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Nazaré– Mar, Saias e Toiros

  • 2018-09-09 15:56
  • Autor: Rodrigo Viana


A Nazaré encerrou a sua temporada este sábado, com a tradicional Corrida das Festas de Nossa Senhora do Sítio da Nazaré.
Um cartel de seis cavaleiros, que resultou numa corrida bastante animada...

CRÓNICA DA CORRIDA

A praça de toiros do Sítio da Nazaré engalanou-se pela última vez esta temporada para receber mais uma fabulosa de Verão. Cartel de competição quer a nível equestre, quer a nível da forcadagem, com três grupos ribatejanos, que se opuseram a cinco toiros com ferro de Jorge Mendes e um novilho de Nuno Casquinha.

Foi perante dois terços fortes de lotação que abriu praça o cavaleiro Rui Salvador que teve uma lide de menos a mais. Enfrentou um toiro que saiu complicadote, mas que com o desenrolar da faena foi rompendo, acabando por cumprir com nota positiva. O ginete tomarense entendeu-se com ele após a cravagem do primeiro curto, deixando série de curtos de relevo, em sortes frontais com cravagem bem ao estribo como está descrito nos livros. O último curto da sua atuação é de grande qualidade.

Após o seu antecessor aquecer o ambiente, saiu ao ruedo o cavaleiro Tito Semedo, que enfrentou um toiro nobre e com ‘muitas teclas para se tocar’. Recebeu-o com um ferro comprido em sorte de gaiola de elevadíssima nota, deixando desde logo a imagem que queria transmitir. No remate do ferro, o toiro apertou bastante, tendo o ginete resolvido com eficácia, sem consentir qualquer toque na montada. Iniciou faena de curtos levando a rês na garupa, ladeando de forma alegre. Lide, ao som do pasodoble ‘Forcados do Sul’, brilhantemente interpretado pela Sociedade Filarmónica Olhalvense, baseada em sortes com acentuada batida ao pitón contrário, que nem sempre resultaram cingidas. O quarto curto é de estrondo após quiebro cingidíssimo, tendo o ginete terminado com ferro de violino, seguido de palmito em terrenos cambiados.

Em terceiro lugar saiu ao tauródromo, junto ao mar plantado, Ana Batista. Após deixar a ferragem comprida da ordem, iniciou fase de curtos com ferro de boa nota en su sítio. Teve por diante um toiro colaborador, com trapio e que foi rompendo com o avançar do tempo da sua estadia nesta bonita praça de toiros. A cavaleira salvaterrense cumpriu com ofício.

Sem que houvesse intervalo, saiu à arena João Moura Caetano, que após perder a estrela da sua quadra, o ‘Temperamento’, se apresentava na Nazaré para triunfar, em certa parte, de forma a homenagear o seu companheiro de muitos triunfos. Frente ao mais sonso dos que viajaram desde a Herdade de Penique, deixou curtos de levantar praça, com batida, sendo as reuniões bastante ajustadas. Terminou a sua aparição com três palmitos em terrenos de dentro.

O nome Bastinhas é muito popular na Nazaré e isso ficou provado logo à saída de Marcos Bastinhas, havendo desde logo sururu nas bancadas. Praticou um tipo de toureio alegre, com muito contacto com o conclave, porém pecou pela excessiva velocidade com que lidou o bom toiro que teve pela frente. Com o ´Capa Negra’ exibiu brega de qualidade e ao compasso de ‘España Cani´, deixou série de curtos, onde por vezes as reuniões não foram tão cingidas, como seria desejável. O cavaleiro campomaiorense terminou com um palmito e um par de bandarilhas em terrenos de compromisso.

Fechava a noite a cavaleira praticante Mara Pimenta. Tendo sido anunciado um curro de seis toiros de Jorge Mendes, não se compreende a inclusão de um novilho de Nuno Casquinha, quando existia um sobrero com ferro da ganadaria que pasta em Alcácer do Sal. Quanto à lide em si, foi intermitente, havendo algum desacerto inicial no momento das reuniões. A falta de rodagem, esta temporada, pode ser apresentada como motivo para a situação. Ao soar a música no ar, por benevolência do director de corrida, a cavaleira de Fazendas de Almeirim rompeu deixando terceiro e quarto curtos de boa nota ao estribo. Terminou com dois palmitos que levantaram o bastante público dos seus lugares.

As pegas da noite estiveram a cargo de três formações ribatejanas: Coruche, Chamusca e Cartaxo. Pelos do concelho do Sorraia, foram à cara Tiago Gonçalves à primeira e Pedro Coelho ao segundo intento. Pelos que repetiram nesta data, por mérito próprio, após sonante triunfo em Agosto, pegaram Hélder Delgado e Francisco Borges, ambos à primeira tentativa. Pela malta da capital do vinho, saltaram ao ruedo Miguel Afonso que consumou ao primeiro intento e Fábio Beijinho que se enfrentou com um toiro que tinha um primeiro derrote agressivo, efectivando pega com vontade à quarta tentativa com as ajudas carregadas.

E assim se fechou mais uma temporada na vila das sete saias, junto ao mar plantada e que possui um ambiente taurino, que não sendo amado pelos aficionados mais conservadores, é diferente!

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