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Campo Pequeno - La Concha Flamenca

  • 2019-08-24 02:46
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se na passada sexta-feira, uma corrida de touros integralmente dedicada ao toureio a pé, em português!
António João Ferreira, Manuel Dias Gomes e João Silva 'El Juanito', frente a toiros de Calejo Pires, compunham o elenco, tendo a Praça de Touros do Campo Pequeno, registado cerca de um quarto forte de entrada.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA
ASSIM ACOMPANHAMOS EM DIRECTO

Não sei se muitos ou poucos, terão reconhecido o último pasodoble tocado na corrida do Campo PequenoLa Concha Flamenca, um pasodoble inevitavelmente tocado na Real Maestranza de Caballeria de Ronda, a cada corrida ali realizada.

Senti-me em Ronda, pelos ecos dos magníficos acordes da banda de música que abrilhantou com sensibilidade a corrida, e foram eles, os músicos, uns dos maiores triunfadores do festejo… Valor a quem o tem e a escolha dos temas tocados, revela não mais que grande apetência para este tipo de espectáculos a pé, onde o silêncio ou somente os solos fazem sentido...

Dizia, que me senti em Ronda… fantasiando com a solenidade daquele tauródromo e crendo, naquilo que sei e sempre tive a capacidade de encarar: cada praça com a sua tauromaquia!

Não mais se pode fechar os olhos a uma realidade inequívoca… O toureio a pé perdeu força no nosso país e desde Pedrito, nunca mais viveu tempos de fulgor. Não precisamos procurar culpados, necessitamos sim de estratégias concertadas para que se devolva a paixão por capotes e muletas e a solução, não é, e jamais seria juntar três matadores de toiros portugueses (com todo o respeito que nos merecem)… A corrida do Campo Pequeno foi uma colhida mortal? Não! Mas foi com toda a certeza, uma voltareta mais num corpo já cansado…

O ‘Pai Nosso’ jamais se ensinará ao vigário, mas, ainda assim, não seria difícil prever a fraca entrada de público. Um quarto de casa forte, quiçá um terço… Muito pouco, que com toda a certeza seria mais, se cada um daqueles diestros actuasse ladeado por uma figura do toureio espanhola.

António João Ferreira, Manuel Dias Gomes e Juanito, foram os três intérpretes da noite, frente a toiros que não ajudaram, que, alguns, parecendo bons, apenas se deixaram e que não deixaram mais por estarem sobradíssimos de quilos. Peso a mais, a condicionar a mobilidade.

A marca, Calejo Pires, sairia beneficiada, com a redução de peso, sobretudo para o toureio a pé. Ainda assim, há que realçar, que alguns dos exemplares, eram bonitos.

António João Ferreira não pôde mais com o lote (o pior) que sorteou. Não perdeu a elegância e fino recorte que sempre o caracterizou, mas, viu-se numa ‘pelea’ sem competidor à altura. Duas actuações sem música, embora esforçadas, com uma impressionante voltareta na segunda actuação.

Manuel Dias Gomes andou em plano agradável frente aos dois do seu lote. A primeira faena é a que mais solvência teve, sobretudo pelas condições do oponente. Ainda assim, na segunda, contornou obstáculos e fruto do seu mérito, conseguiu arrancar uma boa série, a um toiro que se rachou em tempo curto.

Gomes ‘surgiu’ no Campo Pequeno com um toureio mais maduro, mais equilibrado e com mais recursos, notando-se bons apontamentos por ambos os pitons.

De pérola e ouro e figura apreciável, ‘em toureiro’, fez o seu debute no Campo Pequeno como matador de toiros, o jovem João Silva ‘El Juanito’.

Actualmente mais ‘plazeado’ que os seus alternantes, Juanito deu um passo mais, na sua qualificação para o pelotão da frente no que aos toureiros portugueses concerne. Bem no primeiro, com uma actuação que se poderia considerar, boa! Mas foi frente ao segundo que deslumbrou com a muleta, que deu ‘banho’ de toureio, mesmo e quando o seu touro não era uma pérola… Diversidade de passes, cadencia e pulso apreciável. Estético e plástico, com profundidade nas séries e muita estrutura como matador de toiros. Deve e pode estar na moda, deve e pode ser perseguido com a paixão de outros toureiros e outros tempos. Juanito tem aquilo que não se treina, não se compra e tão pouco se explica…

Toureou o segundo do seu lote, ao som de ‘Concha Flamenca’, o pasodoble, que deveria ter tocado logo depois da primeira série, perfeita de joelhos no chão, bem no centro da arena, não de Ronda, mas do Campo Pequeno…

Mas sonhar não custa…

Dirigiu Ricardo Dias, assessorado pelo médico veterinário, Jorge Moreira da Silva.

 

 

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