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Campo Pequeno foi o Rei maior de uma noite para a História

  • 2022-09-09 03:09
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se esta noite de quinta-feira, 9 de Setembro, no Campo Pequeno, a quarta e última corrida do Campo Pequeno, ‘Corrida Real’, com elenco formado por António Ribeiro Telles, João Moura Caetano, Marcos Bastinhas, Duarte Pinto, Miguel Moura e Francisco Núncio (que confirmou alternativa), com pegas a cargo dos Amadores de Vila Franca de Xira e Azambuja.
Lidou-se um curro de toiros de António Charrua, com a praça de touros da capital a registar uma lotação que esteve entre os dois terços fortes e os três quartos.
CRÓNICA DA CORRIDA
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Não há despedidas perfeitas, ou até há…

A derradeira corrida do abono lisboeta e espera-se que mesmo só isso, foi aquilo a que se pode chamar, a despedida perfeita do Campo Pequeno. Do rei, Campo Pequeno. Reis das praças lusas e uma das mais emblemáticas do mundo.

Quando a isto se junta a colaboração dos touros, a disposição dos toureiros e cooperação dos forcados, então temos também aquilo a que se pode chamar ‘O triunfo da Festa’.

A todos quantos subestimaram o elenco pouco original e não foram, apenas se pode dizer, que perderam uma grande corrida, uma festa bonita e uma noite importante.

Com simpatia, pensa-se que a lotação terá ficado em três quartos preenchida. Mas impunha-se o ESGOTADO.

A Corrida Real, com presença de Dona Isabel de Herédia, a quem uns oportunamente brindaram, aconteceu num dia triste para o mundo em geral. O dia da morte de Isabel II, Rainha de Inglaterra, mas mais que isso, um símbolo de unidade, um ícone…

Nem de propósito…

Um minuto de silêncio foi ‘escutado’ em memória dos homenageados falecidos, bem como da Rainha. A Monarquia perdeu tanto…

Houve por ali outros reis. Por muito contestada que fosse a volta ao ganadeiro, depois de lidado o segundo da ordem, a verdade é que o presidente da corrida assim o entendeu. Discutível sim, mas não chocante ao ponto de motivar assobios e insultos por parte de alguma assistência ao director, acabando por importunar a volta merecida de António Telles.

Os toiros de Charrua, escassos de força na generalidade, ajudaram em muito ao decorrer do espectáculo. Mobilidade, alegria e voluntarismo na investida, marcaram o curro.

Dos toureiros, o melhor a dizer. TODOS com vontade, a competir, a sentir o Campo Pequeno. Estavam a actuar tendo como palco, o REI.

Goste-se mais deste ou daquele estilo, a verdade é que o triunfo foi conjunto, grande, sonoro, importante para todos.

Abriu a função o jovem Francisco Núncio. Honra seja feita. Esteve bem mas bem, a tourear feliz, com um sorriso, com poderio e com gosto. Feliz actuação na noite de confirmação de alternativa e o início de uma noite para a História.

António Telles esteve enorme. Recebeu à porta gaiola e bem. Cravou um segundo comprido magistral e que lhe valeu música logo em seguida e nos curtos, um Senhor.

Bem nas reuniões, nas abordagens, em tudo.

João Moura Caetano está um portento de toureiro. O dia chega, o momento chega e o de Caetano é agora mais que nunca. O dueto por si formado com o cavalo Campo Pequeno, é uma sinfonia de bom toureio. Do caro, do repousado, do silencioso, do templado e do estético. Hermosinas, remates a duas pistas, tudo e tudo e até uma ‘espera’ à porta gaiola, com um brutal início de faena, muito em curto… Noite que quererá recordar por muito tempo, pese embora o escorregão da sua montada, com queda incluída, sem consequências para cavalo e cavaleiro.

Marcos Bastinhas conseguiu desdobrar-se em dois toureiros num só. Cinco montadas depois, construiu uma grande actuação com duas fases distintas. Bem nos compridos a dar vantagens aos toiros, bem nos iniciais curtos, com batidas ao piton contrário. Depois incorporou mais que nunca a marca ‘Bastinhas’, partindo para um toureio de movimento, culminado com um palmito e um par de bandarilhas.

Desmontou-se, galvanizou-se e fez a ‘corpo limpo e a pé’, um recorte em jeito de desplante, que terminou de rebentar com o ‘quadro’.

Duarte Pinto derrama classicismo por todos os poros. Bem em toda a sua actuação, com reuniões concisas e em pleno na sua ‘verticalidade’ no toureio.  

Por último, Miguel Moura, inaugurando a função com a sua marca. Um primeiro comprido em sorte de gaiola. Depois e nos curtos, ferros com batidas ao piton contrário, mas, o destaque maior, chegaria depois, com ladeios de uma beleza inigualável, com o timbre Mourista patente. Terminou com dois palmitos e remates de rara beleza.

As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e Azambuja.

Para a cara dos toiros, com jaqueta dos Amadores de Vila Franca, estiveram, Vasco Pereira (cabo da formação), efectivando ao terceiro intento; Rafael Plácido, ao segundo e; Guilherme Dotti, ao primeiro.

Na linha da frente, pelos Amadores de Azambuja, foram Rúben Branco, à primeira tentativa; João Branco, à segunda e; João Gonçalves, à primeira tentativa.

Seguindo a linha que caracterizou o empresário Luís Miguel Pombeiro, ‘o Campo Pequeno’ homenageou diversas personalidades. Recolhendo a ovação do público na arena, estiveram o Eng. Luís Rocha, João Ramalho e José Pereira. A título póstumo, prestou-se também tributo aos ilustres José Zúquete, Vasco Taborda e Rui Casqueiro, com os seus familiares na arena.

O espectáculo contou com direcção do Delegado Técnico Tauromáquico Fábio Costa, com assessoria veterinária de Jorge Moreira da Silva e foi no Rei Campo Pequeno.

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