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Coruche entre a cara e a cruz…

  • 2019-07-07 08:44
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


A Praça de Touros de Coruche, recebeu este sábado uma das corridas de maior emoção dos últimos anos.
Frente a touros de São Torcato actuaram os cavaleiros, Luis Rouxinol, Ana Batista, Manuel Telles Bastos e João Moura Jr. e os espadas, Nuno Casquinha e Diogo Peseiro. Pegaram os Forcados Amadores de Coruche e Aposento da Moita.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA

A tauromaquia viveu nos últimos anos, bons momentos, outros menos bons, mas creio com convicção, que andou mergulhada numa profunda apatia, apenas de quando em vez ‘cortada’, com um ou outro triunfos mais sonantes e/ou, um ou outro acontecimento trágico e/ou, o surgimento de um ou outro toiro dos que marcam pela bravura…

Os ‘nhoc-nhoc’ como um dia lhes chamou o génio Salgueiro, deram-nos a todos, uma sensação de facilidade (ainda que nem sempre possa corresponder à verdade) e uma quase inevitável falta de emoção.

Os ‘ais’ e ‘uis’ foram trocados por outros pólos de interesse, sempre e quase, pouco focados no toiro, que em determinadas ocasiões, parece ter sido um dispensável acessório.

A noite de sábado, em Coruche, ficará marcada com toda a certeza, pelas inúmeras tragédias sucedidas numa só arena, mas, também, pelo curro enviado por Joaquim Alves, chamado a dar volta à arena, pelo bravo quinto toiro, da ‘marca’ São Torcato, não tendo no entanto, saído de entre barreiras.

Corrida com génio, onde o toiro mau foi o lidado por Luís Rouxinol, onde o bom foi lidado por Manuel Telles Bastos e, onde os restantes, emprestaram as tais sensações diversificadas…

Uma coisa é certa. Em Coruche, não houve bocejos ou minutos enfadonhos. Em Coruche, houve a sensação de que os toiros colhem, são perigosos e que, nestas circunstâncias, têm que ter por diante, toureiros com tudo no sítio para os lidar.

Não tenho memória de uma noite assim, nem mesmo vendo cerca de cem corridas por ano… Acidental festejo, enervante mesmo, mas deslumbrante por se ter marcado quiçá, um ponto de viragem em tudo isto.

Luís Rouxinol, lidou o primeiro com a sua costumeira habilidade. Habilidade no bom sentido da palavra, porque a matéria-prima que tinha pela frente, não era para qualquer um. Depois dos compridos, deixou uma série de curtos com mérito e poderio.

O triunfo foi indiscutivelmente de Telles Bastos. Actuação com ferros de grande nível, em que o toureiro se mostrou ‘endiabrado’, com raça e acutilância perante um astado bravo e que a si lhe serviu como um ‘sapatinho’. Grandes abordagens ao oponente, retirando-lhe todo o sumo de que dispunha.

Telles chegou mesmo a ‘ralhar’ quando ‘alguém’ se mexia incessantemente na trincheira, criando ali um burburinho que apenas ajudou a colocar consigo, porventura, alguém mais desatento com o seu importante labor.

Ana Batista lidou um dos oponentes que mais se adiantava e que em muito complicou… A Ana Batista sentiu-se o desconforto, deixando ferros apenas correctos, sem alardes… Em consequência do último deixado, sofreu forte toque na montada, apertando-se contra tábuas, provocando o seu desequilíbrio, projectando-a sem dó, nem piedade, ao solo. Momentos de compreensível apuro, tendo a toureira recolhido à enfermaria e posteriormente a uma unidade hospitalar.

Bem começou Moura Júnior, lidando aquele que era o sexto toiro do festejo. Depois dos compridos, saiu à arena com um dos seus mais conhecidos cavalos. O Xeque-Mate, deu o seu último show de brega a duas pistas… Importante montada, a viver também ele, aparatosa colhida, ficando a sua perna direita enganchada no piton do toiro, fracturando-a de imediato, caindo na arena de forma inglória… Pânico total, consternação e sobretudo, muitas lágrimas por parte do toureiro de Monforte, também ele sendo conduzido à enfermaria, por estar ensanguentado na boca.

Corrida terminada, toiro devolvido aos currais, e pega abortada, sendo que também a pega do toiro lidado por Ana Batista, haveria de não ser tentada, em virtude do piton do toiro se ter partido.

Duas pegas a consumar, uma por Miguel Raposo, do Grupo de Coruche, ao primeiro intento e outra, por Leonardo Mathias, cabo do Aposento da Moita, ao seu primeiro intento, mas quinto, da formação que lidera. Duas tentativas foram destinadas a João Ventura, saindo inanimado da arena e outras duas, a Luís Fera, com igual destino.

A corrida era mista e por isso, actuaram Nuno Casquinha e Diogo Peseiro. Casquinha andou correcto face ao astado que teve por diante. Peseiro, menos regular, mas com uma boa série. Frisa-se o facto de Peseiro ter recebido o seu ‘inimigo’ de joelhos, no centro da arena e com um par de bandarilhas, tentando cravá-lo ‘al violin’, embora sem sucesso.

Durante a faena de muleta, sofreu uma voltareta, afortunadamente, sem consequências.

A corrida anunciava-se de Homenagem Póstuma a Manuel Badajoz, sendo por isso, a maioria dos brindes, destinados ao irmão do bandarilheiro, António Badajoz, presente no festejo.

Neste espectáculo, fez prova de bandarilheiro profissional, João Viegas.

Dirigiu com acerto e uma acertada decisão de pôr termo ao espectáculo, o Sr. Marco Cardoso, decisão esta, que o público acatou sem protestos de maior.

Como nota final, destaca-se o facto de terem sido três espectadores assistidos, quiçá, pelas emoções fortes de uma corrida à qual ninguém ficou indiferente.