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Campo Pequeno - Esperava-se mais?

  • 2020-09-04 02:59
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se na passada noite de quinta-feira, no Campo Pequeno, a quarta corrida do abono lisboeta, com seis cavaleiros em cartel e dois grupos de forcados. 
Foram eles: Rui Salvador, Gilberto Filipe, Manuel Telles Bastos, Duarte Pinto, Ana Rita e Parreirita Cigano e os Grupos de Montemor e Alcochete.
Lidaram-se toiros da ganadaria de Veiga Teixeira, sendo que este foi o espectáculo no Campo Pequeno a registar menor afluência de público.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA
ASSIM ACOMPANHAMOS EM DIRECTO

Esperava-se mais público?
Esperava-se mais dos toiros de Veiga Teixeira? 
Esperava-se mais e melhor resultado artístico?

Pois bem, guardem-se as respostas de cada um e sigamos, para factos, que nisso, de discutir o que todos pareciamos saber, até somos bons...

Esperava-se mais público?
Houve no 'tempo Rui Bento', alguns cartéis de Agosto ao mesmo nível e isso nunca foi discutido e houve até, aqueles que surpreenderam em muito, ultrapassando as expectativas. Esta quinta-feira, poderia bem ter acontecido o mesmo, se em causa não estivesse o facto de estarmos já em Setembro, altura em que o regresso das férias marca e de que maneira a carteira dos portugueses. Este ano completamente atípico, pode também ter mudado o rumo desta história e a crise financeira que existe e é real, também.
Apostar na qualidade a todos os níveis poderia ter sido a solução? Bem, agora somos todos bons a traçar projecções e sabemos que sim, que talvez tivesse levado às bancadas do Campo Pequeno, mais gente... Esta foi a mais fraca entrada de público do 'tempo Pombeiro'.

Esperava-se mais dos toiros de Veiga Teixeira? 
Também. Estavam rematados dentro do tamanho que tinham mas a verdade é que alguns, exibiram um comportamento fora da linha habitual desta ganadaria. Falta de trapio não é problema nem tão-pouco foi uma realidade, apenas eram baixotes e tal... Falta de emoção e transmissão, isso sim, condicionou e gorou as expectativas de todos os que julgavam que iriam ali ver os 'terroríficos' toiros da prestigiada ganadaria...

Esperava-se mais e melhor resultado artístico?
Pois, confesso que aqui a resposta é inequívoca. Eu sabia ao que iria e nesse aspecto, as minhas expectativas não sairam frustradas, porque não as tinha elevadas. 
Não fossem as crónicas dos resistentes que ainda escrevem algumas coisitas e amanhã, não tinhamos nada na memória. Pormenores, talvez... 
A Festa precisa de competição, glamour, conhecimentos, arte, toiros dos bons e público e convém que se perceba, que sem estes últimos, não faz falta nada do resto, portanto, cative-se o público enquanto é tempo e em vez de se promover a crónica enganosa que apenas alegra o ego aos intervenientes, vamos a dar tudo e não apenas andar a cumprir o contrato...

Rui Salvador
Andou dentro do seu registo dos últimos tempos e dos seus conhecimentos, ninguem dúvida. Em curtos destacou-se na brega, ladeada e bonita, muito mais do que na ferragem. Ainda assim, teve um momento de bom nível, com um curto de grande execução, saindo a rematar a sorte.

Gilberto Filipe
Actuou em crescendo e sem que fosse uma lide toda dentro dos mesmos quilates, foi subindo o tom, elevando-se a partir da terceira bandarilha curta. Terminou com violino, sorte que agrada ao cônclave.

Manuel Telles Bastos
Não acompanhou o tom triunfal da sua primeira passagem pelo Campo Pequeno, esta temporada. Andou em tom morno e como dizia na giria, 'asseado', mas com a sua costumeira classe. Continuará a recordar-se a sua passagem anterior pelo Campo Pequeno e não esta.

Duarte Pinto
Tem dois curtos verdadeiramente bons, do mesmo naipe dos que havia deixado na corrida inaugural do abono. Entrou pelo toiro dentro, reuniu a preceito e cravou de alto a baixo. Tudo o resto foi feito em tom regular, sem brilhantismos. 

Ana Rita
Vem demasiado em 'onda rejoneo' e temos a sensação que pouco ou nada lida o toiro na verdadeira acepção da expressão. Contudo é brilhante a conectar com o público e no seu bem 'feito' tom espectacular. Andou bem a cravar, terminando com violino e dois palmitos, saindo em tom triunfal da arena lisboeta.

Parreirita Cigano
Quis receber cravando o primeiro em sorte de gaiola, sendo que o deixou passar por vir com pata... acabaria por cravar e bem, 'ao ressalto'.
Nos curtos duas fases: a das bandarilhas de execução apenas regular e a aquela em que cravou um soberbo curto, com imponente batida ao pitón contrário, deixando tudo e todos de 'boca aberta', tentou fazer o segundo, resultanto também um bom ferro, mas não já com a mesma espectacularidade.

Grupos de Forcados - Competição mas...
A mim sempre me disseram que a competição e rivalidade entre grupos de forcados se media pela ida à arena dos seus cabos e a verdade, é que de nenhum dos dois em praça, chegaram notícias de lesões ou algo que os impedisse de pegar, ainda assim, não vem mal ao mundo e lá pegaram outros, dos bons (também).

Grupo de Forcados Amadores de Montemor
Vasco Ponce e Francisco Bissaia Barreto efectivaram pegas ao primeiro intento, sendo que Francisco Borges, consumou pega à quarta tentativa.

Grupo de Forcados Amadores de Alcochete
Vítor Marques consumou ao segundo intento, tal como Manuel Pinto, muitissimo ovacionado nas duas entradas ao toiro, esteve brilhante. João Belmonte concretizou pega do último toiro da corrida, ao primeiro intento.

O espectáculo foi dirigido com correcção por Lara Gregório de Oliveira, coadjuvada pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva.

Notas finais
Entendo mas o que é demais, é isso mesmo, exagero... 
Começa a ser desagradável que se repita tantas e tantas vezes no Campo Pequeno, as instruções de entrada, de permanência e de saída... O Campo Pequeno tem que viver de outro élan e não se deixar contagiar em tudo com a nova normalidade. Dosear é o certo para que nunca se perca o estatuto e prestígio e não se peçam aplausos para campinos, como sempre se pediu silencio na Nazaré, na altura das pegas...

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