromaquia, não fui, nem sou menos que isto. Admiti, a minha condição de Mourista. Borrifei-me literalmente nos que me criticaram sempre por dizer e gritar aos sete ventos que Moura, foi o melhor que Portugal já viu no toureio e mais, o melhor que o mundo viu na mais profunda revolução da arte de tourear a cavalo…

Fixei-me também em Pablo Hermoso de Mendoza e Rui Fernandes, aquele que sempre vi como o substituto de Moura, não no conceito, mas na sua condição de herdeiro do título…

Vejo, leio, mas, mais e mesmo que me acusem do contrário, sinto tudo isto, com uma emoção tremenda…

Houve por aí um fulanito, que balbuciou encoberto pelo esconderijo onde todos somos valentes, ou seja, nas redes sociais, que não há decoro por um crítico bater palmas a uma actuação numa praça de touros… Citava o espectáculo de sábado no Redondo e sim, enfiei o barrete. Mas e não é, que me olhei ao espelho e gostei de me com o barrete?

Bati palmas à actuação de Diego Ventura. Bato quantas e quantas vezes for preciso. Acrescento ainda mais. Caíram-me as lágrimas com a actuação de Diego Ventura. Emocionei-me por Deus me ter dado a possibilidade de ter visto o ‘ferro do ano’, mas mais, de Deus me ter dado a possibilidade de ver disto há muito tempo. Diego Ventura, é Ventura muito antes do dia de ontem e sim, não estava maluca nem era vendida por ver deste ginete, tudo o que posso…

Ventura gritou ontem, que é ele quem manda e manda com legitimidade. Porra, toda a legitimidade do mundo!

Dos cinzentos e despeitados não reza a história!

Desses, nem vale a pena falar, que fiquem entretidos com os conceitos do antigamente, aqueles que os agarra aquilo que podem e sabem ver…

A mim interessa-me muito mais, desfrutar da tarde, que marca um antes, um depois e um forte desejo, de continuar a acreditar que este toureiro, tem obrigatoriamente que estar em Lisboa, com as condições que entender que são as suas…

A tauromaquia tem que ser elevada e Ventura tem que estar ao leme dessa elevação, arrastando consigo, a paixão pelo toureio ao mais alto nível!

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