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Opinião d'Ouro - The Day After… Seja lá quando for…

  • 2020-03-18 16:05
  • Autor: Solange Pinto


A minha, nossa querida tauromaquia, precisará de uma verdadeira união entre todos os quadrantes que a compõem. Os toureiros precisam de se unir. Os forcados, os ganadeiros, os empresários, e a estes últimos, cabe a responsabilidade da cautela, da concertação em torno de uma causa comum…

Não tenhamos ilusões, esta é uma calamidade sem precendentes, uma guerra atípica, em que os Homens não estão contra outros Homens… Aqui, estão os Homens, em luta com o desconhecido, com uma pandemia em forma de um qualquer ‘mal’ cuja configuração não vimos, cuja letalidade apenas vamos conhecendo, a passo…

Passo rápido diria eu, passo lento se desejarmos e sim desejamos, que tudo isto que ainda mal começou, termine depressa…

Repito. É importante que não tenhamos ilusões. É importanto que percebamos, os tempos “escuros” que resultarão do luto face aos entes queridos, perdidos… É importante, que percebamos, que a doença epidemiologica não dará tréguas sem que depois, se apanhem os cacos inevitáveis…

E é importante, que esta tragédia, não se entenda como sendo uma exclusividade do vizinho do lado e que na nossa casa não entra… pode entrar se não tivermos os devidos cuidados preventivos…

Protejamos os nossos, protejendo-nos a nós… essa é a grande arma, num contrasenso dificil de aceitar. Usemos a máxima do toureio, a  maior virtude estética das grandes faenas, mantenhamo-nos quietos, encerrados entre quatro paredes, mas com a esperança de que tudo valerá a pena… Inventemos novas aficións, aprendamos a viver em comunidade e a recriar novos hábitos. Vivamos com a inteligência que a força do inimigo merece…

Esta é a luta que temos de travar… uma luta em uníssono, onde todos têm de remar para um mesmo porto, onde não se limpam armas, onde as munições, são o civismo, a ajuda ao outro…

Quando tudo isto passar, viveremos das marcas. A primeira de todas, a saudade daqueles que por cá ainda poderiam andar, cuja vida foi viralmente ceifada… Viveremos sem as histórias dos ansiãos, mas com uma história que se deverá redesenhar, escrita pelos que não partiram e que recordaram tudo isto, como um ponto de partida, de uma vida nova, onde tudo ou quase tudo, se começará do zero… ou sendo mais alarmista, do nível negativo.

Volto a pedir que não nos iludamos.

Todos nos vamos ressentir de uma brutal crise mundial, despoletando-se raivas, ódios e desperos fruto de uma miséria que se adivinha sem precedentes…

Não nos iludamos.

Todos os lares verão alteradas as suas condições económicas. O desemprego aumentará e a dívida pública numa Europa enfranquecida, será uma realidade…

Não nos iludamos.

A tauromaquia não será excepção. Toureiros parados, a ter que suportar o custo de alimentar os seus colaboradores, os seus animais, num investimento continuo, sem que seja possível recuperar o tempo perdido.

Curros comprados sem possibilidades de utilização das reses. Com os criadores de touros a terem que aguentar estoicamente uma actividade que já vivia antes à custa de muita paixão.

E os empresários? As datas perdidas, que sabiamos terem de existir para rentabilizar as rendas dos tauródromos que gerem…

E o público? Muitos perderam os seus empregos. Muitos viverão à custa de subsídios se os houver. Muitos, verão emagrecidos os seus rendimentos, frutos dos seus negócios perdidos.

A minha, a nossa mais que querida tauromaquia, vê-se agora não só a braços com uma ‘canalha’ que a perseguia, como se verá também, com um empobrecimento do sector, tão beliscado como outros, mas com a menosvalia de ser uma actividade cultural e que por isso não goza do estatuto de indispensável na vida do comum dos cidadãos.

A minha, nossa querida tauromaquia, precisará de uma verdadeira união entre todos os quadrantes que a compõem. Os toureiros precisam de se unir. Os forcados, os ganadeiros, os empresários, e a estes últimos, cabe a responsabilidade da cautela, da concertação em torno de uma causa comum…

Não se espera mais que o bom-senso de todos, e para o que precisarem, cá estaremos, com as mãos abertas, para salvar aquilo que amamos, com a mesma convicção com que nos defendemos desta pandemia.

Mesmo que agora tudo possa parecer mau e sem sentido, o que sim contará… é o dia seguinte... seja lá quando for!

 

 

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