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Editorial de Janeiro - A maçã com bicho!

Editorial de Janeiro - A maçã com bicho!

  •  2022-01-11
  • Por: Solange Pinto

Há qualquer coisa aqui no burgo, que não está bem… Essa ‘qualquer coisa’, simples de ver, é afinal de contas, uma paz podre entre os empresários…

Parece haver petróleo pelos lados do Montijo e Figueira da Foz, mas pior que os valores inflacionados, são mesmo as conclusões que de tudo isto se podem retirar.

A primeira de todas elas, é que afinal, se os valores em jeito de ‘base de licitação’ atraem empresários, a tauromaquia é um negócio muito mais rentável do que os empresários defendem ser… No entanto e em contas rápidas de fazer, percebe-se que com a escassez de patrocínios na tauromaquia, tudo o que gera dinheiro, é única e exclusivamente a bilheteira e essa, fabrica tanto dinheiro assim, a ponto de tornar tudo isto um negócio rentável?

Ou afinal de contas este negócio é para alguns dos eventuais interessados um eficaz mas discreto “detergente”?

Também pode ser e numa segunda análise mais “idiota”, apenas e só uma forma de certos agentes se afirmarem neste mundo, por ser o único que lhes deu “cova” de forma a existirem socialmente.

Mais conclusões de tudo isto.

Para que existe a APET? Não era suposto haver uma concertação entre os seus associados?

Não era suposto, que afinassem todos, pelas mesmas estratégias de forma a defender um bem maior?

É que noutras matérias, já percebemos que os jogos paralelos e as acções individuais são as que imperam.

E a haver interessados (que sabemos que os há…) em gerir nestes moldes as praças da Figueira e Montijo, quem serão os prejudicados no futuro? Toureiros, ganadeiros e claro está, todas as restantes peças incluídas na promoção de um espectáculo.

Mas calma. Há mais prejudicados. Em abstracto, ou não, os aficionados acabarão também e de forma muito discreta, por pagar caro a factura… Os bilhetes subirão, a qualidade descerá ou pelo menos, resultará viciada (disto falaremos muito em breve).

E a Covid-19 e suas condicionantes? Já passou? É que até aqui pediram-se descontinhos aos diversos intervenientes dos espectáculos.

Feitas as contas, no Montijo, a renda do imóvel afecta a cada espectáculo ronda os 10.000 euros.

Na Figueira, aproximadamente o mesmo valor.

As perguntas que se impõem são: a quem interessam estes valores? Os concursos da Figueira e Montijo já foram elaborados desta forma para que se afastassem outros interessados e se favorecessem alguns…? Quem vai perder no futuro?

Enfim, arriscaria em dizer que perdem todos, numa tauromaquia que se pode bem comparar a uma maçã com bicho e apenas duas soluções: ou se corta a parte do bicho e área circundante e se aproveita a maçã sã, ou a maçã apodrecerá na sua totalidade e rapidamente.


Editorial Dezembro - Feliz Natal...

Editorial Dezembro - Feliz Natal...

  •  2021-12-24
  • Por: Solange Pinto

O TouroeOuro não faz aquela que é a única paragem do ano!
São pouco mais que 24 horas de inércia, em que nada se escreve, nada se opina, mas em que todos os desejos se renovam, numa comemoração absoluta do Nascimento de Jesus...

A passada semana, terá ficado marcada pelas acções solidárias, pela capacidade de olhar para o "outro" de forma altruísta ainda que e infelizmente, isso aconteça em muitos casos, apenas uma vez ao ano.

A Tauromaquia existe nas quatro estações do ano, nos diferentes cantos do mundo onde ainda é uma realidade e nós, cá vamos dando eco disso mesmo, numa globalidade de acções e sentimentos que se pretende Universal, o sentimento e afición a uma Festa Brava, venha ela de onde vier, com a sua multiplicidade de idiomas, tradições e nuances.

O que também é universal, embora a palavra seja tão portuguesa, é a saudade dos que partiram. Desde há dois anos, a viver o flagelo da pandemia por Covid-19, muitos são os que partiram precocemente.
Deveriam cá estar, isso é uma certeza!

O que peço, pedimos aqui no TouroeOuro, são desejos simples e ao alcance de todos nós: que nunca nos falte a verdade, que nunca ninguém nos silencie e que tenhamos todos, a capacidade de entender o "outro" e de argumentar e validar distintas opiniões sobre uma mesma temática.

No dia em que chegarem os Reis Magos, anseia-se que tragam na bagagem: amor, paz e sobretudo, muita saúde.

Hoje, que a Festa se faça não a uma mesa recheada de alimentos, mas com o necessário, o que realmente é estritamente necessário e que a verdadeira Festa, aconteça, dentro de cada um de nós.

Feliz Natal para todos, sem excepção!


Editorial - Novembro - Já nada será igual!

Editorial - Novembro - Já nada será igual!

  •  2021-11-11
  • Por: Solange Pinto

Pese embora o meu desejo de que todos os editoriais sejam publicados ao dia 10 de cada mês, a verdade é que, por uma boa evocação, adiei este escrito precisamente para hoje, dia de São Martinho...

Tradicionalmente, nesta altura do ano, o TouroeOuro está já "preocupado" em dar à estampa, artigos de opinião, comentando a temporada ora terminada... Uma espécie de balanços das mais diversas áreas da tauromaquia, não se esquivando (jamais...), a dissertar sobre quem se destacou positivamente ou até mesmo, se caso disso for, quem desampontou...

Estão a caminho, aguardem!

A opinião, continua, no mundo dos touros, a ser mal vista e bem paga (bem, vejamos... troquitos). Bem sei que esta afirmação é politicamente incorrecta, mas sabemos todos que é mais que verdadeira. Diz-me quanto pagas e logo se vê o tamanho do teu triunfo. Triunfas à força e isso, mesmo que não mude a tua carreira, eleva-te o ego, tantas e tantas vezes empobrecido de valor ou competência.

Se não se entra no "esquema", podemos tão-só dar-nos mal e aí, começa a verdadeira "tourada".
Hoje em dia, na tauromaquia, criticar, pode mesmo ser tarefa para afoitos e para todos aqueles que queiram ir a uma corrida de touros, com o "coração nas mãos", mas, com a emoção à flor da pele. Afinal de contas, em muitos dos espectáculos, parece ser esta a única sensação forte...

A tauromaquia, vive e é preciso encarar isto, num gueto, do qual ninguém quer sair.

Vamos à corrida à Varzea de Cima e todos, mas mesmo todos triunfaram gloriosamente. Esta é a melhor critica e aquela, que vale o passaporte para a Festa de fim de temporada, a tal, onde se pode levar o troféu para casa e APARECER nas fotos de um jet set completamente bacoco.

De quando em vez, aparecem loiras jeitosas com fotogenia evidente e que, se autoconvecem que "nisto", até é fácil brilhar. Segredo: barreiras duas temporadas seguidas e passaporte para o tal mundo rosa, de uma 'prensa del corazón' vista por uma meia dúzia de pessoas.

De tudo isto vive a actual Golegã, longe do glamour de outros tempos... Das dinásticas presenças, das famílias ilustres, das coudelarias afamadas e das roupas adequadamente finas...

Longe vão os tempos, em que o cheiro a castanha assada se misturava com um abafado. Hoje é a económica imperial a rainha de tudo isto e para os mais chiques, o gin da moda.

Trocaram-se os entendidos em cavalos, para os reis da "feria", os beberolas da night...!

Os convívios à volta da casa da e na Golegã, onde sempre entrou mais um, dá agora lugar ao jantar no restaurante improvisado na tenda mais badalada, eventualmente e com sorte, ao som de uma flamencada...

A foto para publicação nos sites de fotogalerias, parece ser a grande motivação das maquilhagens elaboradas e dos chapéus que ainda trazem o cheirito a mofo fruto de um ano fechados nos armários!

Por ocasião da Feira Nacional do Cavalo, impossível esquecer, que já nada é como era e que já nem o meu amigo João Cortesão por lá passeia... As suas amigas freiras, onde tradicionalmente se instalava, sentirão a sua falta e comungarão de certeza do mesmo sentimento que eu... já nada será igual!

 


Editorial - Outubro - A bolha prestes a rebentar!

Editorial - Outubro - A bolha prestes a rebentar!

  •  2021-10-17
  • Por: Solange Pinto

A temporada vive as suas derradeiras jornadas e o defeso aproxima-se irremediavelmente…

A paragem para que a criação de toiros tenha a sua continuidade, é necessária, mas mais ainda, é premente que neste defeso, se façam reflexões importantes para a continuidade da espécie, mas sobretudo, para a continuidade do “objecto” que dá mote à existência do bravo, ou seja, os espectáculos taurinos nas suas mais amplas vertentes…

Nos últimos dias, voltou-se a levantar um novo obstáculo.
A alteração da idade mínima dos espectadores, agora insuflada para os 16 anos, é e não vale a pena repetir o mesmo de outros escritos de outros autores, uma falsa questão. Ou melhor, não é questão de fundo… são pequenotas pedras nos sapatos de todos nós, apenas e só para que nos distraiamos do que é realmente urgente.
Repensar se, as pedras nos sapatos são mais importantes que o facto dos ditos sapatos estarem literalmente rotos.

A metáfora serve apenas para dizer, que a tauromaquia está envolta num ‘tapa buracos’ constante, nunca se pensando, que afinal de contas, tudo o que precisamos é mesmo de uns sapatos novos.

A questão da idade aborrece a nível moral, mas não terá efeitos práticos numa Festa Brava, onde as machadadas no orgulho, foram tão maiores.

Ai e tal ganhámos o processo de Viana do Castelo. E a Póvoa…?!
E tantas outras que levam o mesmo caminho...

Mas as praças estão lá, firmes e hirtas à espera das decisões judiciais? Claro que não estão e isso sim, é preocupante.

E agora, preocupamo-nos com questões etárias, quando há outras tão maiores que já não têm resolução e outras, mais agigantadas ainda, que estão evidentemente na calha?

Já pensaram que esta da idade mínima é apenas a menor, de uma outra que está “cozinhada” e que nos pode “colocar nos olhos” um velcro?

Vamos lá deixar de branquear aquilo que nos pode verdadeiramente “matar” e dar valor e trabalhar no que urge que não seja ignorado.

Soluções? Há.
Uma das mais importantes, é tentar perceber o que falhou em palcos de visibilidade importantes e tratar de corrigir erros, de forma a que, “os de fora” não pensem que a tauromaquia está obsoleta.

Vamos lá trazer novidades às arenas, motivos de interesse e concertação na montagem de espetáculos e respectivos elencos.

Temos todos que sentir, que não toureiam só os que têm apoderados com praças, que não toureiam sempre os mesmos, num enjoo inevitável, em lides sem novidades, com os mesmos “números”, sempre guardados para os últimos toiros e achar que está tudo bem assim e que o público sente o apelo de ir ver sempre o mesmo. E a pagar “bem” por uma coisa que até já tinha visto "ontem"!

As praças têm que estar limpas, bonitas, sem pó, em espectáculos com ritmo.

Os cartéis têm de incluir competição e aliciantes. Novidades, “peleas”…

Os toiros, têm que ser toiros. Não nos podem dar a sensação de facilidade e total ausência de perigo.

A crítica tem que existir, sem ser comprada. Tem que poder contar o que foi bom, o que correu menos bem e não ter medo de andar na rua com medo de uns e outros.

Os órgãos de comunicação, têm de o ser, literalmente e cumprir aquilo a que estão obrigados.

Está na hora de respeitar e para que se seja respeitado, não inventar uma dúzia de triunfadores, quando na verdade houve sim e apenas, destaques importantes por entre um marasmo inequívoco.

É preciso mais classe. Marketing inovador.

É necessário profissionalismo e sair definitivamente de uma bolha que estás prestes a rebentar.

Talvez ainda haja tempo, mas…


Editorial - Setembro - - Se isto não é o lado romântico da Festa, então o que é...?

Editorial - Setembro - - Se isto não é o lado romântico da Festa, então o que é...?

  •  2021-09-13
  • Por: Solange Pinto

Num momento em que procuramos valores na tauromaquia, capazes de suportar afrontas diversas, por parte de anti-taurinos e mesmo, de alguns taurinos, concentremo-nos, num “bocadinho” de romantismo que ainda resiste…

Já lá iremos…

A Tauromaquia em Portugal, está definitivamente absorvida pelo toureio a cavalo e pelos rapazes das jaquetas de ramagens e nisso, não vem mal ao mundo. Ninguém tem que estar contra ninguém e podemos gostar e beber das duas artes, toureio a cavalo e a pé.

Contudo, nota-se e não digam que não, um certo sectarismo e divisão de tauromaquias e uns, parecem não estar com os outros, quando importante seria, complementarem-se.

Gosto de ser justa e por isso, terei de enaltecer a coragem de Luís Miguel Pombeiro ao promover uma corrida de oito toiros, todinha a pé. O cartel, mesmo com Finito de Córdoba (na sua formula original), era meio esquisitito, mas, a verdade é que o empresário, deu o passo em frente na promoção desta arte.

Mas, também é importante dizê-lo. Se fazemos algo, temos de fazer para ganhar. Não vale o ‘mais ou menos’, ou o ‘aquilo serve’, pois podemos arriscar a ter nas bancadas meia dúzia de pessoas e aí sim, colocar em causa uma série de outras coisas em causa…

Para que vale promover o toureio a pé, se não lhe dermos força?

Pois bem, percebemos todos que a não vinda de Finito à Tenta que serviu de apresentação do dito cartel lisboeta, não era bom presságio. A substituição por Román, pese embora o seu valor, não era equiparada em termos de ‘cartel’ e por isso, o Campo Pequeno ressentiu-se.

Voltemos ao toureio a pé e no importante e urgente que é apoiá-lo.

Hoje no Sobral, terça e quarta na Moita, depois Vila Franca.

Temos todos de ir aos toiros e alimentar a esperança, de que daqui a uns anos, não tenhamos apenas folclore do barato e tenhamos toureio do ‘caro’, do ‘fino’ e personagens capazes de alimentar com romantismo, tudo isto que agora tem demasiada escassez de tantos valores importantes.

Em Lisboa, na passada quinta-feira, estava José Trincheira. Mas estava também, um Homem que me fez cair a lágrima, o que acreditem, já não é fácil.

Manuel Jacinto, foi empresário, mas foi principalmente, toureiro de prata. Foi toureiro. Ponto!

Este Homem, andou de lado para lado, chamando a atenção de todos para que estava ali, na bancada, José Trincheira e que merecia um brinde da parte de algum dos matadores.

Passado algum tempo e tentativas, veio ter connosco para avisar que o brinde iria acontecer por parte de Dias Gomes e que captássemos o momento.

Entendem o que quero dizer? Manuel Jacinto, correu ‘seca e meca’ para dar protagonismo a outro toureiro. Não pediu nada para si ou para a sua vaidade pessoal. Se isto não é o lado romântico da Festa e o lado que quero ver dos Grandes Homens, então o que é?


Editorial - Agosto - A laranja inteira e a meia laranja!

Editorial - Agosto - A laranja inteira e a meia laranja!

  •  2021-08-10
  • Por: Solange Pinto

O mês de Agosto é e como todos os aficionados já sabem, um, se não mesmo, o mês mais taurino do ano.
Nunca este conceito foi tão verdadeiro, sobretudo, porque este Agosto, herdou espectáculos vindos de meses passados, ao tempo adiados, devido às restrições e imposições pandémicas.

Ficamos todos contentes, é certo, por termos a hipótese de retomar a actividade e voltar a abrir praças, que este ano ainda não tinham albergado espectáculos e algumas até, que no passado ano, nunca chegaram a anunciar o que quer que seja. No entanto, aconselha-se prudência...

Com a redução das lotações, para 50% ou menos, o que se tem vindo a verficar, é a repetição excessiva dos elencos e ausência, na grande maioria dos cartéis, do factor novidade.

Houve regozijo e eu própria o relatei em crónica, pelo facto do Campo Pequeno ter registado um ambiente à antiga, mas, também o terei de dizer, que face ao "perigo de morte" que páira sobre as suas torres, a verdade é que não esgotou, quando era exactamente isso e não menos, o que se impunha.

O cartel tinha os seus atractivos, mas os sucessivos adiamentos não ajudaram, bem como um fait diver desnecessário pelo mundo cibernauta. Contudo e ainda assim, falamos de uma mísera metade de laranja, quando se diz à boca cheia por aí, que a laranja pode apodrecer a qualquer momento...

Afinal em que ficamos? Será que o público aguentará uma temporada baseada em intensidade no mês de Agosto?

Será que o público está a ver interesse ou falta dele nos cartéis?

E Alcochete? Esgotou? Ou nem por isso? Estranho que a data forte desta praça, com o seu célebre concurso de ganadarias, não tenha colocado o cartaz de 'no hay billetes' numa praça minúscula.

Estará o público fartinho de por ali ver o mesmo toureiro, por três vezes só nesta temporada? 

Bem sabemos que os cartéis estão reféns dos apoderados que gerem praças e vice-versa, mas... qualquer dia, em vez da laranja, o público, o pagante, o que verdadeiramente alimenta tudo isto, apenas come uma clementina e fica satisfeito e até enjoado. Quero com isto dizer, que o pessoal que mete a cabeça na bilheteira, é tudo menos parvo.

Está na altura, de dosearmos a vinda dos espanhóis a Portugal. Queremo-los, mas não em vindas repetidas e a qualquer preço. Adoramos que venham. E sim, podem fazer campanha, desde que isso, traga algum benefício à nossa tauromaquia. 

Se um matador vem e se se concluir que tem interesse que venha, então que venha e leve "à boleia" um dos nossos matadores, para que se deixem ver...

Cuidado com os que querem mandar nisto. Cuidado com a forma como conduzem a Festa. Cuidado com a forma como se difunde a tauromaquia. 

A bolha em forma de laranja, está cada vez mais pequenina. As empresas continuam a pular as regras no que concerne à imprensa. Continuam também aqui a cometer erros básicos de querer calar a boca a uns, "aceitando" apenas os que não têm opinião.

Que se cuidem, aproveitem o Agosto e vão aos toiros. Apesar de tudo, continuo a acreditar que quando cairem as laranjas podres, novas nascerão e com gomos mais docinhos. 


Editorial - Julho - Até os papagaios se cansam

Editorial - Julho - Até os papagaios se cansam

  •  2021-07-11
  • Por: Solange Pinto

Vivemos uma temporada todavia pior que a anterior. Mas é importante pensar e repensar estratégias.

O disco, o meu, e o de mais um ou dois colegas, parece estar riscado, o que faz de nós papagaios, a quem se acha piada, mete-se na gaiola e espera-se que se calem…

Pois é, mas a repetição das ‘maleitas’ da tauromaquia, é importante.

As críticas deverão ser aproveitadas positivamente e não ser encaradas como ‘mais do mesmo’ e ‘deixem que falem’.

Urge aliás, perceber onde tudo isto vai parar.

Já o disseram outros e eu, corroboro. Cartéis repetitivos, sem qualidade não pelos nomes mas pelas miscelâneas que não se entendem e sobretudo, datas inventadas, numa época que não permite passos em falso.

Vejamos o resultado de Olivenza. Uma corrida só porque sim, numa data que não corresponde a nenhuma feira e na bancada, não se esgotou o papel, num elenco que à partida daria garantias de ficar gente na rua.

Por cá, as coisas estão ainda mais complicadas. Além das datas inventadas e da sobrecarga evidente de corridas para o futuro, algumas delas numa altura sem razão de ser, eis que olhamos para os cartéis, e tentamos imaginar os motivos que levarão o aficionado a comprar um bilhete.

Ultrapassada a questão, fantasiamos ainda, se chegaremos ao dia e se, o espectáculo se realizará e ainda, a realizar-se, se é necessário teste, se é necessário certificado de vacinação ou, em caso de não haver espectáculo, se iremos emoldurar o bilhete para mais tarde recordar por não ter havido lugar a devolução, nem a explicações que devolvam a confiança aos aficionados.

Mais. Actualmente, teremos ainda de equacionar, se chegaremos a tempo a corridas que se anunciam em dias de semana (por exemplo sextas-feiras), às 21 horas e algumas ainda antes.

Perguntarão, que culpas no cartório terão os empresários e porque raio, estarei eu sempre a bombardear com estes temas que afinal de contas e aparentemente, não são culpa de ninguém e sim, de uma pandemia que ninguém ousava sequer imaginar que um dia surgiria.

Pois é, mas os aficionados, esses ‘pobres coitados’ que compram bilhetes e movem a economia tauromáquica, devem exigir respeito e devem sobretudo, ser mimados, com esclarecimentos constantes, de procedimentos em vigor, inibições ou restrições, condições de acesso ao espectáculo “a”, “b” ou “c”.

A APET, como entidade aglutinadora do sector empresarial tauromáquico, tem definitivamente de delinear uma estratégia, de forma a cuidar os cacos que ainda se podem colar. A emissão de um boletim semanal, por exemplo, com as condições de acesso ao espectáculo da localidade “y”, seria uma mais-valia, bem como, o aviso de que essa corrida, está ou não de pé, para que os aficionados se possam organizar.

A credibilidade do sector, terá de ser notória e real, para que não se façam contas de cabeça… Ah pois é. Já alguém pensou, que a bilheteira de Santarém, ESGOTADA para uma corrida e muito bem vendida para outra, estará a render qualquer coisinha. Pois, porque suponho que o valor em causa, não esteja guardado num qualquer armário de casa do pessoal que organiza o evento. Mas entretanto, o “Joaquim dos Anzóis”, quer o dinheirinho de volta, quiçá para ir a outra corrida que eventualmente possa haver, e não tem.

Esta não é a tauromaquia a que nos habituamos no passado.

A pandemia não justifica tudo.

A solução terá de estar baseada em poucas premissas: qualidade e competitividade dos elencos, datas ‘cumbre’ e seriedade, com uma boa estratégia de comunicação.

Por enquanto, vejo pouco destas premissas, numa tauromaquia em que cada um rema para seu lado, apenas na tentativa que o barco esteja a boiar e não com o objectivo maior que o barco chegue afinal a um destino.

Não basta queixarmo-nos de descriminação, não basta insultar o governo, exige-se uma liderança eficaz… Liderança de quê? De tudo, porque já percebemos que temos uma Protóiro que para esse papel, não serve.

Acordem de depressa, caso contrário, qualquer dia, nem os papagaios perderão tempo a palrar o que quer que seja…


Editorial - Junho - '10 Anos de uma estranha forma de vida'

Editorial - Junho - '10 Anos de uma estranha forma de vida'

  •  2021-06-10
  • Por: Solange Pinto

Impossível começar este editorial de aniversário, sem me recordar de quem esteve e está ao nosso lado.

Aos meus pais e aos pais do João Dinis, o meu mais sincero obrigado, por estarem sempre numa retaguarda que constitui, nas alegrias, nos triunfos, mas também nas preocupações e dias menos felizes, o nosso maior amparo.

Estar ao lado desta aventura, com a vida ‘estranha’ que escolhemos, é a maior prova de amor que podemos ter.

Agradecemos a todos os colaboradores. Os que estão, os que estiveram e se estiveram foi porque ao tempo foram importantes e sobretudo, agradecemos aos visitantes, fiéis, sim, muito fiéis e que nunca nos deixaram ao longo destes tempos.

Agradecemos também, àqueles que fazendo parte da nossa concorrência, nos foram espevitando e dando força para sermos cada vez, melhores. Continuo a ser capaz, de perdoar. Longe vãos as guerrilhas impulsionadas por opiniões divergentes, como por exemplo com o João Cortesão, que adoro de verdade ou, Miguel Alvarenga (temos de ir beber um copo ao Hard Rock, novamente…), por quem nutro uma admiração pública, pese embora possa discordar das suas opiniões.

Os Homens, por radicais que sejam, quando são de bem, perdoamos-lhes os defeitos, ficamos com as virtudes e a amizade, prevalecerá sempre.

Ao Hugo Calado, um beijo do tamanho do mundo. A dita concorrência, jamais superou a amizade que nos une, para sempre… saudades tuas e dos creio que centenas de jantares a seguir às corridas.

Ao nosso “anjo da guarda”, amigo oculto por sua expressa vontade, muito obrigado, nunca esquecerei o impulso a todos os níveis.

A todos os outros amigos, os taurinos que estiveram connosco nos momentos ‘cumbre’, aos não taurinos, por sentirem a falta da nossa presença, a todos os que têm a coragem de dizer que gostam de nós, bem-haja!

Somos diferentes, sim, somos e gostamos de ser assim.

A nossa irreverência, já nos fez passar momentos desagradáveis. Mas desistimos? Óbvio que não. Deitamos a cabeça na almofada e no dia seguinte, acordamos com a força redobrada. Será assim, sempre!

A esses, os que fisicamente ou com jogos de bastidores tentaram silenciar-nos apenas podemos aconselhar a que não percam tempo.

O TouroeOuro, apenas acabará no dia em que não houver tauromaquia!

Hoje, é também inevitável, recordar o dia-primeiro, do TouroeOuro.

Viemos para fazer diferente e diferentes, continuamos. Se somos rebeldes? Sim, somos e isso, como sabem, não agrada a gregos e troianos mas, ao longo destes 3650 dias em que não descansámos um dia que seja, agradámos a muitos, a tantos, que fomos, sempre e na nossa existência, os líderes de uma informação taurina.

Revolucionámos e daqui a pouco, às ‘cinco en punto de la tarde’, cumprem-se 10 anos desde que contámos e pela primeira vez no mundo inteiro, as incidências de uma corrida, em tempo real, com texto e imagens. A partir deste momento, fizemos história!

Estávamos em Santarém, Dia de Portugal. A Monumental Celestino Graça e o seu empresário João Pedro Bolota, receberam-nos de braços abertos (obrigado João Pedro, por tudo…) para que pudéssemos iniciar o nosso querido projecto.

Acompanhámos o sorteio, o ambiente e todas as incidências de um espectáculo, que juntou na arena Moura, Ventura e Tomás Pinto.

Praça cheia e muitos não vieram, mas estiveram em Santarém pelo veículo de informação que foi o TouroeOuro.

Que brutal mudança de há dez anos a esta parte. O mundo taurino vive momentos conturbados, de incerteza, de injustiça e até, perdoem-me, de alguma incompetência… Temos de ser assertivos, com passos cirúrgicos, concertados e estratégicos.

Pois, é que nós aqui temos opinião e valor para aguentar com a repercussão dessa opinião, seguida pelos generalistas.

Hoje, estaremos em Santarém, porque não poderia ser de outra forma.

Por muito que duvidem (e a mim dá-me igual, porque sei quem sou), estamos e somos tauromaquia, mas tauromaquia da boa, sem cor política, sem aproveitamentos, sem segundas intenções.

O TouroeOuro e a sua estranha forma de vida, aqui estarão, seguramente, por mais dez anos…


Editorial - Maio - Podemos também triunfar nós e sem mentiras

Editorial - Maio - Podemos também triunfar nós e sem mentiras

  •  2021-05-10
  • Por: Solange Pinto

Vivemos tempos de ansiedade. Eu, pelo menos, sinto assim…

O plano de vacinação…

O Campo Pequeno que nunca mais abre portas…

E o Sporting? Bolas, está difícil, mas tudo parece encaminhar-se e daqui a pouco já saberemos se chegou, finalmente a hora do rugido do ‘nosso’ leão… Não sei se devo dizer que sou do Sporting, mas também estou-me ‘barimbando’ para isso. Sempre disse o que me apetecia, o que me ia na alma e sobretudo a verdade…

Semanas ‘tontas’ estas no que à informação concerne. O surto em Odemira dominou. A questão do Zmar a parecer uma novela de terror, mas… e até, imagine-se, um foguetão a ponto de ‘despencar’ nas nossas cabeças.

A coisa boa de tudo isto, é que estou, de férias!

Sim, porque eu tiro férias para ir aos touros. Também, diga-se a verdade, não tinha outra solução se quis acompanhar o arranque da temporada em Portugal e não tinha outra solução, porque as corridas não foram em horários compatíveis para quem trabalha.

A ansiedade que falei lá atrás, pelos vistos foi a mesma com que as gentes dos toiros, estavam (Em quatro, esgotou-se uma!). Ânsia de organizar festejos, mesmo com o impeditivo da hora, versus, dias de semana.

Menos mal que assim renovam-se as minhas esperanças de que a Feira Taurina da Moita, em Setembro, volte a ser à tarde, pois, foi alterado o seu horário original pelo facto das pessoas trabalharem de semana e isso, poderia, numa teoria inicial, influenciar na afluência às bilheteiras.

O TouroeOuro nunca abrandou o ritmo, mas, na verdade, voltou ao terreno (que é como quem diz, aos espectáculos), com a sua máxima força.

Sempre estivemos, mas esta temporada, estamos mais que nunca, decididos a colocar os pontos nos is no que ao rigor e verdade concerne.

Isto aqui, não há triunfos gloriosos se não os forem, nem mesmo, esperanças garantidas, se tudo não passar de um flop. Aqui, não dizemos o que os intervenientes querem ler.

Mas, aos intervenientes dizemos. Não se ralem, do triunfo ou petardo, não depende a contratação. Mantenham sim os apoderados com praças, alimentem as trocas e assim, não passarão mal.

Adiante!

Daqui por um mês, estamos de parabéns pelo cumprimento do nosso décimo aniversário.

Já vimos tantas coisas. Tantos que nos queriam aniquilar, e… aniquilaram-se.

Tantos que nos quiseram, imagine-se, até calar, mas calaram-se… outros chegaram-se, outros ainda (ups, cala-te boca…), mas uma coisa é certa, estamos de ‘pedra e cal’.

Estamos, ficaremos e somos felizes, animados e sobretudo, convictos.

Os nossos números, que em breve revelaremos, falarão por si. Mas adianto-vos, que o nosso site, extrapola em muito, a visita semanal do empresário que se quer ver de charuto na boca a ‘mandar nisto tudo’, ou, transcende a visita do ‘novo rico’ que só compra barreiras para dizer aos outros que ‘estou podendo’…  e ultrapassa mesmo, a visita do apoderado, para confirmar se o seu ‘patrocínio’ deu resultado na análise da crónica.

O TouroeOuro, é neste momento uma referência e não somos nós que dizemos.

Dou como exemplo a questão relatada por nós, do pó em Vila Franca e Salvaterra. O tema ficou ‘viral’ e no centro da discussão.

Não importa se foram os artistas a não querer regar a arena, não importa se foram os empresários… O que importa, é que cuidem este e outros aspectos. Calhando e a continuar assim, teremos mesmo que adoptar o estilo ganga velha, t-shirt e ténnis.

Bem, por hoje é quase tudo.

Quero, agradecer aqui a todos quantos nos enviaram mensagens, apoiando o conteúdo das reportagens de Reguengos, Vila Franca e Salvaterra. Dizem ter lido a verdade e isso a nós, basta-nos para sermos felizes, afinal de contas, podemos também triunfar nós e sem mentiras.


Editorial - Maio - TouroeOuro vetado pela ‘Toiros e Tauromaquia’ no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Editorial - Maio - TouroeOuro vetado pela ‘Toiros e Tauromaquia’ no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

  •  2021-05-04

Não que seja dado novo, não que o tema não seja sobejamente conhecido, não que os ataques ao direito de informar não sejam repudiados aos olhos dos cidadãos que se dizem de bem, mas, a triste realidade, conta que os ataques e bloqueios ao direito de informar, ainda existem, mesmo nos dias de hoje…

Os ataques à liberdade de imprensa, são tema novamente em voga, desde que José Sócrates quis ‘comprar’ órgãos de comunicação com o forte objectivo de os ‘silenciar’ ou, agora mais recentemente, com a comprovada ‘agressão’ de Pedro Pinho, nos anexos do Estádio do Moreirense, a um jornalista da TVI…

Todos condenam, todos dizem estar contra, mas muitos caem ainda na asneira de o fazer, ou seja, de atentar contra a Liberdade de Imprensa, um direito adquirido e assumido por um Estado de Direito e Democrata.

Ironia do destino, a empresa de Toiros e Tauromaquia, de Margarida e António Cardoso, voltou a incorrer neste delito. Fazem-no deliberadamente. Intencionalmente. De forma tão injustificada, quanto cobarde e ignorante. Sim, porque prefiro pensar que são ignorantes, do que pensar que o fazem usando o argumento… qual argumento? Nem sei o que os poderá mover contra um órgão de comunicação, que ‘apenas’ paga impostos, que ‘apenas’ difunde a tauromaquia com rigor e verdade, que ‘apenas’ noticia, que apenas relata factos, mas que apenas não dá publicidade, porque a venda como forma de subsistência da sua actividade.

Para que conste, no passado dia 24 de Abril, o TouroeOuro, solicitou à referida empresa, credenciais para cobertura jornalística. Fizemo-lo pelo interesse que vimos no facto de ser o primeiro espectáculo tauromáquico em Portugal, fizemo-lo, porque a Praça de Touros José Mestre Batista, é um ícone da tauromaquia portuguesa e fizemo-lo sobretudo, dentro das normas e cumprindo todas as regras estipuladas. O mail, este que transcrevemos: ‘Vem o TouroeOuro.com, órgão de informação especializado em tauromaquia, registado na Entidade Reguladora para a Comunicação com o n.º 126716,  por esta via solicitar à empresa Toiros e Tauromaquia, promotora do evento de dia 03 de Maio, na Praça de Touros de Reguengos de Monsaraz, acreditação jornalística para os seguintes jornalistas:Redactora – Solange Pinto (Carteira Profissional – ****),Fotógrafo (senha de trincheira ou equiparado) – João Dinis (Carteira Profissional – ****)Agradecemos desde já a confirmação da nossa solicitação, pela mesma via, podendo no entanto o TouroeOuro, a exemplo do que acontece com outras empresas tomar uma não resposta, como a confirmação à nossa solicitação.’, não teve qualquer resposta.

À chegada a Reguengos, deslocamo-nos à bilheteira para recolha das referidas credenciais. No lugar das ditas cujas, estava um envelope, com duas barreiras e o custo a pagar de 50 euros, calcula-se, custo das referidas entradas.

Deixamo-las lá ficar, porque, como se poderá ler no mail atrás transcrito, o que fizemos, não foi uma reserva ou tentativa de aquisição de bilhetes, foi sim um pedido de credencial, direito que assiste a um órgão de comunicação para cobertura de espectáculo público.

Pese embora tudo isto e antevendo as reacções demasiados previsíveis dos ‘meninos’ dos touros (destes em concreto), o TouroeOuro tinha já previamente adquirido duas barreiras, como a empresária, por motivos que ela sabe contar quais são, se viria a aperceber.

O TouroeOuro, jamais viraria costas ao compromisso assumido com os seus visitantes, jamais viraria costas, ao dever de informar, mesmo que, constantemente sofra pressões no sentido inverso.

Contamos tudo isto, não para nos vangloriarmos que fizemos ‘caridade’ com a Santa Casa da Misericórdia de Reguengos ou com a empresa promotora do evento, mas, para lamentarmos publicamente, que a tauromaquia portuguesa, esteja no limiar da mediocridade, envolta em questiúnculas tão miudinhas, que as tornam tão ridículas quanto os seus intervenientes e que estes sim, são trunfos para os anti-taurinos.

Este escrito, serve também para outra coisa: dizer que enquanto tivermos 1% de convicção que a tauromaquia não morrerá pelas mãos destes personagens, lutaremos pelos nossos direitos enquanto órgão de comunicação, que a nós ninguém nos calará e sobretudo que nos debateremos pela verdade na tauromaquia, tentando desmontar a ‘zona escura’ da Festa, que não tem culpa, dos ataques internos de que é alvo.

Far-se-á justiça. É uma promessa e atenção, que não costumo faltar às minhas promessas.

Por último, não poderia terminar este artigo, sem agradecer de forma pública, as palavras de apoio ao TouroeOuro, proferidas por Miguel Alvarenga, ontem, no seu blog.

Os jornalistas a sério, são assim… Na tauromaquia lusa, ‘carteiras’ espojadas nas barreiras, há muitas, mas se contarmos jornalistas, sobram dedos de uma mão.


Editorial - Abril - Sócrates há muitos...

Editorial - Abril - Sócrates há muitos...

  •  2021-04-14
  • Por: Solange Pinto

Foi indiscutivelmente o tema que marcou os últimos dias.
José Sócrates arguído, sim ou não? 'Nim'...
'Prescreveu' foi a palavra de ordem e a mais pronunciada pelo Juíz Ivo Rosa. Este facto, deixou uma sensação de relaxe total face ao estado da jústiça portuguesa. 
Tudo se permite, tudo se tolera e afinal de contas, 'o crime compensa'.
José Sócrates saiu de todo aquele cenário mediático, 'gritando vitória', quando na verdade, tudo o que deveria estar, era envergonhado com os seus actos.

Desculpem-me a sinceridade, mas se a toda a conduta do suposto Engenheiro, acrescentarmos as inúmeras tentativas de manipulação da imprensa, ui... 

Moral da história: não se passa nada e dificilmente, se irá passar alguma coisa, digo eu...

Espantada? Claro que não. Olho há muitos anos para o pequenino e quase insignificante universo tauromáquico, analiso, pondero, falo sobre ele... e muito não falo, nem escrevo, mas sei (diz que se escrever, prejudica porque convém que isto tudo pareça cor-de-rosa)...!

Vejamos. 

Praça de Viana, finalmente, no chão. Culpados? Claro que não há. Mas também não há justificações, pedidos de desculpa ou apuro dos verdadeiros responsáveis, nem que seja, por inércia total.

Deixemos o capítulo das praças perdidas, já cansativo, para chegarmos aos favorecimentos.
Vamos por partes.
Se não sabem, eu digo. Um órgão de comunicação, tem regras, condutas associadas, linha editorial, obrigações e uma delas, é lógico, é a isenção e imparcialidade.
- Como se justifica, que um órgão de comunicação social (taurino), tenha como director um gestor de uma praça portuguesa?
- Como se justifica, os favorecimentos que daí resultarão? 
- Como se justificam os conflitos de interesses inegáveis?
Isto é mais ou menos assim: eu faço publicidade no teu site e tu contratas-me... ou, tu contratas-me e eu faço publicidade no teu site. 
Mais. O dito site, está claramente a ser levado ao colinho, pela federação que 'manda nisto tudo'. Ah pois é. Alguém acredita, que o tal director, tenha conhecimentos com os pares internacionais da dita federação?

Bem, estranheza sobre o estado do país, em quê? Deixem-se andar que isto assim está muito bem, obrigado!

O bom disto tudo, é que estou tão contente hoje, que em vez de chorar de pena, dei gargalhadas como há muito não dava, ao ver um vídeo, de um sorteio de artistas para cartéis numa praça alentejana (da minha querida terrinha natal), que mais parecia os vídeos dos jihadistas, camuflados, onde só se ouvem vozes e não se conseguem ver os rostos. 
Qualquer semelhança entre isto e o sorteio para a cartelaria de San Isidro 2019, é demência séria e crónica na certa.
Que vergonha meu Deus, que aberração e que falta de nível a que todos estiveram sujeitos. Ainda por cima, difundiram o "evento" que perante tamanha falta de profissionalismo, deveria ter sido 'escondido'.

Esta é a categoria que temos, a mais não somos obrigados e... 

Cuidem-se, afinal de contas, Sócrates, há muitos!

 

 


Editorial Março - Futuro da festa, perigosamente hipotecado?

Editorial Março - Futuro da festa, perigosamente hipotecado?

  •  2021-03-10
  • Por: Solange Pinto

A presente temporada, tal e como aconteceu na do passado ano, ficará indubitavelmente marcada pelo número de ilustres aficionados, toureiros e forcados que nos deixaram, em consequência da Covid-19.

Tristes serão as nossas bancadas, com ausência lamentável de quem nos ‘queria bem’… No entanto, diga-se, que esta temporada, tal como a transacta, ficará também marcada e pelo segundo ano consecutivo, por um número importante de lugares vazios, fruto das reduzidas lotações…

Que as praças não estiveram sempre cheias ao longo da história, é uma realidade. Mas que se parta para um espectáculo onde, o horizonte máximo, são os 50 ou 75% de ocupação máxima, certo é que se altera todo o cenário de risco implícito na organização de um evento deste género.

Fé em Deus e sobretudo, esperança que a vacinação possa alterar tudo isto…

O que não se alterará com a vacinação, são as catástrofes pouco naturais que têm ocorrido aos tauródromos lusos, em tipo ‘morte lenta mas muito anunciada’.

Um dia Viana do Castelo, outro dia, Póvoa de Varzim, outro dia ainda, Setúbal… E imagine-se, Albufeira.

Perdeu-se um ‘monte de cimento’, mas, um ‘monte de cimento’ que era parte da nossa história de aficionados, parte da nossa vida, das nossas memórias e muito mais importante que tudo isso, postos de trabalho para os nossos toureiros e consequente continuidade daquilo que amamos.

Concentremo-nos em Albufeira. Recordam-se que a Monumental de Albufeira, era ‘só’ a Praça de Touros que mais dava oportunidades aos novos?

Onde actuarão agora os jovens que alimentam o sonho de ser toureiros?

Onde mora o futuro e a continuidade da tauromaquia?

Moita, Vila Franca e uma tímida novilhada no Campo Pequeno, começam a ser pouco para que daqui a uns anos, a haver praças de touros em ‘pé’, haja quem nelas toureie.

Prótoiro minha querida. Perceberam que estamos a matar aos poucos a possibilidade de continuidade? Sem praças não há palcos de sonhos?

Empresários meus queridos. Conseguem pensar que é urgente organizar espectáculos com amadores, praticantes, novilheiros? Percebem que a tauromaquia não pode ser só feita dos toureiros dinásticos e que os outros também precisam de oportunidades?

O que iremos fazer ao ‘produto’ resultante das Escolas de Toureio? Ok, mesmo que daqui apenas surjam toureiros de prata, como passarão os estágios necessários até atingirem a profissionalização?

Alguém com responsabilidades na Festa, está preocupado com aquilo que não seja o imediato?

Sem querer ferir susceptibilidades, tenho de dar os parabéns a Fernando dos Santos, pelo tanto que fez em prol dos mais novos. À sua maneira é certo, mas fez!

Parabéns e agradecimento também a Pedro Marinho que nunca deixa que a sua Moita abandone os mais novos e à eterna Vila Franca, com todas as suas potencialidades associadas em autêntica sinergia, no sentido de ‘abrir portas aos sonhos’.

Não estará o futuro da festa, perigosamente hipotecado?


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