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Mora – Uma tarde atribulada

  • 2018-09-10 11:13
  • Autor: Rodrigo Viana


A localidade alentejana de Mora, recebeu este domingo, por ocasião da sua Feira local, uma corrida de touros.
Em praça estiveram os cavaleiros, Rui Salvador, Sónia Matias e Ricardo Cravidão.
Lidaram-se touros de Fontembro, com as pegas a cargo dos Forcados da Tertúlia T. do Montijo, Amadores de Tomar e Amadores de Cascais.
CRÓNICA DA CORRIDA

Foi perante cerca de um quarto de casa, a maioria dos quais nos sectores de sombra, que se realizou mais uma corrida de toiros nesta localidade do Alto Alentejo. O ponto negativo da corrida prende-se no facto da mesma ter tido uma duração de três horas e meia, o que levou a que o último cavaleiro, no caso, Ricardo Cravidão e o forcado que efetuou a respetiva pega tivessem atuado com condições míseras de iluminação. Mais escandaloso ainda se tornou quando, após a pega ser realizada, e surpreendentemente se acenderam os holofotes que circundavam o tauródromo portátil, o que motivou assobios por parte dos espetadores que pagaram o seu bilhete para assistir um espetáculo em condições, com condições de luminosidade, pelo menos, suficientes.

Rui Salvador teve pela frente o melhor lote de toiros da corrida. Frente ao primeiro, flavo escuro de capa, teve uma lide pautada pela regularidade, com bonitas preparações das sortes, culminadas com cravagem certeira, ao estribo.
Frente àquele que considero o toiro da corrida, o cavaleiro tomarense andou a bom nível. Colocou em prática o toureio frontal que o caracteriza, cravando en su sítio, como bem sabe. Após alguns desacertos a meio desta sua segunda lide, voltou a encarrilhar, terminando com um curto de belo efeito.

A senhora que se apresentava em cartel, de seu nome, Sónia Matias, teve duas lides algo distintas. Frente ao segundo da tarde, um toiro com pouca cara e que se revelou bastante reservado, a ginete ribatejana teve uma lide esforçada, resolvendo como pôde, em sortes a sesgo.
Frente ao quinto, um toiro reservado, teve alguns desacertos na fase de compridos, melhorando nos curtos, onde se destaca a cravagem do terceiro curto, o melhor da sua passagem por Mora. Terminou com dois ferros de violino, de boa nota e um curto em terrenos de compromisso.

O jovem cavaleiro praticante, Ricardo Cravidão, teve uma tarde azarada. O primeiro que lhe tocou em sorte, um toiro com apresentação de excelência, não permitiu que o ginete tivesse qualquer tipo de luzimento. Rachou-se em tábuas, não investindo e muito menos transmitindo alguma coisa que fosse. Teve bastante mérito em conseguir deixar a ferragem da ordem, a sesgo, sendo que alguns dos curtos são de nota positiva. O último da tarde, colorado de capa, saiu, na opinião da direção de corrida com uma debilidade física, pelo que foi recolhido e se teve de esperar um período de tempo para que o sobrero fosse embolado. Este facto contribuiu para que a noite se impusesse, dado o avançar da hora. Saído o sobrero, o cavaleiro deu-lhe a lide possível, dadas as condições de iluminação existentes, correndo riscos que muitos outros não correriam. O jovem tem sentido de lide, nota-se que quer fazer bem e isso é de louvar. Virão tardes melhores certamente, assim ele queira e assim lhe proporcionem oportunidades para tal.

A tarde no que a pegas diz respeito não foi fácil. Pelos da Tertúlia Tauromáquica do Montijo pegaram Luís Carrilho e Alexandre Cardoso, à primeira e segunda tentativas, respetivamente.
Pela malta que viajou desde a cidade do Nabão saltaram ao ruedo Vasco Freitas que consumou ao primeiro intento, com preciosa ajuda de Luís Campino que foi chamado aos tércios para receber ovação e Afonso Vieira que concretizou ao quarto intento com ajudas carregadas. Pela formação de Cascais foram à cara dos toiros, Rui Grilo e Carlos Dias, efetivando ao primeiro intento.

Dirigiu o Sr. Marco Gomes, assessorado pelo médico veterinário, Dr. João Pedro Candeias e pelo cornetim, Ricardo Fernandes.

 

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