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Arronches – “Isto não é como começa, é como acaba”

  • 2019-06-22 11:56
  • Autor: Rodrigo Viana


A Praça de Touros de Arronches, recebeu esta sexta-feira, a sua tradicional Corrida de Touros, das Festas de São João.
Um concurso de ganadarias, na comemoração do vigésimo aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Arronches.

CRÓNICA DA CORRIDA

Dia do vigésimo aniversário do grupo e submeterem-se a pegar seis toiros em solitário na praça da sua terra é quase uma obrigação, todavia acarta uma responsabilidade em cima dos ombros daqueles que envergam a jaqueta de ramagens bastante elevada. As coisas começaram de forma bastante preocupante. Se na primeira pega o forcado Filipe Redondo teve de enfrentar o seu oponente por três vezes, após uma primeira onde o toiro derrotou de forma violenta e o forcado saiu bastante amassado, na segunda pega da ordem a “coisa” agravou-se. Saltou à arena o forcado Paulo Florentino que após uma muito complicada reunião recolheu de imediato à enfermaria. A dobra e num ato louvável foi executada pelo cabo Manuel Cardoso ao quarto efetivo intento, numa consumação a sesgo. Quer o cabo como outro elemento do grupo também recolheram à enfermaria de onde seguiram para o hospital de Portalegre para observação. Bem, numa noite que se esperava de festa… o ambiente entre os forcados que se encontravam literalmente à minha volta era de consternação e desilusão. Perante isto, saiu-me “Pessoal, isto não é como começa, é como acaba”! A “malta” uniu-se e superou-se… e daí seguiram para um pleno de primeiras tentativas de bastante mérito, consumadas por Rafael Pimenta, Luís Marques, Fábio Mileu e João Rosa, sendo que este último teve uma brilhante primeira ajuda de Tiago Cabaceira.

No que a lides equestres diz respeito, iniciou a noite a cavaleira Ana Batista. Na primeira parte do festejo enfrentou-se com um toiro de Mata-o-Demo, colorado de capa, rematado de carnes. Nos compridos, e dados alguns problemas de visão da rês, mediu um pouco as sortes. Tem dois curtos de nota razoável numa série intermitente, dada a pouca mobilidade do astado. No segundo de seu lote, com ferro de Dias Coutinho, Ana teve longe de ter a lide sonhada. Foram muitas as passagens em falso a um toiro com idade e que apresentava um trapio considerável. A volta concedida pelo diretor de corrida aconteceu por cortesia e pouca exigência do mesmo.

Marcos Bastinhas, que vira seu pai ser homenageado após as cortesias com o descerramento de uma lápide em sua memória, enfrentou-se com um astado de Luís Vasconcelos e Sousa D’Andrade que se adiantava uma brutalidade pela direita. Criou som logo na ferragem comprida, porém nos curtos pecou pela velocidade excessiva que imprimiu à lide, sendo tudo realizado muito efusivamente, levando a que no primeiro dos dois ferros de violino que cravou sofresse forte toque na montada, onde se desequilibrou, conseguindo no entanto aguentar-se e sair da sorte sem consequências de maior. Na lide do quinto, a história foi bem diferente. Uma lide com cabeça tronco e membros, frente a um excelente toiro da ganadaria Romão Tenório, que exibiu mobilidade e bastante classe. Série de curtos templada, um palmito e um par de bandarilhas de boa nota, não faltando o selo da casa Bastinhas, ao apear-se da montada no fim da sua passagem por este tauródromo alentejano, que comemora nada mais nada menos que 125 primaveras.

Fechava o cartel Miguel Moura. O primeiro toiro que enfrentou com ferro de São Martinho, foi um perdido de manso. Completamente desinteressado não permitiu ao ginete de Monforte qualquer tipo de luzimento. No último da ordem, com ferro de Lopes Branco, bem apresentado iniciou faena com uma sorte de gaiola de elevadíssimo nível, a cravar ensu sítioaguentando a perseguição do toiro que vinha obviamente com bastante pata e força dos currais. Na série de curtos destaque para o excelente primeiro curto, numa sorte frontal bem ao estribo e a partir daí a lide foi ligeiramente a menos terminando a sua passagem pelo ruedo de Arronches com uma rosa.

Encontravam-se a concurso prémios de apresentação e bravura, sendo ganhos, respetivamente, pelos toiros das divisas Lopes Branco e Francisco Romão Tenório.

O festejo que contou com uma moldura humana assinalável, a rondar a casa cheia, foi dirigida com acerto, embora que com uma dada benevolência na concessão de volta após a lide do quarto da noite, pelo Sr. Marco Gomes, assessorado pelo médico veterinário José Guerra e por dois cornetins, na primeira parte João Ribeiro e na segunda Nuno Massano, num despique saudável que acabou por favorecer a festa.