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Nazaré – A realidade do sonho de Cláudia Almeida e um magistral Rui Salvador

  • 2018-07-29 13:04
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Grande corrida na Praça de Touros do Sítio da Nazaré.
Perante dois terços de entrada, grande actuação de Rui Salvador e boa prestação de Cláudia Almeida no dia da sua alternativa. Boas prestações ainda de todos os artistas: Sónia Matias, Ana Batista, Marcos Bastinhas e João Salgueiro da Costa. Pegas a cargo dos Amadores da Moita, Aposento da Chamusca e Amadores de Coimbra a bons toiros da ganadaria de Fernando dos Santos.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA 

A caminho da Nazaré, recordei-me sem serem precisos grandes exercícios de memória, de uma ‘enorme’ actuação conseguida por Rui Salvador, na Praça do Sítio, já lá vão, talvez uns três ou quatro anos… Foi uma coisa de uma dimensão agigantada, sem serem necessários alardes ou enfeites, mas que me marcou…

Mal sabia eu, que era o mesmo Rui Salvador o que ontem estava na Nazaré!

Esteve, esteve em alma e coração. Sentiu e fez sentir a sua prestação como a melhor dos últimos tempos. Voltou a agigantar-se perante um toiro que nem sequer foi o mais ‘fácil’ do espectáculo. Toureou com verdade, com raça, crescendo a cada ferro, com inspiração e com a tal emoção que sempre ‘imprimia’ às suas lides… Ferros curtos a entrar pelo toiro dentro, de forma ‘aparentemente’ fácil… Tudo ao som de uma pasodoble fantástico, interpretado de forma não menos brilhante pela Banda Olhalvense. ‘Forcados do Sul’, acordes de beleza indescritível numa simbiose entre toiro, toureiro, banda e público, diria que perfeita.

Valeu a ida à Nazaré… outros motivos houve que valeram a pena, mas se o espectáculo acabasse ao segundo toiro, já não seria perdida a viagem, nem o tempo ali passado seria chorado…

Acredito que o sonho comanda a vida, já dizia o poeta e ali, na Nazaré, houve também o factor sonho estampado na cara de Cláudia Almeida. Emocionam-me as demonstrações de força que são capazes de contornar as dificuldades mais atrozes… Cláudia é a prova viva de tudo isto e o seu sorriso, mais que justificado, dão alento e servem de exemplo a todos nós… Boa prestação, limpa, com alegria e grande facilidade de expressão, contagiando o público a cada ferro, a cada remate, a cada desplante. Bem nos compridos e curtos, como nos palmitos… Brindou a Sofia Semedo, pelas valorosas oportunidades concedidas e pela colaboração na perseguição do sonho… A sorte protege os audazes e neste caso… Cláudia foi apadrinhada por Rui Salvador, sendo testemunhas, Sónia Matias, Ana Batista, Marcos Bastinhas e João Salgueiro da Costa.

Bem Sónia, com imenso cartel na Nazaré. O melhor momento foi o violino com que encerrou a sua prestação. Ana Batista esteve coerente na sua exibição, com a costumeira classe, terminando com aquele que seria o melhor curto da sua passagem pelo tauródromo do Sítio.

Marcos Bastinhas entrou com ‘tudo’. Bem no conceito, fiel ao seu sentido rítmico e com dois curtos de grande nota. Bom primeiro par de bandarilhas, num total de dois deixados a um bom toiro.

Encerrou o capítulo de uma noite fantástica, João Salgueiro da Costa. A sua exibição decorreu em tom crescente, a melhorar a cada ferro e sim, houve dois de grande nota, fazendo aumentar a vontade de o rever.

As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores da Moita, Aposento da Chamusca e Amadores de Coimbra. Bem os Amadores da Moita, com duas pegas efectivadas ao segundo e primeiro intento, por Filipe Correia e Miguel Ângelo, respectivamente.

Pelos do Aposento da Chamusca, foram na linha da frente, Francisco Montoya e Francisco Andrade, em consumações ao primeiro intento.

Pelos de Coimbra, efectivaram pegas, Rodrigo Desidério, ao quarto intento e Pedro Marques, ao primeiro bom intento.

Os toiros de Fernando dos Santos cumpriram em apresentação e mais ainda em comportamento, sendo mesmo o ganadeiro chamado à arena a dar volta, depois de lidado o último, diga-se, de grande jogo. Deu volta o neto do ganadeiro, Afonso Semedo, num momento de grande simbolismo…

Dirigiu, bem, Lourenço Luzio, aquilo que foi tão-só, uma grande noite de touros, com o público a preencher dois terços da lotação de uma das mais bonitas praças de touros do país, a do Sítio da Nazaré!

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