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Opinião d’Ouro – Podiam ter cortado um rabo e saído em ombros e satisfazem-se com uma volta à arena

  • 2020-06-02 21:26
  • Autor: João Dinis


"É preciso que os toureiros, empresários, forcados, ganadeiros e demais intervenientes no espectáculo tauromáquico percebam de uma vez por todas, que quando o TouroeOuro critica, e fazemo-lo muitas vezes, é porque tem conhecimento de causa, afinal também nós sofremos muitas vezes, demasiadas até, a censura que agora os homens dos touros vieram reivindicar, não estamos a “puxar a brasa” para a nossa sardinha… quando falamos que os toureiros se encontravam descontentes com a associação, estávamos a ganhar o quê com isso?"

Não podemos viver de “meias vitórias”, temos que de uma vez por todas ser exigentes, não ficar por “ganhámos 1 a 0” quanto podíamos ter goleado, temos que “cá dentro” ser exigentes e acabar com o comodismo a que alguns, cá de dentro, se habituaram e aproveitam, tirando disso alegados benefícios próprios e não para a tauromaquia.

A acção desenvolvida ontem pelos toureiros portugueses fez-me lembrar aqueles artistas pouco traquejados, que vão a Espanha pela primeira vez e que após lidarem o seu touro e que embora fazendo uma lide brilhante, poderiam ter cortado um rabo, mas depois na “hora de matar” deixam fugir o troféu máximo, e ficam todos contentes porque deram uma volta à arena, esquecendo-se que foi o “prémio de consolação”, quando tinham ali a glória bem perto!

Na defesa da festa andamos há mais de dez anos a ser os “toureiros pouco traquejados” e sobretudo a aprender muito pouco e a ouvir muito menos.

O facto de três toureiros e um antigo forcado terem a “ousadia” de se ir acorrentar às grades do Campo Pequeno, tinha a obrigação de estar a abrir todos os noticiários da manhã, de todas as televisões, rádios e ser destaque nos sites dos jornais generalistas. Tinha, claro está, se a acção tivesse sido pensada e desenvolvida “com pés e cabeça” e não em jeito reacionário como sempre se fazem as coisas nos touros…

Mas como se fazia isso? Muito fácil… No fim-de-semana, sábado de preferência, e não depois da meia-noite de domingo, teria seguido uma nota de agenda a TODAS as redacções, dos órgãos generalistas aos taurinos, a convocar o órgão de informação para as 8 horas da manhã no Campo Pequeno, onde iria ocorrer um assunto do máximo interesse para a publicação. Mais simples era impossível…

Os que a esta hora estão “todos contentinhos” e a fazer correntes nas redes sociais com meias notícias que saíram, e que depois das nove horas da manhã deixaram de ser notícia, estariam agora radiantes com as grandes fotos nas capas dos jornais, com os destaques nas televisões e nas rádios e a tauromaquia teria sido notícia em todo o Mundo!

Obviamente que a acção teria que ter outro contexto, não podia 'encerrar-se' na fotografia e os toureiros irem embora. Não! Era preciso estofo e coragem para lá se manterem, aguentar a vinda da PSP, todo o desenvolvimento posterior, estar ali horas a fio se necessário fosse, pois afinal estamos a falar de homens que enfrentam touros!

O acto foi heroico? Foi! Mas...

Já o “encontro de amigos” das seis da tarde, teria que ter outros contornos, afinal nem só de toureiros e forcados, se faz uma corrida, era necessário, mesmo em tempos de pandemia, haver uma maior concentração e de todos os intervenientes no espectáculo, e porque não, uma ideia concertada de alguns em Lisboa, outros em Santarém, outros em Évora, em Beja, em Abiul, na Nazaré, em Portalegre… hoje estariam as páginas dos jornais imagens de todas as praças de touros com os “taurinos” a reivindicarem os seus direitos… já imaginaram a força e o simbolismo dessa acção?

Ontem, teria sido “o dia” para darmos a volta e mostrarmos de facto a nossa força, assim ficamos todos contentes com um telefonema cheio de promessas, mas sem nenhumas certezas… ficamos contentes por ter um rodapé quando podíamos ter uma capa… assim não vamos lá!

É preciso uma Prótoiro limpa, clara e transparente, que não tenha problema em aceitar as ideias que lhe são dadas… lembram-se da notícia em que o TouroeOuro sugeriu que a Federação contactasse a RTP para transmitir corridas dos mais de 60 anos da sua existência e que felizmente estão gravadas? Até agora não chegou nada à estação de televisão pública… ah pois, foi uma ideia do TouroeOuro…

É preciso ideias, conceitos renovados da e na Prótoiro, e não discursos gastos e que pouco ou nada já acrescentam… temos que deixar a política para os políticos, somos da cultura, não temos que misturar a política, temos que aceitar e pedir a todos, não atacar tudo e todos que não são dos nossos segmentos pessoais.

Não somos contra a Federação Prótoiro, não, nada disso, tem que existir e ter um papel fundamental, não um papel para amigos, que trabalha em prol das amizades e em que os seus “pagantes” nem sonham o que andam a pagar… quem andam afinal a promover…? se a sua arte ou negócios pessoais, de gente que quer fazer tudo e no final não faz nada… como sempre!

É preciso que os toureiros, empresários, forcados, ganadeiros e demais intervenientes no espectáculo tauromáquico percebam de uma vez por todas, que quando o TouroeOuro critica, e fazemo-lo muitas vezes, é porque tem conhecimento de causa, afinal também nós sofremos muitas vezes, demasiadas até, a censura que agora os homens dos touros vieram reivindicar, não estamos a “puxar a brasa” para a nossa sardinha… quando falamos que os toureiros se encontravam descontentes com a associação, estávamos a ganhar o quê com isso?
Estávamos sim a denunciar uma situação, e a verdade é que após a denúncia do TouroeOuro muitas coisas mudaram… perguntem aos toureiros!

Porque no TouroeOuro lutaremos sempre pela festa brava… sem censura!

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