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Opinião d’Ouro – ‘A culpa é nossa…’

  • 2018-05-31 16:09
  • Autor: Solange Pinto


'Profissionalizar, é a palavra de ordem… Enquanto assim não for, continuaremos iludidos com um Portugal taurino à beira da falência não de aficionados, mas de profissionais nas mais diversas áreas de relevo...'

No habitual trabalhito de actualização no que se diz na suposta (inexistente ou quase) imprensa taurina, deparo-me, além da ausência de ‘notícias de autor’, deparo-me dizia, com um assustador silêncio relativamente à ausência de um português na corrida de hoje, em Las Ventas!

Não era ontem, não seria amanhã, já lá estiveram ontem, poderão voltar a estar amanhã, mas era HOJE, tinha de ser hoje… zero de portugueses na ‘Corrida das Nações’…

Aleatoriamente, ali estão representadas seis nações, como Espanha, Venezuela, França, Peru, Colômbia e México… E a sétima?

Porra, será que a ninguém lhe ‘dói o dente’?

Que diz a Prótoiro sobre este tema? Ups, não diz nada, pois, nunca diz nada… Cala-se, partilha imagens, vende t-shirts e autocolantes e trata de nos convencer a todos que são indispensáveis. São, não tenho dúvidas, mas são para quem? São para quê?

E os toureiros. Calados? Enganados em homenagens que sim fazem sentido, mas que apenas servem para passar o tempo? Será que ninguém pensa, que os anos dourados de Moura em Madrid, foram já esquecidos por um vazio gigantesco de ídolos que teimam em não nascer?

Será que Portugal não tinha nenhum nome capaz de integrar a ‘Corrida das Nações’? Claro que tinha. O que dizem Gomes? Casquinha? Ferreira? Não mereceriam tanto como um Galdós, Adame ou Colombo?

Porque raio está tudo calado…?

Percebam de uma vez por todas, o quão vale o nosso país taurino, no mundillo da Fiesta…?

Que ‘embaraço’ sentirão os diestros de renome como Vítor Mendes e Pedrito, entre outros que ali pisaram…

Acordem senhores. É preciso qualidade para que Portugal entre na rota. É preciso profissionalismo em todos os sectores da tauromaquia lusa ou corremos o risco de deixar de existir, mesmo sendo o segundo país da Europa a dar mais espectáculos.

Será que está a ser tudo bem feito?

Empresários. Senhores empresários, entrem no circuito. Façam chegar ao lado de lá os nomes das suas praças. Façam história e deixem de lado o eterno síndrome do pueblo. Praças sujas, bares intragáveis, banhos de pó, toiros em limpezas de currais…

Toureiros. Invistam na imagem e passem da oferta da t-shirt branca à qualidade na arena, ao aumento de cachet visando a melhoria das condições de trabalho e sobretudo, do investimento na promoção aquém e além-fronteiras.

Imprensa. Escrevam os que andaram na escola. Deixem os ‘avozinhos’ de lado e se são mães de família, dediquem-se à cozinha, porque desconfio que terão jeito apenas e só para isso. Escreva-se bem, mal se a crítica ajudar a melhorar o que quer que seja e os amigos, ficam à porta, porque caso contrário, a isto a não se poderá chamar imprensa.

Vendidos a sério, são os que estavam em casa sem nada para fazer e que viram na tauromaquia, um objecto de ascensão social… Se apregoam que uns se vendem por dinheiro, eles vendem-se por uma senha… A paixão na tauromaquia, tem de ser exclusiva aos que compram bilhete, os que trabalham, têm que ser remunerados!

Profissionalizar, é a palavra de ordem… Enquanto assim não for, continuaremos iludidos com um Portugal taurino à beira da falência não de aficionados, mas de profissionais nas mais diversas áreas de relevo.

Fixem o último dia do mês de Maio, como aquele em que a sétima nação, não teve lugar na mais importante praça de toiros do mundo, mas se preferirem, fiquem com a ideia de que somos nós os mal-amados e os blogueiros, os certos… os que vendem triunfos diversos em corridas de fracasso, os que defendem que certas datas e praças históricas deveriam acabar…

Não se diga mal de Simón Casas, porque a culpa, é nossa!!!