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Caldas da Rainha – O Leslie que afinal pouco soprou…

  • 2018-10-14 23:04
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


A Praça de Touros das Caldas da Rainha, recebeu este domingo, 14 de Outubro, a primeira edição da Corrida de Touros dos Agricultores do Oeste.
Sete cavaleiros e dois grupos de forcados, numa tarde de Outono.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA

O furacão que afinal se transformou em tempestade, terá contagiado o público que, hoje em dia, está muito atento à comunicação social e se acobardou… Meia casa, quiçá forte, para ver um cartel, em tom de miscelânea e que nisso mesmo resultou, uma miscelânea de estilos, conceitos e tal como se viria a verificar o Leslie, pouco vibrante…

Todos os artistas, ‘sopraram’ em tom moderado, tom de resto típico de uma corrida em fim de temporada…

Três toiros de Prudêncio, manejáveis e três de Charrua, saindo um deles escassíssimo de forças, pertencente a Marcelo Mendes e que após a fase de compridos foi devolvido aos currais, abortando-se assim a lide do toureiro.

O sexto toiro, terceiro de Charrua, lidado por David Gomes, deu o ‘direito’ ao seu criador, de dar volta à arena, pelo bom jogo da rês.

De todos os cavaleiros em praça, destacam-se as actuações de Ana Batista e David Gomes, e claro, por motivos distintos.

No caso de Ana, tudo decorreu sob o signo já habitual, ao fim de quase duas décadas de alternativa. Gosto na forma de estar, coerência, calma e toreria, numa prestação de nível e com bons ferros curtos.

No caso de David Gomes, houve mais alguma intermitência, mas inequívoco é, que sempre que sai a uma qualquer arena com o cavalo ‘Campo Pequeno’, ninguém fica indiferente. Ladeios muito vistosos, e dois bons curtos a abrir a sua prestação em bandarilhas. Depois, continuou a boa prestação da montada, mas, verdade é também, que as restantes sortes não resultaram tão ortodoxas. Fechou com um bom violino.

Actuaram ainda Luís Rouxinol, bem ao seu estilo, com uma prestação com epílogo num par de bandarilhas, depois de uma primeira abordagem em que deixou meio par… Manuel Telles Bastos, foi talvez um dos toureiros da tarde, que sem se transcender, exibiu maior regularidade. Andou correcto nas sortes e na brega, com o seu timbre clássico. Luís Rouxinol Júnior, enfrentou-se com o mais pesado do festejo. Um Charrua com 680 quilos de peso e que impunha não pela maldade, mas pela sua abastada corpulência. Júnior andou correcto, numa prestação em crescendo, com epílogo num bom par de bandarilhas e um violino deixado à segunda passagem.

Depois das seis prestações, lugar ao ‘futuro’ da festa, pelas mãos de António Telles Júnior. Esteve gracioso e a auspiciar uma temporada vindoura com êxito. É eficaz nas cravagens e conhecedor dos terrenos. Esteve em bom plano.

As pegas da tarde estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores de Coruche e Caldas da Rainha.

Pelos Amadores de Coruche, foram caras António Tomás, efectivando ao primeiro intento, Roberto Graça, ao segundo intento e Pedro Coelho, concretizando função ao seu segundo intento, dobrando as quatro iniciais tentativas de Fábio Casinhas.

Pelos Amadores das Caldas, foram na linha da frente, os forcados António Cunha, efectivando à segunda tentativa, Lourenço Palha, à segunda e Duarte Manuel, à primeira tenttaiva.

Dirigiu com o costumeiro acerto, o Delegado Técnico Tauromáquico Francisco Calado, assessorado por José Manuel Lourenço.

Como nota de término e absoluta curiosidade, frisa-se o gosto em tocar o pasodoble ‘Manuel dos Santos’, naquela que era uma das casas do malogrado matador de toiros.