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Nazaré – O canhão da ovação!

  • 2019-08-11 04:11
  • Autor: Rodrigo Viana


Na passada noite de sábado, a Praça de Touros do Sítio da Nazaré, voltou a abrir as suas portas para receber uma corrida de touros com cartel composto pelos cavaleiros Luís Rouxinol, João Moura Júnior e Marcos Bastinhas, com toiros de Francisco Romão Tenório.
As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores de Lisboa, Aposento da Chamusca e Amadores de Coimbra, tendo o tauródromo registado três quartos de entrada.
CRÓNICA DA CORRIDA
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A vila da Nazaré é, hoje em dia, ponto turístico de excelência! O célebre acontecimento praticado por Garrett McNamara, em 2011, ao surfar uma onda gigante no canhão da Nazaré veio ainda trazer mais movimento a esta castiça localidade.

Neste sábado teve lugar a terceira corrida da temporada taurina deste bonito tauródromo, no Sítio da Nazaré edificado. Corrida de homenagem à grande figura que foi Joaquim Bastinhas e se não admiraria atitude cheia de carisma deste povo para qualquer toureiro, muito menos me admirou o facto de em simultâneo toda a praça se ter erguido e retribuído uma brutal ovação em memória do malogrado toureio elvense.

O mais antigo cavaleiro em cartel fora Luís Rouxinol e sendo já um habitué, terei de refrisar que este senhor não sabe estar mal. Se frente ao primeiro, teve algumas dificuldades em conseguir extrair o pouco sumo que o oponente permitia, tendo chegado mais ao público ao deixar um ferro em sorte de violino bem conseguido, no segundo de seu lote já conseguiu ter outro tipo de luzimento e chegar às bancadas de uma outra forma. O astado tinha pouca força, porém com o Douro desenhou uma lide com bonitos pormenores de brega e destaque para o terceiro curto e para um grande par de bandarilhas.

O cavaleiro que se seguia, viajou desde Monforte e foi João Moura Jr. Vestindo uma elegante casaca verde-garrafa e ouro e sabendo de antemão que pratica um tipo de toureio menos efusivo que os seus companheiros de cartel, tentou desde cedo criar laço com o conclave que preencheu três quartos fortes da lotação desta praça de touros. A sorte de gaiola que imaginou não saíra redonda, dado que a rês se mostrou algo distraída e com algumas reservas notórias. O ginete baseou a sua lide em sortes com batida ao pitón contrário, que quando resultaram foram de boa nota. Com o toiro a encerrar-se em terrenos de dentro deu por terminada esta sua primeira actuação com sortes a sesgo. No segundo o nível subiu de forma considerável havendo lugar a boa brega a duas pistas, frente ao mais colaborador astado do festejo. Ao som de “Forcados do Sul” cravou um terceiro curto de excelente nota e por fim desenhou duas mourinas, deixando em êxtase este público tão entusiasta.

Rematava o cartel, o representante da família do homenageado da noite. Foram duas lides, que apesar de terem oponentes distintos (bem melhor aquele com que se encerrou a noite) tiveram semelhanças em termos de forma. Após ferragem comprida regular, partiu para uma série de curtos, muito ao estilo do rejoneio espanhol, lidando em redondo e terminando com um par de bandarilhas, que nem sempre resultou em pleno e à primeira tentativa. Marcos Bastinhas tem evidente carisma e hoje, especialmente, abusou um pouco da excentricidade que demonstrou logo após a cravagem dos ferros e até no fim das suas lides quando se apeou das suas montadas, tal como fazia seu pai. Chegou mesmo a atirar-se em movimento de joelhos para a arena, a fazer lembrar celebrações de golos de alguns jogadores de futebol. Deu duas voltas em cada lide, o que parece exagerado face à comparação que se pode e deve fazer relativamente às lides dos seus companheiros de serviço nesta noite.

No que à forcadagem diz respeito, pelos de Lisboa, foram na linha da frente João Varanda e Rui Santos, consumando ambos ao primeiro intento. No que ao Aposento da Chamusca concerne, foram eleitos para ir à cara dos seus toiros, João Saraiva e Vasco Coelho dos Reis cumprindo também ambos funções à primeira tentativa e por fim pelos amadores de Coimbra foram à cara os forcados António Ferreira que após sair lesionado, foi dobrado pelo cabo Pedro Silva e Pedro Marques, efectivando respectivamente à segunda e primeira tentativas.

O curro que viajou desde o concelho de Arronches denotou uma boa apresentação, havendo alguma disparidade no que a comportamento diz respeito. Melhor os dois toiros com que se encerrou a noite, havendo mesmo lugar a volta ao ganadero aquando da faena do quinto da ordem e mais inertes e reservados os restantes.

O carisma do povo desta praça é distinto de todas as outras do território nacional, dada a benevolência e carinho que oferecem a todos os intervenientes no espetáculo. Talvez por isso acabe por haver algum exagero e aproveitamento em certas ocasiões. Este bonito edifício é um autêntico canhão da ovação, o que na verdade por vezes também faz falta à festa brava!

A corrida foi dirigida por Ana Pimenta, assessorada pelo Dr. José Manuel Lourenço.