Este site utiliza cookies para lhe oferecer uma melhor experiência de navegação enquanto utilizador. A desactivação desta funcionalidade poderá impedir este site de funcionar correctamente. Ao continuar a visitar o nosso site, está a aceitar esta utilização de cookies.     [Aceitar e Fechar]
  • geral@touroeouro.com

Montijo - O sentimento perdoa tudo...

  • 2021-09-04 02:26
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se na noite de sexta-feira, no Montijo, uma corrida de touros com cartel composto pelos cavaleiros Luís Rouxinol, Pablo Hermoso de Mendoza e Gilberto Filipe, bem como pelos Grupos de Forcados Amadores da Moita, Tertúlia Tauromáquica do Montijo e Amadores do Montijo.
A Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos registou enchente, dentro das limitações em tempos de Covid.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA
ASSIM ACOMPANHAMOS EM DIRECTO

Há 'coisas' que o sentimento perdoa...

A corrida, adiada e adiada, realizada na sexta-feira, 3 de Setembro no Montijo, por fim realizou-se.
Um casão à antiga, ou seja, nada de novo nesta matéria, ou não toureasse o Figurão do Toureio, Pablo Hermoso de Mendoza. Bem, mas não será injusto da nossa parte, atribuir ao 'casão' apenas a força de Pablo? Claro que é. Rouxinol e Gilberto Filipe, estavam em casa e a verdade, é que uns ajudam outros e a Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos, registou bonita moldura humana.

Se sairam todos satisfeitos? Creio que não e muito, mas mesmo muito por culpa do curro de toiros de Rosa Rodrigues.

Toiros homogénios no que a apresentação acatitada concerne, mas infelizmente, muito homogénios também em comportamento. Condenam-se os piores, o quarto lidado por Rouxinol e felicitam-se os melhores, o lidado por Gilberto Filipe e que era o primeiro do seu lote, contudo, piores e melhores, mas todos semelhantes em escassez de transmissão e na capacidade de 'marrar'.
Desculpem-me o termo 'marrar', pouco elegante é certo.

O tema é delicado, mas tem que ser abordado, doa a quem doer. Estes toiros, dão uma tremenda sensação de facilidade e mais fazem lembrar os toiros à corda ou telecomandados e não há pior para quem está na bancada, do que ter a quase certeza, de que os heróis da arena, afinal eram imitáveis por qualquer um de nós.

Faltam toiros e faltaram toiros a 'sério'!

Depois do que não é politicamente correcto, volto ao tom cordeal, para dizer, que o sentimento perdoa tudo e a capacidade que teve o Director, Ricardo Dias, de atribuir volta à arena a Ricardo Figueiredo, é algo que deve ser gritado aos sete ventos. Bem o Director a fazer justiça não a uma pega à quinta tentativa, mas a quase duas mãos cheias de anos como cabo da formação Montijense.

Despediu-se Ricardo Figueiredo.
O sentimento perdoa isto, perdoa tudo e foi muito bonita a festa de despedida e o passeio a ombros do cabo, ora antigo, aos ombros do seu grupo de Amadores de Montijo.

Ironia do destino, o novo cabo, João Pedro Suiças, não pôde pegar, por lesão do último toiro da noite. Triste facto, de quem ninguém tem culpa.

Seguimos nas pegas e à simpática noite protagonizada pelos Amadores da Moita.
Duas pegas ao primeiro intento, consumadas por João César e Fábio Silva.

Pelos Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo... tentou a primeira pega, o forcado Alexandre Cardoso, entretanto dobrado por um colega da sua formação, pegando ao seu segundo intento e, Luís Carrilho, à primeira tentativa.

Regressamos aos 'cabeças-de-cartaz' para dizer que houve duas 'actuações da noite'.
A primeira de Gilberto Filipe e a segunda de Rouxinol e por motivos distintos.

Gilberto Filipe lidou o seu primeiro de muito boa forma, mas foi sobretudo, nos ferros curtos deixados, que fez a diferença. Ligeirinho, entrada ao piton contrário, reunião correctíssima e de alto a baixo... Levantou o público e saiu da arena com ambiente.
O seu segundo lesionou-se depois de três bandarilhas, fazendo com que se abortasse a sua actuação.

Luís Rouxinol, destacou-se na lide do segundo, por ser um mansarrão sem recurso. Ou melhor, com recurso chamado 'Rouxinol'. Desde o primeiro momento que o toiro quis fugir para tabuas e claro está, Rouxinol não deixou, insistindo, insistindo e conseguindo construir 'faena'... O Douro andou em plano de figura e imagine-se, terminou com um bom par de bandarilhas.
Frente ao primeiro, que também não era uma pérola, andou correcto até chegar ao último curto, visivelmente a mais para aquilo que o oponente já aguentava... Um toque na montada e muitas passagens em falso a comprovar o que atrás descrevemos.

Pablo Hermoso de Mendoza esteve no cartel, como de resto, costuma estar a virtude, ou seja, no meio, como sempre gostou...
O toureiro de Navarra, como dissemos lá atrás, figura do toureio que dispensa apresentações e cujo palmarés é invejável, trouxe consigo as também figuras já por nós conhecidas de outros tantos anos... Disparate e Berlín deram as caras na primeira e segunda actuações, respectivamente e fizeram as delícias dos que gostam de ver a versetalidade destas montadas de luxo.
O primeiro toiro permitiu algo mais, com as Hermosinas e na segunda, não foi Berlín o que mais excitaria a bancada, mas sim o Ìndico, aquele que com as suas piruetas a rematar as sortes, mais 'impactou'.

Repito, havendo escassez de toiro, todo e qualquer labor sai diminuído, pese embora não se duvide da qualidade das obras de arte possíveis e da qualidade dos artistas que as interpretam... ou interpretariam... o sentimento pelos três toureiros em cartel, perdoou muita coisa, mas não apagou a falta do Rei da Festa, naquela que deveria ser a sua principal função.

O espectáculo foi dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Ricardo Dias, assessorado pelo médico veterinário, Carlos Santos.

google.com, pub-5416276538842499, DIRECT, f08c47fec0942fa0