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'Toiro Bravo está intimamente ligado a Coruche' afirma o Presidente da Câmara de Coruche

  • 2018-04-26 22:10
  • Autor: João Dinis
  • Autor da Foto: João Dinis


A escassas horas do início de mais um certame 'Sabores do Toiro Bravo', o TouroeOuro, procurou saber junto do Presidente da Câmara de Coruche, Francisco Oliveira, os aliciantes de tão atractivo evento, a realizar entre os dias 28 de Abril e 1 de Maio.
Na mesma entrevista, Francisco Oliveira, reforça a importância da tauromaquia no concelho de Coruche, dizendo que 'temos quatro ou cinco ganadarias no concelho e existindo essa abertura poderíamos criar aqui quase um roteiro turístico associado ao touro e ao cavalo e a toda a nossa história que tem de facto um peso da tauromaquia muito grande, afinal, temos desde os cavaleiros tauromáquicos, bandarilheiros, grupo de forcados… somos dos poucos concelhos que tem um alfaiate que constrói e produz as casacas e jaquetas para os toureiros, temos sem dúvida um histórico muito grande associado à tauromaquia'.

TouroeOuro – Décima edição das Tasquinhas Sabores do Toiro Bravo, um evento que já marca o roteiro gastronómico de milhares de pessoas que visitam Coruche nesta altura do ano…

Francisco Oliveira – é verdade, eu costumo dizer exactamente isso, que este certame que é único por diversas razões, já está consolidado naquilo que são os hábitos gastronómicos e alimentares, não só dos coruchenses, mas de todos aqueles que nos visitam nestas alturas, porque a singularidade deste festival de gastronomia, associado às carnes bravas e associado ao simbolismo da nossa praça de touros, a Praça de Touros Monumental de Coruche, cria aqui alguma diferenciação e alguma atractividade por este festival.

É um facto que os seis restaurantes participantes foram ao longo das anteriores edições dos ‘Sabores do Toiro Bravo’ criando pratos específicos, não só para este evento, como também, melhorando as suas cartas gastronómicas e hoje em dia alguns restaurantes já têm clientes específicos, ou seja, as pessoas hoje quando vem aos ‘Sabores do Toiro Bravo’, já se dirigem ao restaurante A, B ou C, porque sabem que naquele restaurante há o prato que preferem… até mesmo a doçaria, que entretanto os restaurantes foram criando e aperfeiçoando, dedicada aos Sabores do Toiro Bravo, não em termos de sabor, mas no formato que está inteiramente dedicada ao Toiro Bravo.

Neste momento, e tendo em conta que a gastronomia é também mobilizadora dos movimentos turísticos, existem muitas pessoas que procuram estes certames gastronómicos um pouco por todo o país, e o nosso é facto único.

Com este certame dedicado ao Toiro Bravo, conseguimos realizar algo diferenciador na nossa gastronomia, pela singularidade de estarmos a falar de carnes bravas e por outro lado por estamos a falar de um festival que decorre todo ele na Praça de Touros de Coruche e na sua envolvente.

É claro que depois associado aos Sabores do Toiro Bravo, temos sempre o artesanato, os nossos artesãos que participam nestes eventos com os produtos locais, os produtos autóctones, o mel, os cogumelos, uma série de produtos regionais que interessa também promover, uma vez que a promoção do nosso concelho, assenta muito na nossa naturalidade, ou seja, num território que tem uma paisagem natural, que tem o rio Sorraia, que tem o montado, as casas agrícolas, os picadeiros, as adegas… um território que tem muita apetência para o turista que nos visita nesta altura, quer seja um turista que vem para ficar alguns dias, seja um turista que vem em visitação, que vem e vai.

A nossa proximidade à capital, Lisboa, onde apostámos este ano, realizando uma forte campanha junto da capital, uma vez que estamos a oitenta quilómetros de Lisboa e tendo em conta todos os fluxos turísticos que neste momento a capital tem, penso que temos que conseguir cativar esses fluxos para que alguns deles venham até ao interior, e nomeadamente para o nosso concelho e daí a nossa grande aposta na promoção na cidade de Lisboa deste certame, que estou em crer, trará muito mais gente para este nosso certame gastronómico, em especial aos Sabores do Toiro Bravo.

Como também já vem sendo hábito, associamos outros eventos aos Sabores do Toiro Bravo, há sempre os períodos seguintes às refeições, ou entre elas, que apetece caminhar um pouco, dar uma volta, quer seja pela marginal junto ao rio Sorraia que está requalificada, no centro histórico da vila de Coruche, ou agora com as novas ‘Campinas’, as bicicletas partilhadas de Coruche, também elas muito associadas à nossa imagem de marca, à nossa lezíria e ao nosso Vale do Sorraia, um sistema de ‘Bike Sharing’ inaugurado recentemente que tem tido uma excelente aceitação por parte das pessoas, é agora também mais um atrativo, para que as pessoas possam também fazer um passeio pelo nosso centro histórico e dos nossos pontos turísticos de bicicleta e por outro lado o ‘Salão de Clássicos’, que já vem sendo um hábito nesta altura, que é um movimento voluntário de um grupo de amigos e entusiastas, que tem esta paixão dos clássicos, e que ao longo dos anos conseguiu ir montando o Salão dos Clássicos, quer da ‘automobilia’, isto é, da venda de peças e acessórios para os clássicos, o que acaba por ser também um dos motivos de atração deste certame que irá decorrer de 28 de Abril a 1 de Maio em Coruche.


TeO – Sente que a ‘aposta’ na Carne de Toiro Bravo foi uma aposta ganha com a realização deste certame?
No início as pessoas interrogavam-se com a qualidade da carne de toiro bravo, hoje já anseiam pela realização do certame…

FO – É verdade… até porque não existia muito o hábito de comer ‘carne brava’…
A origem da criação deste evento surge com o período das ferras e das tentas por parte dos criadores, onde é feita a selecção das reses, e nas quais não é identificada a bravura necessária para serem progenitoras, para que venham a ser mães de touros de lide, seguem depois a rota da comercialização, e foi a partir daí que surgiu este certame…

Muita gente nunca tinha provado carne de touro bravo ou carne de vaca brava, e hoje em dia é uma satisfação muito grande perceber que os nossos restaurantes locais, mesmo durante o ano, já faz parte da ementa a carne brava. Isso é bom, por um lado, porque promove o concelho gastronómico associado a esta iniciativa, mas por outro lado também é bom em termos comerciais, com a carne brava a ter aqui um valor acrescentado, valor esse que não tinha até nos criarmos este certame.

A carne brava é uma carne extraordinária, uma carne muito tenra, muito macia e se for devidamente confeccionada tem um sabor muito próprio, até porque estamos a falar de um produto natural, um produto autóctone, ou seja, as vitelas, as reses que vão para abate… estamos a falar de reses que são criadas no campo, em ambiente livre, natural, sem acrescentar qualquer químico à sua alimentação, portanto é um produto 100% natural, diria, e até nesse aspecto acho que é muito importante nós sabermos o que estamos a comer, porque claramente ninguém tem criação de reses bravas para comercializar, ou seja, quem cria reses bravas cria com o objectivo da sua lide em praça, a sua bravura, e a promoção da sua marca, do seu ferro, portanto significa que todos esses animais são criados num ambiente muito natural, num ambiente que lhe transmite muita qualidade ao produto final, que é a carne de raça brava.


TeO – Sendo Coruche, um concelho intimamente ligado ao Toiro Bravo, como vê o Turismo Taurino?
Sente que em Coruche se poderia implementar algo similar ao que já se pratica em outros concelhos do país, com visitas a ganadarias, coudelarias, experiências de campo…

FO – Nós, no concelho, temos de facto esse potencial, mas é verdade que isso tem um pouco a ver com cada uma das casas agrícolas, e as suas tradições.

Se ao nível do cavalo, temos no concelho, alguns picadeiros e alguns sítios equestres, como é o caso do António Ribeiro Telles, que tem na Torrinha aquele espaço do picadeiro dele, muito dedicado ao cavalo, relativamente ao toiro, não há essa abertura tão manifestada por parte das ganadarias ou das casas agrícolas, mas era algo que acho que era de facto importante em termos de atração turística, porque o território tem esta naturalidade para o qual hoje em dia existem nichos turísticos muito direccionados para estas áreas, no sentido de poder fazer a visitação, poderem ver no campo os animais, na sua plenitude, a correr de forma livre, sem qualquer tipo de constrangimento.

Nós temos esse potencial, mas é pena que ainda nem toda a gente esteja direcionada para esta questão mais turística, muita gente ainda está direcionada mais para esta questão da exploração das componentes agrícolas ou de criação de gado, e não para esta vertente turística, que eu acho, seria importante aproveitar, associando tudo isto, associando na circunstância o montado de sobro, os picadeiros e as ganadarias, afinal temos quatro ou cinco ganadarias no concelho e existindo essa abertura poderíamos criar aqui quase um roteiro turístico associado ao touro e ao cavalo e a toda a nossa história que tem de facto um peso da tauromaquia muito grande, afinal, temos desde os cavaleiros tauromáquicos, bandarilheiros, grupo de forcados… somos dos poucos concelhos que tem um alfaiate que constrói e produz as casacas e jaquetas para os toureiros, temos sem dúvida um histórico muito grande associado à tauromaquia.

O Turismo Taurino no concelho de Coruche era de facto algo que seria importante ser incentivado e criado. Da nossa parte, existe toda a disponibilidade para ajudar na criação desse mesmo roteiro, mas obviamente, que é necessário que haja essa vontade da parte dos proprietários…


TeO – Sendo Coruche um dos mais importantes ‘concelhos taurinos’ do país, como vê a Tauromaquia em Coruche?

FO – Acho que tudo na viva é um pouco de como as vivemos e como as sentimos. O ano passado fiquei muito agradado com as corridas que se realizaram aqui na nossa Monumental de Coruche, isto porque a empresa, e já agora, também uma empresa de Coruche, se empenhou muito na promoção dos espectáculos, na angariação de público, na escolha dos cartéis… enfim… para termos uns bons espectáculos…

Fiquei muito agradado, pois desde há muitos anos que não via a nossa praça com a moldura humana como teve, obviamente que a corrida do 17 de Agosto, é sempre a corrida de ‘casa cheia’, mas tivemos a corrida da FICOR e depois a corrida de Setembro, e o movimento de pessoas em volta da tauromaquia foi de facto muito bom, e estamos claro a falar de uma das maiores praça dos nosso país… não é fácil encher aquela praça e foi com muito agrado que presenciei as enchentes no ano passado.


TeO – O que acaba por ser também uma mais-valia para o comercio, para a restauração…

FO – Mas é óbvio! Ainda este ano iremos organizar a FICOR, a Feira Internacional da Cortiça, que é uma feira de actividades económicas relacionadas com o montado e com o sobreiro e vamos ter uma corrida no domingo, durante o período da feira, e é claro que as pessoas que vêm à corrida, vêm também à feira, também à gastronomia, aos restaurantes, compram no nosso comercio… digamos que a tauromaquia tem peso económico no nosso concelho e no nosso país, que não pode ser desconsiderado.

Por vezes, não valorizamos estas actividades como tendo de facto uma relevância naquilo que é o poder económico e aquilo que mobiliza em termos da criação de emprego e da envolvência de outras actividades geradores de riqueza, temos que valorizar de facto a tauromaquia.

A tauromaquia não só no nosso concelho, como também no país, tem um histórico e uma identidade muito grande relacionada com a nossa criação, com o nosso povo, e eu tento valorizar sempre a a tauromaquia como um todo, não ver só a tauromaquia como a corrida de touros ou a largada ou pelo que se vai fazendo em termos populares, mas também perceber que é uma componente da nossa cultura que tem importância na nossa história e na nossa identidade, naquilo que é a relação que temos com os outros e que temos com os animais e portanto, nessa perspectiva eu acho que a tauromaquia pode estar a passar por momentos algo difíceis, porque é preciso também chegar às pessoas, é preciso que não lhe criem entropias, que não lhe criem dificuldades ou obstáculos para que a actividade possa chegar às pessoas, mas o povo português e Portugal é um povo que vive a tauromaquia de uma forma extraordinária.