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Campo Pequeno - Os Velhos do Restelo e o Reality Show!

  • 2019-08-09 02:18
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se na noite de quinta-feira, mais uma corrida do abono lisboeta, com cartel composto por toiros de Veiga Teixeira e lides a cargo de João Moura, Rui Salvador e Luís Rouxinol.
As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores de Tomar, São Manços e Caldas da Rainha, sendo que o Campo Pequeno, registou uma entrada que rondou os dois terços fortes.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA

Jornalista, é todo aquele que sente a notícia como a sua prioridade e, que, no exercício da sua profissão, a coloca, à notícia, à frente daquilo que é o bom e o menos bom, do mau e do menos mau e do que, realmente fará o retrato escrito/falado e gráfico, de um acontecimento... O limite do que é ou não notícia, variará consoante as regras do bom-senso e sobretudo, evitará a ocultação daquilo que realmente é a informação.
'Os velhos do Restelo', sempre assim pensaram, ou os que ainda o são, jornalistas na actualidade, jamais pensarão de outra forma.

O mundo do toiro, apenas vive dos velhos do Restelo, nas arenas, sendo quem ainda desperta algumas atenções, sobretudo dos conservadores que se reveêm nos toureiros com mais anos de profissionalização, porque nos outros sectores, são os 'acabadinhos' de chegar, que querem impôr regras castradoras na hora de informar, anulando por completo, por ocultação, do que realmente é notícia.

Perdoai Senhor porque não sabem o que fazem, não sabem o que dizem e mas sabem ao que vêm. Vêm à procura de holofotes... é mais ou menos, como participar num reality show, onde a visibilidade se adquire rapidamente, mas onde a 'morte' da fama e do mando, é anunciada...

A ideia é vender uma imagem errada e camuflada, do que é a genuína tauromaquia, com riscos e emoções e quiçá, sem interesse nenhum...!
São assim as trincheiras de um Portugal Taurino empobrecido pelo aparecimento de personagens sem cultura taurina, sem maneiras, sem conteúdo.

É preciso saber, que João Moura foi muito mais do que ora se vê e que, a sua valentia de cravar um comprido em sorte de gaiola, faz parte do brio de quem mandou nisto tudo. É preciso saber, que Rui Salvador foi uma figura importante no nosso 'burgo' e que merecia ter sido aplaudido de pé na Homenagem do Campo Pequeno (e não foi), pelos seus 35 anos de alternativa e é preciso saber, que a ganadaria em causa, lidada nesta noite de abono lisboeta, servia apenas, no momento, ao menos artista mas muito tecnicista, Luís Rouxinol.

Foi basicamente isto que se passou no Campo Pequeno, na Corrida do Emigrante, onde se preencheu cerca de dois terços fortes ou três quartos fracos de lotação, em noite de transmissão televisiva.
João Moura andou em registo regularíssimo durante a lide dos dois oponentes, sendo o dito ferro em sorte de gaiola, o factor de desiquilibrio positivo. Sabemos todos que João Moura se revê noutro tipo de encaste, mas, valente como as armas, colocou o coração ao alto e mesmo na sua idade, lá resolveu levar a efeito uma sorte muito na moda, nos últimos tempos...

Rui Salvador
esteve em timbre intermitente, mas ainda assim com raça e valor, embora sem o tremendismo de outrora. Certo é que lhe tocou o menos lidável da noite, sem grandes recursos, no entanto, verdade é também, que o ginete da terra, consentiu alguns toques nas montadas, desfeiando as suas prestações.

Foram definitivamente de Luís Rouxinol, em noite de aniversário natalício, os melhores momentos da noite. Talvez a segunda prestação com o Douro tenha sido a mais aplaudida, sobretudo pelo par de bandarilhas, mas, foi na primeira aquela que lidou com mais riqueza artística, deixando ferros mais valorosos.
O sector das jaquetas de ramagens, foi hoje penalizado pela forma como os toiros derrotavam e com a 'maldade' com que investiam, consentindo a reunião para depois, de forma efectiva, sacudirem os forcados com violentos derrotes.

Pelos Amadores de Tomar, foram na linha da frente, Ricardo Silva, pegando à segunda e Luís Campino, à primeira.

Pelos de São Manços, pegou o segundo do lote, o cabo João Fortunato, ao segundo intento e, Jorge Valadas, com duas tentativas, dobrando as iniciais duas de Pedro Fonseca.

Das Caldas vieram os forcados Francisco Mascarenhas (cabo), efectivando ao quarto intento e, Lourenço Palha, à primeira tentativa, numa emociante função.

Os toiros de Veiga Teixeira, deixaram-se lidar, transmitindo mais pela 'maldade' do que propriamente pela bravura.

Dirigiu com acerto e descrição, João Cantinho, com assessoria do médico veterinário, Jorge Moreira da Silva.