• geral@touroeouro.com

Diego Ventura a quente depois do triunfo de Madrid... (Com declarações)

  • 2018-06-10 03:20


'Foram muitas coisas, muitos entraves, ficar fora de Sevilha, de Lisboa… fora de praças que tens no coração… ficas fora, não porque não queiras ou porque não cheguem a entendimento, mas sim porque a empresa não lhe dá na gana levar-te, porque da minha parte sempre quis fazer tudo para levar da melhor forma… são coisas que doem e quando vês que triunfas assim, pois te emocionas, claro…'!

TouroeOuro – Diego, acabou de escrever hoje, em Madrid, uma página que sabíamos que procurava há muito tempo. Hoje foi de facto indescritível…

Diego Ventura – Sim a verdade é que para mim foi um sonho. Desde cedo que sonhava poder triunfar em Madrid, mas desde há muitos anos que sonhava poder cortar um rabo em Madrid e ser o primeiro rejoneador da história a faze-lo. O último rabo que se cortou foi há 46 anos por Palomo e bem, foi uma tarde redonda. Os três toiros… foram três actuações incríveis e os cavalos andaram de uma maneira especial. São desses dias que sai uma inspiração, em que te sentes bem, tranquilo, em paz contigo mesmo, sem preocupações, sem pensar que esta corrida pode dar mais ou menos. Só pensava em desfrutar e que as pessoas vissem o momento que atravesso e a quadra de cavalos que tenho.

TeO – A actuação em que cortou o rabo foi a lide sonhada ou a lide sonhada não existe mesmo?

DV – (risos) Para mim nunca existe. Sempre quero mais, mas a verdade é que foi uma lide super importante. Aquelas bandarilhas com o Fino, foram dois ferros para parar a respiração, de uma emoção tremenda e o público viu… depois também recebi o touro com a garrocha, sendo um momento muito bonito, a morte do toiro, nos médios, sem um capotazo e sem sangue, um rojão em ‘todo lo alto’… a verdade é que foi uma actuação redonda.

TeO – E o público inteiramente a seus pés… Todo consigo…

DV – Eu, sinceramente a única vez que vi o público assim tão metido numa faena, foi com Manzanares, há dois anos, todo o público de acordo… nos triunfos em Madrid, sempre há algum sector que não vêem da mesma maneira, mas hoje, estava toda a praça em pé, inclusive, quando dei a volta, havia gente que chorava e claro que é uma emoção tremenda.

TeO – O Diego estava mais emocionada que nunca…

DV – Sim porque a lide do primeiro toiro foi sensacional. A verdade é que o toiro foi muito bom, mas também é verdade que foi uma faena completíssima de princípio ao fim e uma faena que não teve menos mérito que a do rabo. Foi uma faena importante, graças a um touro também ele importante. Mas sim, foi uma emoção muito grande, porque há muitas coisas que o público não sabe e só eu sei e as pessoas que trabalham para mim e claro a minha família. E há muitas pedras no caminho para que se tropece e não se siga para a frente e quando tens a sorte de vir a Madrid, cortar as duas orelhas ao primeiro toiro da sua lide e depois ‘cuajar’ uma faena deste nível, depois de tudo o que ocorreu nesta temporada, nestes vinte anos de alternativa… foram muitas coisas, muitos entraves, ficar fora de Sevilha, de Lisboa… fora de praças que tens no coração… ficas fora, não porque não queiras ou porque não cheguem a entendimento, mas sim porque a empresa não lhe dá na gana levar-te, porque da minha parte sempre quis fazer tudo para levar da melhor forma… são coisas que doem e quando vês que triunfas assim, pois te emocionas, claro…

TeO – Costuma dizer-se que a sorte dá muito trabalho e que conhece o Diego como nós temos o privilégio de conhecer, sabemos que dá mesmo muito trabalho… mas esta é sem dúvida a melhor resposta para toda a gente…

DV – ‘La suerte no vienne sola, hay que buscar-la’… creio que é fundamental em todos os âmbitos da vida. Trabalhar diariamente, viver o toureio. Uma figura do toureio, tem que viver dia e noite para o toiro. Eu nunca o disse, mas passo muitas mais horas no meu mundo do que com a minha família, essa é aliás, uma das espinhas encravadas que tenho. A minha vida sempre foi esta, a minha família está bem, graças a estas horas que passo, mas entendem que tem que ser assim e que não há outro caminho e não concebo ser figura e manter-me aí sem ser assim… muitas horas de estrada, muitas viagens, muitos treinos, sempre a experimentar e procurar cavalos… sempre à procura de algo que muitas vezes não existe…

TeO – E depois disto que estes quase vinte cinco mil privilegiados viram, o que podemos esperar mais?

DV – É complicado subir a fasquia. Todos os anos dizemos ‘e para o ano o que fazemos…?’, bem, vejam, este ano cortei um rabo. O bonito disto é que continue a crescer, e que tenha sempre a capacidade de não me acomodar, de me querer superar e ser o melhor e sobretudo, de querer competir com todos os companheiros, estando ao nível máximo e tentar pelo menos, porque é difícil… há muitos toureiros jovens e que já vão apertando. Mantermo-nos, com as ganas e ilusão, apesar de muitos entraves que te põem no caminho, não é fácil e o que peço a Deus é que me permita manter-me assim…

TeO – Diego, a dedicar este triunfo a alguém, a quem seria?

DV – Está claro que seria à minha família, eles sabem que os triunfos sempre são por eles… mas sobretudo a uma pessoa muito especial, ao meu filho, que nunca dorme comigo em dia de corrida e que hoje, sim, dormiu comigo, sozinhos, os dois… de repente, despertou-me e disse ‘papá, já é hora de ir tourear…’, e não, faltava uma hora e meia até sair do hotel. Despertei e pensei que nunca me tinha ocorrido isto… parece que isto foi sinónimo de que algo ia passar-se… a capacidade do miúdo de despertar-me… foi algo mágico que me surpreendeu muito e que me fez pensar… e claro, estes triunfos são para eles!

Meteorologia