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Diego Ventura – ‘Seis Touros em Lisboa é um sonho…’

  • 2018-03-13 16:00


Horas depois de alcançar um absoluto triunfo no Redondo, Diego Ventura abordou ao TouroeOuro as questões mais quentes no momento…
O triunfo do Redondo… o que vai ser a sua temporada portuguesa… e claro, o tema Campo Pequeno!
Tudo para ler numa lúcida e pertinente entrevista…

TouroeOuro (TeO) - Diego, abriu a temporada portuguesa no Redondo, no passado sábado, num festival em que todos apostaram forte…

Diego Ventura (DV) – Abri a temporada num festival de máxima categoria, alternando com máximas figuras como António Telles, Rui Fernandes, Moura Júnior, Filipe Gonçalves e uma jovem promessa, Mara Pimenta. Era o sítio perfeito e mais, quando vieram vocês e a Augusta… pois, encantado de ali actuar.


TeO - Depois de Vila Franca, em Outubro, com uma actuação de altíssimo nível… agora o  Redondo… começam a faltar as palavras..

DV – Penso que terminei a temporada em grande nível, em Vila Franca, uma praça que me encanta e a qual me faz sentir muito toureiro e na qual me viram como eu sou e o toureiro que quero ser. Não podemos esquecer que sou português e que levo o nome de Portugal por todo o mundo e agora é quando estou a ser compreendido e querido por toda a afición em Portugal. Custou-me muito a pôr todos de acordo, mas com estes triunfos as pessoas começaram a fazer-me sentir querido por todos.

TeO - E como descreve aquele ferro a 3 ou 4 metros das tábuas? Um momento em que os corações pararam… para logo depois haver uma ‘explosão’…

DV – Penso que a actuação do Redondo marca a minha temporada. Foi uma faena cheia de toureiria, de entrega e paixão e de jogar a vida sem pensar em receber nada em troca, apenas demonstrar o que sou.

Esse ferro com o touro fechado em tábuas, é dessas coisas que sempre tenha na minha cabeça, ferros apenas feito por génios, como vi em Batista, João Moura, Rui Salvador, João Salgueiro, Paulo Caetano, António Telles, Rui Fernandes e alguns mais… É o toureio eterno, o que não passa de moda e aquele que só fazem os génios e que tento fazer todos os dias…


TeO - No Redondo foi a consagração definitiva, como uma das grandes estrelas da quadra. O cavalo ‘Fino’? Como é gerir uma quadra com uma dúzia de estrelas?

DV – Fino, claro que aponta este ano, consagrar-se como Figura, mas não deixemos esquecer Sueño, Nazari e muitos novos que vêm a apertar. Temos que pensar que saco todos os anos quatro ou cinco cavalos, poldros com quatro anos que necessitam de rodagem e experiência para se consagrarem como figuras e o Fino, está no seu momento.


TeO - E depois do Redondo?

Segundo se comenta, são agora bastantes as propostas para que actue em Portugal… como pretende realizar a temporada no nosso país?
Este é um ano comemorativo. Vinte anos de alternativa… tem pensado algo em especial para os aficionados portugueses?

DV – Agora e depois do Redondo, todo o mundo me quer contratar, mas no meu 20º ano de alternativa, só quero tourear cinco corridas em Portugal, especiais, dar importância a cada uma delas, ter grande competição e tourear corridas com nome e transmissão.

Para isso tinha pensado em Lisboa, levei aliás, todo o inverno a pensar em Lisboa, mas é uma pena que não tivesse havido entendimento.


TeO - Na apresentação dos cartéis de Lisboa, Rui Bento, referiu que apesar de toda a cordialidade nas negociações não houve entendimento… falou mesmo numa mensagem que guarda para ele…

DV – Nasci em Lisboa, em 1982 e juntamente com Madrid e Sevilha, são sem dúvida as ‘minhas’ três praças preferidas. Sonho com um triunfo nessas três praças e este ano sonhava tourear seis touros em cada uma delas.

Tudo começa com um primeiro contacto de Rui Bento, ligando-me a mim e eu, encantado… Deixámos claro, que pelas duas partes tínhamos que solucionar tudo, pelo bem da Festa, em Portugal.

Falei que gostaria de ir em Junho e Setembro. Duas datas em que uma seria um mano-a-mano com Juli e outra com seis toiros para mim. Ele disse-me: ‘Diego, tens que vir à abertura’! Eu disse-lhe ‘Rui, a abertura é muito cedo, gostaria de chegar a Lisboa toureado e por isso prefiro ir em Junho’. A resposta foi ‘Peço-te que venhas à abertura e decido o que me pedes, ou seja, três corridas na temporada de Lisboa’.

Dias depois, fala com Luisma Lozano e ficaram na abertura, António Telles , Rui Fernandes e Ventura, com touros de Telles e em Junho, o mano-a-mano com Juli e logo, em Setembro, os seis touros e que apenas teria que falar com a Doutora para confirmar. A poucos dias diz-me que António Telles pediu muito dinheiro e não pode pô-lo e que a corrida de Telles não terá peso nessas datas e que o mano-a-mano, a Doutora tão-pouco ‘o vê’ e tudo anda para trás, com grande pena… Não culpo ninguém, nem a Rui Bento, nem à Doutora, mas é uma pena… Poucos dias depois, sai o cartel e sai que António Telles toureia com Pablo Hermoso e essas coisas doem-te quando a tua intenção era solucionar as coisas e volto a repetir, são coisas que se passam e não culpo ninguém.

Dia 4 de Março, Rui Bento manda-me uma mensagem pessoal, oferecendo-me o dia 19 de Julho, para tourear com dois cavaleiros e a 20 de Setembro com Padilla, em mano-a-mano.

Com todo o meu respeito a Padilla, que é um grandioso toureiro e ao qual admiro, mas não é o cartel que eu tinha pensado para Lisboa. Eu tinha pensado em competição junto a toureiros que estão num grande momento, como Rui Fernandes, João Telles Júnior, Moura Júnior, mas todos estavam contratados para várias datas e assim já não poderiam ir comigo.

Pablo Lozano liga-lhe e depois de falar um bom bocado, oferece-lhe fechar apenas uma data, a de 19 de Julho, com os seis touros em solitário. Um touro de Canas Vigouroux, Vale Sorraia, Palha, Charrua, Guiomar e Caetano. Disse que teria de consultar a Doutora porque ele não poderia decidir isso. Três dias depois, respondeu dizendo que a Doutora não via bem este formato porque ‘tourear seis touros em cartel muito forte e que partia a primeira parte da temporada’. Esta resposta doeu-me fez-me doer o coração porque era um ‘cartel-bomba’ para Lisboa, para os aficionados e sobretudo, para a empresa. Quero deixar bem claro que a minha intenção sempre foi ajudar a Festa de Portugal e do meu país e este tipo de cartel era importante.


TeO - Seis touros na província de Sevilha, seis, em Madrid… faltam mesmo só, seis em Portugal…

DV – Seis touros em Sevilha, seis em Madrid e não resisto em tourear seis touros em Lisboa, por isso e como só há duas datas livres em Lisboa, oxalá pense bem Rui Bento e a Doutora, porque depois de ter fechado os seis touros, em Setembro, em Madrid, só me resta o 11 e Outubro, em Lisboa.

Aproveito, para me oferecer para tourear os seis touros, em solitário, de seis distintas ganadarias, que repito são Canas, Vale Sorraia, Palha e três outras e para engrandecer a temporada em Lisboa e a Festa em Portugal, num cartel de tanto compromisso para todos e no qual sairiam a ganhar a tauromaquia e os aficionados. É só no que devemos pensar.

Oxalá pensem bem, Rui Bento e a Doutora Mattamouros.