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Campo Pequeno - Homenagem a Vítor Mendes e a saudade dos tempos de glória

  • 2021-09-10 01:41
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se no Campo Pequeno, a primeira de duas corridas que integram a ‘Feira Taurina’ de Lisboa e que em simultâneo, serviu de Homenagem a Vítor Mendes.
Em praça estiveram os diestros Román (que substitui Juan Serrano ‘Finito de Córdoba), José Garrido, Manuel Dias Gomes e Juanito.
Lidaram-se toiros de Nuñez de Tarifa e Voltalegre, sendo esta a lotação menos conseguida do que se leva de temporada nesta praça.
CRÓNICA DA CORRIDA
GALERIA FOTOGRÁFICA
ASSIM ACOMPANHAMOS EM DIRECTO

Homenagear a tragectória de Vítor Mendes não era, nem nunca será tarefa fácil.
A sua carreira foi ímpar, inigualável e os seus feitos, talvez inimagináveis para uma geração actual, que nem sequer desconfia, que um matador de toiros português, possa ter desfilado em pelo menos 16 temporadas seguidas, por entre os lugares cimeiros do escalafón espanhol, tendo derramado o seu valor, nas mais importantes Feiras Taurinas do mundo e passado pelas mais emblemáticas praças de toiros de toda a geografia taurina.

O cartel ideal para o feito pretendido, jamais se conseguiria fazer e por isso, valia a pena ir ao tributo, fossem quem fossem os artistas anunciados. Valia a pena, uma lotação cheia, a abarrotar, para ovacionar de forma muito audível, o matador de toiros que mais 'alto' chegou na história da tauromaquia falada em português.

Vítor Valentim Mendes, recebeu a distinção, das mãos de Luís Miguel Pombeiro, o público reagiu... o que lá esteve, mas faltaram muitos.

O público, o tal que paga o bilhete e tem que se sentir aliciado... Mas esse público, nem sequer tem culpa, que se tenha desabituado de ir às corridas a pé. A travessia no deserto foi 'larga'...

Com aqueles que souberam exactamente quem foi Vítor Mendes, fica o reconhecimento, a gratidão, mas sobretudo... a saudade dos tempos de glória!

Esta foi a mais fraca lotação do que se leva de 'Campo Pequeno' nesta temporada. Ainda assim e tendo em conta que nenhum dos toureiros 'se promove' e que a corrida, foi apresentada 'lá longe...', uns meses antes, a coisa não ficou assim tão mal composta.

Anunciava-se Juan Serrano 'Finito de Córdoba', que afinal não foi e quem foi? Román Collado, um toureiro pouco conhecido da afición lusa, mas que, sabemos, dá a cara onde vai e hoje, não foi diferente...

Assim sendo, oito actuações, oito!
Vamos por partes e resumir, aquilo que é fácil resumir. Uma boa actuação para os quatro toureiros, naquilo a que se poderia chamar um empate técnico.

Román Collado, andou muito digno frente ao primeiro do seu lote, mas foi no segundo que mostrou realmente de que massa é feito. Toureiro que pese embora não lidere em número de actuações, tem sítio e mesmo sendo a sua estreia em Portugal, entendeu bem a 'mecânica' da coisa. A segunda função, sobretudo de muleta, foi de grande nota artística, destacando-se as duas primeiras séries, de muita profundidade. A rês veio a menos gradualmente, mas Román, nunca se desfez de uma faena de muitos quilates.

José Garrido esteve em plano agradável nas suas duas passagens pela arena lisboeta. A destacar com mais força, a primeira actuação, mas ressalve-se, que as duas foram consistentes. Solvência em ambas pelos dois lados, em séries largas com total domínio por parte do toureiro.

Manuel Dias Gomes não foi bafejado pela sorte no que ao primeiro toiro do seu lote concerne. Contudo, andou bem, brilhando sobretudo em capote, lanceando à veronica de boa forma.
No seu segundo e depois também de se destacar em capote, seguiu para uma faena de grande nível artístico, brindada ao antigo matador de toiros, José Trincheira, ali presente.
Bem Gomes por derechazos e naturais, com uma faena completa e de porte a recordar como uma feliz passagem pelo Campo Pequeno.

João Silva 'El Juanito' foi volteado aquando de um quite no primeiro toiro do lote de Manuel Dias Gomes. Não houve consequências a registar.
Frente ao seu primeiro, deu nas vistas com o seu 'saludo capotero', mas na muleta, enfrentou-se com o pior dos oito toiros da corrida, não tendo mais remédio, que abreviar.
No segundo, aí sim, deixou constância do toureiro 'fino' que leva dentro e desenhou uma faena de beleza estética. Se pelo lado direito esteve bem, com toureio em redondo, há que dizer, que a muleta na mão esquerda lhe 'cai' de maravilha, 'deixando' ali bonitos naturais.
Diversidade de passes e até alguma capacidade de improviso, numa noite que também foi sua.

Saudaram 'montera en mano', os toureiros de prata Filipe Gravito e João Ferreira, havendo ainda bons pares de Cláudio Miguel.
De salientar é também a enorme voltareta de um dos subalternos de Juanito, aquando da sua saída da reunião de um par de bandarilhas, seguindo o toureiro para a enfermaria.

Os toiros de Nuñez de Tarifa e Voltalegre, na generalidade cumpriram em apresentação, sendo que também o fizeram em comportamento, à excepção do quarto da ordem, da ganadaria de Voltalegre, sendo um exemplar sem recursos alguns.

O espectáculo foi dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Ricardo Dias, assessorado pelo médico veterinário, Jorge Moreira da Silva.

Nota: Cumpriu-se um minuto de silêncio em memória de António Garçoa e João Aranha.

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