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Editorial - Abril - 'Novilhadas sim, corridas, sim, sectarismos, não!'

  • 2018-04-11 10:45
  • Autor: Solange Pinto


'...Canalizem-se as praças portáteis para este tipo de espectáculos. Deixem de ali actuar, toureiros cujas carreiras perderam já os comboios onde, era suposto viajarem… ‘Guardem-se’ estes palcos, em tempo de festas de aldeias, para o fomento da afición prática...'

Não queria nada ter que dizer isto… antes estivesse enganada, mas, utilizando um cliché, tenho que o dizer ‘eu tinha razão’

Há tempos, saltaram a lume, umas declarações terrivelmente evasivas da líder do CDS, Assunção Cristas, sobre a sua ‘relação afectiva’ com a tauromaquia… A ex-ministra da agricultura, chegou mesmo a referir, que, se ‘pensasse muito no assunto…’.

Triste, mas mesmo muito triste, é que a tauromaquia, tenha servido para albergar uma corrida de toiros (Setembro de 2016, em Coruche), partidária, sectarista e sobretudo, vestida de tons visivelmente inapropriados.

O espectáculo foi um ‘flop’, mas mais que isso, a Festa dos Toiros, deixou bem claro, que não gosta de divisões, não serve à caça ao voto e não anda sobretudo à mercê de classes políticas sem classe.

A Tauromaquia, não vive à conta do CDS, bem como não vive à conta de ‘doutorinhas’ salvaterrenses, que por um brinde, arquitectaram todo um enredo, felizmente, muito mais para uma novela, do que para a tauromaquia, de quem todos julgam poder servir-se.

Infelizmente, largos meses depois… digo com tristeza, ‘eu tinha razão…’!

Tudo isto, pode parecer que em nada está relacionado com o tema que verdadeiramente queria eu trazer à ribalta. Ou seja, o futuro da Festa.

Apresentou-se na passada quinta-feira, a novilhada do abono do Campo Pequeno e uma série de actividades, ligadas ao fomento da aficíon perante os mais jovens… eles, os jovens são o futuro e daí, sairá, não se duvide, a continuidade de tudo isto.

Com a presença de representantes das Escolas de Toureia lusa, como Vila Franca, Moita e Campo Pequeno, em dois ‘segundos’, abordou-se a temática das novilhadas e da extrema importância de lhes dar… importância!

Pedro Marinho, representante na ocasião da Escola de Toureio da Moita, frisou com ênfase que as novilhadas,  deverão ser um espectáculo maior, e não o eterno espectáculo menor. Pedro Marinho tem toda a razão, mais é até impossível, mas, repare-se na novilhada dada à estampa este Domingo, em Madrid. Defenderão uns, que ‘nem tanto ao mar, nem tanto à terra’ e que as reses saídas em Las Ventas, são de apresentação abastada e em coerência, tremenda se em conta tivermos que serão lidadas por jovens, nem sempre tão plazeados como se gostaria e que sim, pode constituir, perigo acrescido. Mas a verdade é também, que ali se dá a tal importância ao novilheiro e que o perigo, pode dar lugar à decisão. Ali ou se é toureiro para aguentar tudo aquilo, ou, não se é e o lugar de cada um destes miúdos, é em casa.

Perante tal seriedade, o público vai, dá a cara e desfruta com os toureiros em potência.

Por cá, as coisas são ainda diferentes e sente-se, quer se queira, quer não, que tudo soa ao ‘que é possível’… reses oferecidas, muitas vezes de apresentação envergonhada, de condições inexistentes…

E mais… que projecção tem um triunfo numa novilhada?

Onde actuarão estes espadas no futuro?

Respostas que se silenciam e que precisam de voz com urgência, ou tudo isto, corre o risco de ir por água abaixo.

Mais do que nos embebedarmos por um partido político que quer dar a cara não pela tauromaquia, mas pela caça ao voto, aposte-se sim, na verdadeira caça ao aficionado. É disso que depende a Festa.

Canalizem-se as praças portáteis para este tipo de espectáculos. Deixem de ali actuar, toureiros cujas carreiras perderam já os comboios onde, era suposto viajarem… ‘Guardem-se’ estes palcos, em tempo de festas de aldeias, para o fomento da afición prática.

A tauromaquia nunca precisou de apoios políticos, precisa sim, de continuidade assegurada, quer nas arenas, quer nas bancadas.

Façam-se aos grandes toureiros, aos grandes aficionados, aos ganadeiros que tiveram a coragem de criar reses bravas, em detrimento, dos brindes aos sedentos de protagonismo.

Que a tauromaquia e os seus agentes, pensem bem, pensem muito, antes de ‘se’ emprestarem a qualquer organismo que ‘divida’ a Festa…

Novilhadas sim, corridas, sim, sectarismos, não!