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Campo Pequeno e a difícil história de uma noite difícil…

  • 2018-07-06 05:22
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


A Praça de Touros do Campo Pequeno, recebeu esta quinta-feira, 5 de Julho, uma denominada Extraordinária Corrida Mista, com a presença do cavaleiro, João Ribeiro Telles, dos matadores, Morante de la Puebla e José Maria Manzanares e dos Forcados do Aposento da Chamusca. Lidaram-se touros das ganadarias Ribeiro Telles, a cavalo, e Paulo Caetano, a pé.
CRÓNICA DA CORRIDA
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O português é paciente e embora não aguente tudo, lá vai aguentando muita coisa. A verdade, é que o aficionado português, é dos bons e calma, tem sido bom, não por ser exigente, mas por aguentar muito e sempre caladinho…

O gato em vez de lebre, o joio em vez de trigo, são, nos últimos anos, a fruta de todas as épocas e apenas alguns, têm levado roda de trapaceiros…

Hoje apetece-me recordar João Pedro Bolota e o cartel ‘monstro’ que fez no passado ano, em Santarém… Bolota foi ‘condenado’ até mesmo antes de que saíssem à praça os verdadeiros reis da festa…  Ao contrário, o público do Campo Pequeno, esteve lá, de pedra e cal, não virando costas ao chamado feito… a isto, deveria a empresa agradecer, da melhor forma que puder e souber, mas tendo sempre na mira, que o ‘Zé Povinho’, não é parvo e embora de forma pouco gradual, como seria desejável, um dia irá cansar-se dos sucessivos atropelos, não só em Lisboa, mas em todo o Portugal taurino…

A história da corrida que esta noite teve lugar no Campo Pequeno, é tão difícil de contar, como quão difícil foi suportar (dói ver esta ‘gente’ maltratada), a revolta do público e ele sim, o público, acaba por resultar, no grande triunfador da jornada.

A alma do aficionado, começa definitivamente a doer…

Depois de uma actuação mediana e tão discreta que ‘doeu’, de João Telles Júnior, frente ao primeiro da ordem, eis que se destaca frente ao segundo de Ribeiro Telles, dando cartas numa brega de elevadíssimo nível, bem como se aprimorou nas cravagens e remates. Terminou em muito bom, com dois palmitos e o público rendido.

As pegas dos Ribeiro Telles, estiveram por conta de João Rui Salgueiro e Francisco Andrade, efectivadas ao primeiro e quarto intento, respectivamente. Ambos os forcados, vestiram a jaqueta do Grupo do Aposento da Chamusca.

Mas…

A verdadeira história, começa sobretudo, com a saída à arena, do primeiro toiro do lote de Manzanares. Bem no que concerne à balança, mas, afeitadíssimo… repito, afeitadíssimo! Começam os primeiros ‘pitos’ mas, a coisa contorna-se, muito por culpa da tal paciência em dose extra do público que, lá manteve a esperança de que… adiante! Mais um toiro para o toureio a pé e a coisa amornou-se sem gáudios e eis que sai o sexto da ordem, que como os restantes para a lide a pé, pertenciam à ganadaria de Paulo Caetano.

‘Caiu o Carmo e a Trindade’ e nunca antes, numa praça de relevo em Portugal, se tinha assistido a tamanha vaia pela apresentação de um toiro. Pequenote, sem trapio e outra vez, afeitado em escandalosa demasia. Outra vez no lote de Manzanares (coincidências existem… ou não!), e ambiente gélido ou diria melhor, quente que assustava. Insultos a tudo e a todos e eis, que a empresa, com o duro fardo do gigante protesto, ‘oferece’ o sobrero, afirmando que o mesmo, teria lide a cargo dos dois diestros espanhóis.

O anúncio tinha qualquer coisa de suigeneris, visto que uma lide a pé, não tem forma de ser dividida ou partilhada, mas… não! Não foi assim que aconteceu. É verdade sim, que houve capote para dois, mas muleta para um e esse um, foi Morante. Ora se o toiro que não se lidou, foi o de Manzanares, porque raio foi Morante a lidá-lo? Coisas estranhas de uma noite do ‘diabo’!

As discussões multiplicaram-se, estenderam-se e prolongaram-se pela noite dentro, na tentativa de arranjar culpados, para mais uma machadada na Festa e nos indivíduos que preencheram três quartos fortíssimos do tauródromo lisboeta.

Os toiros – diga-se de ‘três anos’, que ali se lidaram foram adquiridos por uma empresa, que, obviamente, deve ou tem mesmo de zelar pelo prestígio da casa onde está… numa primeira análise, o cerne da questão está aí, mas, isto se, não soubéssemos todos, o que querem vir lidar as Figuras do ‘top 5’! Morante e Manzanares, como figurões do toureio que são, escolheram as reses a lidar. Eles e os seus vedores de toiros, bem como e com toda a certeza, também o vedor do Campo Pequeno. Mas repito, as Figuras mandam e sejam estas ou outras quaisquer, vêm, mas escolhem os toiros e a empresa, se os quer ver ali anunciados, tem que se subjugar e ponto final. E ainda paga e bem… Até aqui tudo bem, mas, como não tenho duas caras e se tantas e tantas vezes me insurgi dizendo que ao Campo Pequeno têm de vir figuras, defendo agora a causa, agradecendo que viessem ‘esses’ toureiros, que ok, escolhem o que lidam, mas que, não expõem ao ridículo a empresa, nem tão pouco, o aficionado pagante e que mesmo sendo ‘tuga’, não é imbecil.

Este foi o grande erro do Campo Pequeno, mais que errar no ‘trapio’ das reses, foi errar, no tipo de Figura contratada. Ponce, Juli, entre outros, são toureiros que nunca envergonharam o Campo Pequeno desta forma, mais, respeitaram-no a ‘ele’ e ao seu respeitável público!

Mais e porque as culpas jamais morrerão solteiras, há que referir, que há uma alínea no Regulamento Tauromáquico, que diz que a apresentação ou falta dela, é motivo de rejeição da rês! E…?

Bem sei que é um item subjectivo, mas, seria de valor que o ‘estreassem’, sobretudo numa praça como é ou deveria ser o Campo Pequeno!

No que concerne ao ganadeiro, cujas reses sempre foram apreciadas para o toureio a pé, há a dizer, que ‘vendeu’ o que lhe quiseram comprar e não foi para os ‘borrabotas da esquina’, foi para José António ‘Morante de la Puebla’ e José Maria Manzanares. E então? Queriam maior prestígio que este?

Não saíram bem os astados de Caetano… Coisas de uma noite negra!

Morante e Manzanares, subestimaram o Campo Pequeno e o seu público e o pior, é que alguém deixou!

É importante referir, que no meio de tudo isto, Pedro Noronha prestou provas para bandarilheiro e foram dele os bons pares da noite!

No início da corrida, prestou-se Homenagem a Curro Romero, presente num camorote do Campo Pequeno. Toureiro genial…

Dirigiu o espectáculo Manuel Gama, coadjuvado pelo médico veterinário, Jorge Moreira da Silva!

E porque esta noite, vai fazer correr tinta, voltaremos em sequentes análises, porque, as noites difíceis, infelizmente, também fazem história…

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