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Editorial – Abril - A tauromaquia é um mundo de oportunidades…

  • 2019-04-10 22:00
  • Autor: Solange Pinto


'...Tirem as Vossas conclusões e pense-se na Tauromaquia, sem interesses, sem que seja um trampolim ou um degrau para outros objectivos.
Afinal de contas, é preciso que todos percebam aquilo que nós, demorámos mais a entender, a tauromaquia, é um mundo de oportunidades...'

Foi tema do TouroeOuro por mais que uma vez, em reuniões da sua equipa de direcção, o exagero por demais evidente da ligação de um partido político à tauromaquia.

Entenda-se, que todo o apoio é pouco, venha ele de onde vier, mas, já dizia o ditado popular, que a esmola quando é muita, o pobre desconfia… e acrescento eu, 'põe-se à coca'.

Há tempos, quando em Coruche se levou a efeito uma corrida com o namming Juventude Popular, fui das poucas pessoas a comentar (escrever), sobre o perigo de indexar a tauromaquia a um partido político. Não me parece inteligente, associar à Festa, nenhuma cor política, sob pena, das restantes não se reverem em certas acções e de por isso, se sentirem excluídos de uma cultura que é de todos e que alguns insistem em querer fazer crer que corre perigo de morte.
Na ocasião, ninguém tinha ouvido falar em certas personagens e a mim, particularmente, pareceu-me tudo demasiado estranho.

Infelizmente, já vi passar muita gente por ‘aqui’, que veio e foi, com o único objectivo de adquirir reconhecimento público. Uma espécie de notoriedade à moda dos Reality Shows… Fama fácil, rápida e a seguir, possibilidade de fazer umas presenças pagas, ou, no caso da tauromaquia, que renderão uma ou outra oportunidade extra…

Mas, adiante… todos são credíveis e inocentes até prova em contrário.

Passados dois anos, a aparição de certas personagens, em espectáculos tauromáquicos de postín, foi cada vez mais frequente, sendo que, se notou a ausência das mesmas personagens, em momentos 'cumbre' como a Póvoa de Varzim…
Detalhes, que não teriam interesse ou relevância, se não estivéssemos a falar da Defesa da Festa, tão apregoada por alguns e tão ignorada por tantos outros.


Não bastou a tal corridita e passou-se então à organização de uns almoços nos ‘anexos’ da Assembleia da República, convidando-se agentes da Festa, que, por bem, lá vão, na crença de que aquilo, nos fará bem a todos e que assim, estamos a proteger a tauromaquia. Será mesmo?


Passeiam-se uns vestidos, chama-se o repórter que fotografa a preços mais económicos e sorri-se… E pronto, Festa blindada, consciência tranquila e espalha-se a ideia de que aquele é o único partido política que nos serve.

Será?

Em conversas de bastidores, tertúlias, reuniões e conversas ocasionais, vai-se criando a ideia, de que aquele logótipo, é o único que nos serve e que só assim, a continuidade da Festa estará assegurada. Espalha-se a ideia!

Será?


Relembre-se, que em Espanha, existe mais de um quadrante político a apoiar a Festa e nesses diversos quadrantes existem rostos taurinos de elevado prestígio. Ainda assim, esse é um direito que assiste a cada cidadão. Que o toureiro ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ se associe a uma campanha partidária, não vem mal ao mundo. Sim haveria, se a plataforma que defende a tauromaquia no país vizinho, quisesse criar um lobby de voto, ou seja, se induzisse constantemente o aficionado a acreditar que apenas aquela ‘cor política’ apoiava a Festa.


Victorino Martín, Presidente da Fundación Toro de Lídia, chegou mesmo a afirmar publicamente, que ‘los verdaderos políticos están al servicio del pueblo independientemente de los gustos personales que puedan tener y, si el pueblo lo exige, y aunque a ellos no les guste, tendrán que cuidar y apoyar el patrimonio que es de todos’.


Nós por cá, somos muito mais inteligentes, achando que é agarrando-nos exclusivamente a um partido, que nos vamos livrar do mal e assegurar o bem. Não seria mais fácil atacar a raiz do problema?


Repare-se em localidades como Lisboa, Vila Franca, Beja, Barrancos, Moura, Alcochete, Vinhais, Idanha-a-Nova, Figueira da Foz, Alandroal, Mourão, Reguengos de Monsaraz, Viana do Alentejo, Nazaré, Arruda dos Vinhos, Alter do Chão, Elvas, Sousel, Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos, Tomar e Montijo, com autarquia PS, bem como Moita, Cuba, Serpa, Évora, Montemor, Mora, Vila Viçosa e Monforte, com câmaras geridas pelo PCP e ainda exemplos, como Albufeira, Caldas da Rainha e Pombal, como referências de autarquias PSD…
Não serão os eleitores destas localidades, os grandes pilares da Festa de Toiros em Portugal? Como ficarão estes cidadãos se quisermos colar a tauromaquia apenas a um partido político?


Pois bem… tudo isto, para dizer, que, tudo na vida tem uma explicação e até mesmo aquilo que parece uma bênção, pode bem ser um presente envenenado…

Há dias, ficámos todos a saber, que o Presidente da Prótoiro e simultaneamente, Presidente da APET – Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, é cabeça de lista, pelo CDS no distrito de Évora…


Portugal é ainda um país de terceiro mundo, em que as influências contam e as oportunidades se criam de forma estupidamente visível…

Ontem mesmo, Paulo Pessoa de Carvalho, anunciou a suspensão do cargo que desempenhava na Prótoiro, ou seja, deixa, de momento, a presidência da Federação, enquanto vai ali à política. Recorde-se, que Diogo Costa Monteiro, também suspendeu a sua actividade na Prótoiro, de forma a continuar com a sua carreira enquanto advogado. É verdade, o que é feito de Diogo Costa Monteiro?

Mas, com tudo isto fiquei confusa. Paulo Pessoa continua na liderança da APET?

Tudo confuso. Digo eu…


Tirem as Vossas conclusões e pense-se na Tauromaquia, sem interesses, sem que seja um trampolim ou um degrau para outros objectivos.


Afinal de contas, é preciso que todos percebam aquilo que nós, demorámos mais a entender, a tauromaquia, é um mundo de oportunidades.