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Opinião d'Ouro - O sorteio de Madrid e os acomodados de Portugal

  • 2019-02-22 22:55
  • Autor: Solange Pinto


'...Nós por cá, vivemos ainda no tempo do comodismo, em que os toureiros dinásticos, acham, que por carregarem a história da família a ombros, lhes confere o benefício de nada terem que provar a ninguém. A maioria deles, aparece com ganadarias cómodas e ‘sacam’ os seus cavalos craques ou pelo menos, os craques que as suas condições lhe permitem ter, consoante a importância da praça e/ou espectáculo onde vão...'

Simón Casas voltou a agitar o mundo taurino, precisamente oito dias depois de que em Portugal se desse início à temporada, de forma oficial…

Simón Casas, empresário da mais importante praça de touros do mundo, voltou a dizer ao universo taurino, que a Tauromaquia, tem de mudar, tem de ser inovada, sob pena de perder o interesse… Simón Casas, voltou a dizer que não é empresário, mas, que é produtor de espectáculos… Simón Casas, voltou a dizer, que o ‘bombo’, estaria de volta a Las Ventas e desta feita, na sua mais importante feira! San Isidro!

Ditadas as regras, começaram as surpresas e as surpresas, como à primeira vista poderia parecer, nem sequer chegaram do voluntário inesperado Enrique Ponce, com mais de trinta anos de carreira e pouco que provar a quem quer que seja, ou, de toureiros emergentes como Álvaro Lorenzo ou Ginés Marín, a surpresa, nem sequer veio de Perera, toureiro bem aceite em Madrid pelos logros ali conseguidos, ou a surpresa, nem sequer veio, de quem sempre tudo lidou, como António Ferrera, desde os seus primórdios, ou mesmo Diego Urdiales e Paco Ureña… A surpresa, veio sim, de um toureiro que já ultrapassou a fase da afirmação, de um diestro que arriscava a sorte de perder exactamente a sorte que Deus lhe deu, de se sagrar um dos toureiros mais ‘taquilleros’ e apetecidos nos quatro cantos do mundo.

Roca Rey é o homem de quem falamos e ironia do destino, foi aquele, que sorteou a corrida mais complicada das dez existentes na tômbola, a de Adolfo Martín.

Passadas mais de 24 horas do sorteio, de muitas explicações, de muitos comentários e análises, teria este ‘miúdo’, necessidade de se sujeitar a lidar toiros dos que a sua condição actual não vislumbraria?

Mais, teria necessidade, Sebastián Castella de lidar Miuras, em Sevilha, sabendo-se de antemão que todos, mas mesmo todos, questionarão as suas capacidades para o fazer, caso a ‘coisa’ não lhe corra bem?

E Ventura, que se dispôs lidar Graves, noutros tempos, e no passado ano, Palhas em Vila Franca de Xira…

Diz Simón, que ‘tudo o que não evolui, desaparece’. E não terá ele razão?

Os ventos de mudança sopram mas ainda só do lado de lá da imaginária fronteira.

Nós por cá, vivemos ainda no tempo do comodismo, em que os toureiros dinásticos, acham, que por carregarem a história da família a ombros, lhes confere o benefício de nada terem que provar a ninguém. A maioria deles, aparece com ganadarias cómodas e ‘sacam’ os seus cavalos craques ou pelo menos, os craques que as suas condições lhe permitem ter, consoante a importância da praça e/ou espectáculo onde vão.

Nunca dão tudo, falta-lhes aquele passo para diante, que é aquele que diz ‘triunfo’, mas que pode também dizer queda, risco, colhida…

Nós, que vimos tudo cá de cima, junto daqueles que lhes pagam o ‘ordenadito’, os aficionados, sentimos muitas vezes, pouca vontade de bater palmas ao dito comodismo.

Por cá, há muito poucos a pôr a carne no assador, porque afinal de contas, o contrato está certo, porque o apoderado de fulano e beltrano, até tem muitas praças…

Os outros, os que às vezes até arriscam, que têm valor, mas não têm os ditos homens ‘fortes’, vão, arriscam com os meios que têm e, ainda brindam ao empresário, usando e abusando da humildade que não deveriam ter, agradecendo a oportunidade dada…

Em Portugal, em tudo o que por aí já vimos anunciado, onde está a novidade? Louva-se o facto de Rui Fernandes, aceitar lidar em Lisboa, uma ganadaria para si, fora do ‘tipo’ que é o seu e assim de repente…

Até o ‘raio’ dos cartazes que por aí andam, são todos iguais uns aos outros, porque é mesmo criador a faze-los… Perdeu-se a identidade?

Ponham por exemplo, os olhos no cartaz de Olivenza. Por cá não há criadores assim?  

Há, o André Pimentel, fez os mais fantásticos cartazes de 2018, os da temporada vilafranquense.

Perdoem-me a divagação… o objectivo era falar de Simón Casas e da sua fabulosa ‘criação’ com o sorteio de Madrid e dos acomodados de Portugal.