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Redondo - Noite acidentada e desraçada de Cunhal Patrício

  • 2018-08-04 10:50
  • Autor: Rodrigo Viana
  • Autor da Foto: António Carneiro


Rui Salvador, Tito Semedo, Francisco Cortes, Manuel Telles Bastos, Marcos Bastinhas e Luís Rouxinol Júnior, foram os seis cavaleiros que compunham a corrida de Gala à Antiga Portuguesa com palco no Coliseu no Redondo.
As pegas de um curro de toiros de Cunhal Patrício, estiveram por conta dos forcados dos Grupos de Cascais e Redondo, sendo que o Coliseu preencheu três quartos fortes da sua lotação.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA

Foi uma noite acidentada, aquela que se viveu no Coliseu de Redondo na noite de 3 de Agosto. A corrida iniciou com um cortejo evocativo das corridas de gala à antiga portuguesa, que apresentou diversas falhas, atrasos… enfim… começara mal a noite de toiros

Noite acidentada para o ganadero, pois de sete toiros saídos à arena, houve dois que 'dentro do mansote' cumpriram. Toiros com trapio e apresentação q.b, harmoniosos de carnes porém que denotaram muitas reservas e, alguns deles, forte crença em tábuas. Quando o rei da festa não aparece, há pouco a fazer.

Continuando com os acidentes, referir um facto pouco comum, foram assistidos na enfermaria do Coliseu Redondense dez forcados, cinco dos quais foram transportados ao hospital de Évora. São números elevados, porém que se justificam pela rispidez e violência que os astados de Herdeiros de Cunhal Patrício apresentaram. Pelo Grupo de Forcados Amadores de Cascais pegaram Rui Grilo à terceira, Ventura Doroteia ao primeiro intento, após cerca de meia dúzia de tentativas em que o toiro não se arrancou e André Ramalho à segunda tentativa. Pelos da casa foram à cara João Calado, havendo lugar para quatro tentativas verdadeiramente arrepiantes, com o toiro a não humilhar e a ser extremamente violento levando um dos forcados que dobrara o inicial a ser projetado para o lado de fora das trincheiras. Só nesta pega foram três os forcados a ser transportados à enfermaria. Pegaram de cernelha Daniel Silva e Carlos Silva. Ainda pela formação redondense enfrentaram os duros oponentes os forcados Joaquim Ramalho ao bom primeiro intento (valendo-lhe prémio para a melhor pega) e o cabo Hugo figueira, a sesgo, ao quarto intento.

Quanto às lides equestres iniciou funções o cavaleiro Rui Salvador que deixara a ferragem da ordem com correção, em sortes, quase sempre, cingidas, sendo o quarto curto ao estribo, o de melhor nota da sua atuação. O seu oponente transmitia pouco pela frente, apertando apenas ligeiramente aquando dos remates das sortes.

Tito Semedo após brindar à Associação Tauromáquica Redondense, teve uma faena agradável, deixando logo a abrir um curto de grande nota, em que deu vantagens à rês que lhe tocou em sorte, cravando com ligeira batida ao pitón contrário. O seu oponente apertara muito o ginete aquando do remate das sortes, tendo o cavaleiro sido tocado aquando da cravagem do quarto curto da sua atuação. Terminou com um ferro de violino em terrenos de compromisso.

Francisco Cortes não teve uma noite, de todo, positiva. Enfrentou aquele que, na minha opinião, foi o mais reservado e com maior crença em tábuas da corrida, porém o querer fazer bem e rápido levou a que o ginete de Estremoz passasse por diversas vezes em falso, consentido alguns toques nas suas montadas, não tendo, portanto, qualquer tipo de luzimento. Com o avançar da lide, o toiro rachou-se em tábuas e não mais de lá saiu.

O ginete da Torrinha que se apresentava no cartel era Manuel Telles Bastos, tendo iniciado com três compridos à tira. Manteve-se fiel ao seu estilo clássico, lidando um astado que foi a menos. Frontalidade nas sortes e mão certeira não faltaram na lide do jovem cavaleiro de Coruche.

Marcos Bastinhas recebeu o toiro que lhe tocou em sorte, em curto, nos médios da arena, dobrando-se bem e conseguido desde logo ovação do conclave presente. Para os curtos sacou o 'Capa Negra' deixando desde logo um primeiro curto de elevada nota. Cravou curtos de grande valor, mostrando a sua costumeira alegria e contacto constante com o público presente e que tanto o acarinha. Terminou com o 'Bambu' deixando uma rosa e um par de bandarilhas.

Fechava cartel Luís Rouxinol Jr., que inicialmente se enfrentou com o mais pesado da corrida, todavia após cravagem dos compridos a direção de corrida decidiu ordenar a recolha do toiro por evidentes debilidades físicas. Segundo o RET, após estar cravado o primeiro ferro, se o toiro for recolhido é considerado lidado, não havendo necessidade de entrar o sobrero. A decisão foi absolutamente contestada pelo público, levando a que a empresa oferecesse o toiro que estava designado como sobrero. Após vinte minutos, para que o mesmo fosse embolado, o mais jovem de Pegões rubricou uma lide agradável com desenhos das sortes e cravagem dos ferros meritosas, deixou um ferro al violín com o toiro praticamente encostado às tábuas de elevada nota, finalizando a sua atuação, que lhe valeu o prémio para a melhor lide equestre da noite, com um palmito e um par de bandarilhas, que apenas pecou pela colocação, que resultou algo descaído.

Dirigiu uma noite desraçada, acidentada e bastante demorada no Coliseu de Redondo que apresentou uma casa com três quartos fortíssimos, o delegado técnico tauromáquico Marco Gomes, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.