Com rapidez a mais, passaram vinte anos… vinte anos não desde que vejo, sinto e vivo o mundo dos touros, mas vinte anos desde que levo isto de forma profissional, inteira e responsável.
A nossa Festa está mais pobre agora… os Homens do touros que marcavam a diferença, estão a desaparecer aos poucos. Tinham “outra forma de andar nisto”, mas tinham sobretudo uma educação que os elevava não só na tauromaquia, como na vida.
Neste âmbito, não posso deixar de lamentar mais uma perda. António José Zuzarte. Um Homem visivelmente distinto, que tive o prazer de conhecer.
Como me acusam muitas vezes de ser cinzenta (eu diria muito mais, realista), saúdo com alegria o “nascimento” do Grupo de Forcados Amadores de Abiul. Abiul não me é indiferente e isso bastaria para me/nos congratular pela “vitória” e sucesso da novel formação, mas a felicidade vai muito mais além. O Grupo esteve fantástico na sua corrida de estreia. Sem nervos, em tom de festa, de triunfo e de grandeza dos homens que vêm por bem.
Tudo isto deixou-me a pensar numa coisa que infelizmente se banalizou. O Triunfo. O triunfo é indubitavelmente subjetivo. Depende dos olhos de quem vê, de quem sente desta ou daquela maneira… uns analisam a festa no seu todo, outros as capacidades técnicas, outros ainda, as infelicidades que condicionaram esta ou aquela prestação. Contudo, jamais se poderá considerar uma crónica feita por um pai ou mãe de um toureiro, cujos sentimentos intrínsecos fazem vislumbrar não só a prestação do seu filho, mas principalmente a aura de tudo aquilo que se passou na arena. Viveram as horas prévias, a luta, o sonho e isso, sem lugar a dúvidas, condicionará… Mas podem, claro está, ter opinião. O que faltaria… só não podem e a isso chama-se ética, torná-la profissional ou jogar em modo “influencer“. Para isso estão outros, ou se não estão, estivessem.
Li uma crónica de Abiul, feita pelo manager de Diogo Peseiro (escrevo assim para que todos possam entender a linguagem num site que se pretende abrangente e não apenas restrito a aficionados em tipo “Velhos do Restelo”) que não tem qualquer cabimento. É certo que foi publicada num blog sem cariz formal e profissional, mas também é certo que lá vai tendo as suas visualizações e pagantes e logo, existe. Mas chegámos onde? O Diogo nem sequer merece isto. Retira-lhe importância, retira-lhe créditos. Quem lê e não esteve lá, irá duvidar se foi tudo assim e na verdade, eu que estive, também duvido.
Este apoderado, foi o mesmo que se mostrou indignado pelo facto do TouroeOuro ter noticiado que a Ana Batista, tinha desmaiado em Alpalhão e blá, blá, blá e foi a correr dizer ao Miguel Alvarenga isso mesmo. Vejamos. O TouroeOuro noticiou, justificou com imagem. Ponto! Não ligou a ninguém porque com toda a certeza, grave ou não grave, estaríamos a falar de momentos de apuro e não achou oportuno incomodar a equipa. Mais, falou da cavaleira, com justiça, achando nós e sempre acharemos isso, que os artistas não podem encerrados em bolhas com falta de ar e apenas falarem dos tais fantasiosos triunfos. Mais, o TouroeOuro esteve presente em todos os momentos marcantes da cavaleira de Salvaterra, que gentilmente nos convidou sempre a estar. E estivemos. Mas outros não estiveram… Borrifaram no tema. E são esses que agora querem vender a ideia de que não fomos profissionais? Falta-me a paciência para a senilidade que impera na Festa, sobretudo se em conta tivermos a cadência dos acontecimentos. Noticiámos quase em tempo real, recebemos uma primeira mensagem do apoderado Maurício à 1h34 (madrugada) e outra às 4 e qualquer horas da mesma madrugada. Alguém achava que o TouroeOuro iria aguardar que lhe enviassem estas mensagens de madrugada? Mas está tudo bem? E porque não publicou o Alvarenga a essa hora? Estava a dormir? Ohhhh que coisa tão estranha… dormir.
Mas do Alvarenga já não quero nem saber. Quem diz cobras e lagartos de José Maria Charraz e volta ao Campo Pequeno com a maior das latas, não tem crédito, o pior mesmo, é o resto em que o mundo taurino se tornou. O mundo em que o apoderado agenda as corridas, faz a crónica, organiza corridas… enfim. Vale tudo nesta festa que está cada vez mais pobre.
P.S.: Desculpa paizinho por não seguir o teu conselho de sempre… dizias tantas vezes que não se deve dar importância a quem não a tem. Tens razão, sempre tiveste, mas ainda não cheguei ao teu nível de maturidade.

