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Editorial - Julho - Que estranha forma de vida

  • 2020-07-19 22:22
  • Autor: Solange Pinto


"Que ninguém ouse questionar Amália...
Que ninguém ouse questionar a tauromaquia, que ninguém ouse aproveitar-se dela ou dar-lhe cor política... Que ninguém ouse brincar com as 'suas casas', que ninguém ouse dar-lhe tom menor...
Que estranha forma de vida, mas por mais estranha que seja, a maior defesa, foi, é e será sempre falar dela e abordá-la com paixão..."

Escrevo num dia de certa nostalgia, num dia em que S. Cristóvão e São Sebastião saem à rua, brindando os aldeãos da pequena localidade que há cerca de 30 anos, conheceu a primeira corrida de touros em praça portátil e que desde então, nunca havia rompido a tradição...

Escrevo num dia, em que estaríamos em fase de rescaldo da inauguração da temporada nazarena, escrevo num dia, em que a temporada, estaria no seu auge, em que já se perceberiam tendências de triunfos, de cartéis, em que os empresários sonhavam com praças cheias...

Hoje, escrevo num dia embrenhado numa realidade diferente, numa 'nova normalidade', como agora se diz... Estranha normalidade e estranha forma de vida a nossa...

Estranha forma de vida, já dizia Amália Rodrigues há uns bons anos atrás, do alto do seu fado... Hoje, esta frase está mais actual que nunca! Estranha forma de vida a nossa, que a esta altura já teríamos desfilado pelas imediações do Campo Pequeno, toilettes e peles morenas... Estranha forma de vida esta, que nos ausentou das conferências de imprensa na mais importante praça de touros do país, estranha forma de vida, que nos fez deixar de sonhar o cartel de abertura, estranha forma de vida...

Estranha forma de vida, que nos faz agora aceitar actuações medianas como uma benção, só porque sim, estranha forma de vida, que nos fez acreditar, que a existência de uma corrida de touros será um acto heróico, deixando-nos convictos que estamos a ser restituídos de um direito que vá lá saber-se porquê, nos retiraram, ou pelo menos assim parece...

Estranha forma de vida, que nos faz crer, que certas inclusões em certos cartéis, acontecem por mérito ou triunfos almejados no ano transacto, estranha forma de vida, que nos faz agradecer TUDO quanto nos querem dar... 
A merda de uma pandemia, que sim existe e que nos fez mudar o rumo da história, veio agudizar aquilo que já existia, de forma mais camuflada. Mais que a pandemia e seus efeitos, é o dinheiro, abundância ou falta dele quem mais ordena... Estranha forma de vida esta, que deita na valeta, o prestígio que antes, em tempos de fidalguia, era e foi importante.

Estranha forma de vida, que troca competências, troca voltas e muda o rumo da história sem que ninguém entenda porquê... Estranha forma de vida que previligia o esquema e os negócios de favorecimentos, mesmo e quando é por demais evidente que assim é, perdendo-se o pudor e a vergonha.

Estranha forma de vida que deixa a tauromaquia envolta em interesses politicos, quando a tauromaquia nunca teve, nem nunca poderia ter cor...

Dizia Amália, num fado de Alfredo Marceneiro, que foi por vontade de Deus... Mas será que a tauromaquia, está como está, por vontade de Deus...?

Amália Rodrigues, amante da arte de tourear, amante das touradas e das noitadas... Amália, que hoje se conta que era defensora da tauromaquia... Não! Antes ninguém precisava de defender a tauromaquia, antes bastava amar a tauromaquia, esta arte que ninguém discutia, esta arte quem ninguém ousava questionar e que apaixonava todos os quadrantes políticos...

A estranha forma de vida, é hoje, uma estranha forma de amar... Atropelos e mais atropelos, fazem da Festa Brava e de todos quantos a protagonizam, uma estranha forma de amar...

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus

Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condão
Que estranha forma de vida

(...)

Que ninguém ouse questionar Amália...
Que ninguém ouse questionar a tauromaquia, que ninguém ouse aproveitar-se dela ou dar-lhe cor política... Que ninguém ouse brincar com as 'suas casas', que ninguém ouse dar-lhe tom menor...
Que estranha forma de vida, mas por mais estranha que seja, a maior defesa, foi, é e será sempre falar dela e abordá-la com paixão... 

 

 

 

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