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Editorial - Agosto - Tauromaquia infectada?!

  • 2020-08-13 16:49
  • Autor: Solange Pinto


'A Festa correria perigo se passássemos uma temporada em claro, mas mais perigo corre, com a elaboração de carteis pobres, com más organizações e com esquemas marginais como aquele em que esteve envolvido a corrida de Monforte… isto são os constantes 'descabellos' à tauromaquia.'

Estamos em pleno Agosto, mas ninguém diria...

Transporto-me para dias homólogos de anos transactos e estaria já, com o entusiasmo de quem faz as malas para sair para a estrada e de hotel em hotel, percorrer umas boas centenas de quilómetros, dando de beber à afición e sobretudo, a este nosso/Vosso TouroeOuro com crónicas diversas, cujos resultados somados, nos fariam ditar os triunfadores de mais uma temporada.

Agora, com tempo para tudo, trocam-se as tardes e noites de corridas, por um relax difícil de digerir e uma fase da vida de todos nós, à qual ainda estamos a adaptar-nos...

O maldito vírus, fez-nos relativizar tudo e perceber, que somos tão vulneráveis quanto parvos e que a vida a que estamos habituados, muda num segundo, fazendo-nos entender da pior maneira, que por vezes a quantidade de espectáculos nem sempre seria a melhor solução...

Esta temporada, ora desbloqueada pelas permissões condicionadas, deveria explicar-nos que a qualidade, pode e deve ser a única solução para uma tauromaquia moderna, de glamour mascarado, mas de alguma fineza no trato, nas acções, nas actuações, nas escolhas… mas...

Queria não ter de usar os tais 'mas', mas bolas, existem e não dá para não os ponderar, num tempo onde se 'cambia' tudo o que disse lá atrás, pela desenfreada correria a datas, cartéis estapafúrdios, jogos e joguetes de aproveitamentos por demais evidentes.

Dadas à estampa as medidas da DGS, eis que começaram a brotar tipo cogumelos selvagens, corridas e corridinhas por todo o lado, mesmo e quando se achava que certos tauródromos não teriam estrutura física para implementação das normas e que, a limitação de lotações, iria ditar a empobrecida elaboração de elencos. E foi isso mesmo.

Do Campo Pequeno, já quero falar pouco… Entendo as circunstâncias (ou não entendo), mas, recuso-me a aceitar que o Campo Pequeno se tenha circunscrito à bitola nacional… Que os cartéis não tenham sido apresentados dentro do tauródromo, numa qualquer divisão anexa ao mesmo, até 'dou de barato', mas que à sua importância, lhe tenha sido retirada a sua posição internacional, isso acho demais e tenho a triste certeza, que ditará uma herança pesada na hora de considerarem os toureiros portugueses lá fora. O Campo Pequeno, tem e reforço, tem de ser a montra portuguesa, mas tem também, de entrar no circuito do intercâmbio de toureiros, para que se lhe confirma estatuto elevado e de relevância mundial. Vejamos França, vejamos o México… não esteve posta em causa a presença de toureiros estrangeiros… Como irão ficar os miúdos das escolas de toureio, que esperam uma oportunidade para actuar do lado de lá? Vão tê-la? Repare-se, falamos de uma profissão que em Portugal não é reconhecida. Isto nada tem que ver com o Luís Miguel Pombeiro e o seu bom desempenho no Campo Pequeno, tem sim e mais a ver, com escolhas que poderão vir a matar o futuro da nossa tauromaquia que se quer ou deveria querer redimensionar… 

Mais… olhemos para o Campo Pequeno actual e vejamos quem ocupa as barreiras dos mais 'galácticos' sectores, como o "1"... Lá andam espojados com uma câmara na mão, fingindo querer captar uma boa imagem para estampar sabe-se lá onde… este é o glamour do Campo Pequeno de agora...O que seria dos 'tendidos' de Las Ventas se nos lugares barreirais abaixo do Camarote Real, lá estivessem os câmaras? Cairia o prestigio por terra e por cá…? Tudo normal?

E os fotógrafos nas portas? Será isto segurança adequada? No Campo Pequeno ou qualquer outra praça… Os tempos mudaram e precisamos que não haja motivos para que se aponte o dedo aos organizadores de eventos tauromáquicos...

Quando se pede que se evitem ajuntamentos, quando se pede que se evite o cruzamento de pessoas, é isto o melhor que há a fazer com a imprensa? 

Os repórteres, são e serão por algum tempo os eternos coitados de uma festa empobrecida, mas até aqui, entendo os porquês. É como uma espécie de caridade por quem tem nível zero e a quem não se nega a comidinha… Não me incluo nessa falange, lamento...

O TouroeOuro, prima por manter o nível. Criticámos o Campo Pequeno e do primeiro para o segundo espectáculo, houve melhorias significativas. Somos forçados a criticar outra vez, agora outros palcos… Cuidado, muito cuidado com as lotações das praças sem cadeiras, onde os olhos são matreiros e se confundem lugares em branco, com a 'maralha' toda junta. 

Não ouso duvidar dos empresários de Alcochete e Barquinha. Sei e sinto, que terão querido fazer o melhor, mas não chega. As saídas foram desordenadas, a ocupação de lugares difícil de controlar e a visão geral e final, pode ter um efeito castrador para a tauromaquia. 

Não basta dizer que não se venderam mais de 50% dos ingressos, há que vigiar onde se sentam as pessoas. Há que investir nos arrumadores, nos fiscais de sectores. No término do espectáculo, terá de ser impedida a saída sem instrução para tal. É urgente que se tome as rédeas da situação, antes que o Covid venha dar razão ao TouroeOuro, quando disse que certos tauródromos não teriam condições para dar espectáculos… Queremos muito não ter razão, de verdade que queremos...

A Festa correria perigo se passássemos uma temporada em claro, mas mais perigo corre, com a elaboração de carteis pobres, com más organizações e com esquemas marginais como aquele em que esteve envolvido a corrida de Monforte… isto são os constantes 'descabellos' à tauromaquia.

Ainda podemos juntar mais ingredientes: criticas completamente mentirosas, falsas e à mercê do valor pago. Li por aí triunfos unitários que assim não foram. Li triunfos conjuntos, que assim não foram… Li estocadas brutais à corrida de Alcochete que imediatamente foram utilizadas pelos sites anti-taurinos… Cuidado com o que se paga e a quem paga, eles mentem por ausência de pagamento, eles falam a mentir, por pagamento… Tudo funciona numa imprensa pobre que se espoja nas barreiras do Campo Pequeno, tudo se inflama, quando se fica em cima dos curros da catita Praça de Touros de Alcochete… Orgulhos feridos, afinal, não somos só nós...

Vamos construir juntos, sem favores, com qualidade e seriedade ou corremos o risco desta temporada resultar mais penosa para a tauromaquia do que o próprio Covid.

A tauromaquia está infectada, mas pode salvar-se… Ligue-se o ventilador, com urgência e faça-se a limpeza da expectoração...

 

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