O Campo Pequeno ficou ontem, sexta-feira, inevitavelmente conotado com quiçá aquela que será a pior corrida do ano, não só no Campo Pequeno e, eventualmente, não só nesta temporada…
O curro de António Silva foi o grande responsável pelo desaire. Touros em modo estampa, é certo e nisso, mérito da criadora, mas, demérito total e absoluto para o desempenho das sete reses. Mansos, sem interesse e sem lide… ou não!
Parece-me redutor e injusto, atribuir o estúpido resultado artistico que ali se viveu, unicamente aos toiros. Parece-me também injusto, dizer que Silvas, nunca mais e blá blá… Os Silvas têm uma história, talvez José André ali faça falta e talvez, todos tenhamos culpas no cartório, ao não chamar os “bois pelos nomes”. Mas respeite-se a dita história.
O que ali se passou, repita-se, no Campo Pequeno, longe dos seus tempos áureos, foi uma, primeiro, demonstração do público quanto ao desinteresse no elenco (em bom rigor, meia casita forte); segundo, uma demonstração do estado geral da festa, onde se atribuem as incapacidades dos toureiros, ao mau jogo dos touros.
Portanto e para que não haja dúvidas no que aqui quero dizer, falemos claro: maus touros, sim! Toureiros que não estiveram à altura da lide de mansos, também!
O conforto e ontem ficou dito, jamais pode ser o caminho da tauromaquia, correndo-se o risco, de perda total de interesse.
Os touros fechados em tábuas, os touros que não dão passo, podem e têm lide. De frente, pisando terrenos, jogando-se com o que há e não interpretando o toureio “murubeño“. O conceito tem de ser outro e pese embora a novel linha adotada pelos toureiros de agora, se há genialidade, se há recursos, então que se faça uso. O problema, é que ninguém dá o passo de frente, ninguém sabe andar sem ser à volta…
Resultado: lides na sua maioria sem música, sem voltas à arena, cansativas. Toureiros aos papéis e nem mesmo aqueles que foram menos maus, agradaram aos espectadores de exigência média.
Tiago Tavares e o veterinário José Luís Cruz estiveram em plano agigantado nesta direção de corrida. Bem e não fosse isto uma casa de respeito, diria que com muitos… Direi então, com coragem. Com assertividade, com genialidade na leitura dos acontecimentos, com vontade de tornar a festa mais séria. Furaram as tradicionais barreiras do popular e facilitismo e apenas se errou numa questão. A primeira volta à arena foi benevolente.
Paco Velasquez apenas encontrou o caminho nas duas últimas bandarilhas da sua lide de confirmação no Campo Pequeno. Luís Rouxinol começou mal e por ali foi, com um comprido escandalosamente traseiro e descaído e sem robustez para mudar o rumo à história. Gilberto Filipe e Filipe Gonçalves destacaram-se apenas e só pelo seu conceito mais “popular e ruidoso” do que propriamente por brilhantismo… Em terra de cegos, quem tem olho é rei…, Manuel Telles Bastos e Andrés Romero, com sucessivos erros de leitura e por fim, Vasco Veiga, que deixa talvez o melhor ferro da corrida, tendo na mão o que poderia ter sido uma historia feliz, deixando-a escorregar…
As pegas, em formato de Concurso por entre as formações, estiveram por conta dos Grupos de Montemor e Vila Franca. Muitos, mas mesmo, muitos furos acima esteve o Grupo de Vila Franca de Xira, resultando a sexta pega na vencedora do concurso, em que os próprios cabos constituíam o jurado. Rodrigo Andrade, foi o merecedor do Troféu “Manuel Trindade”, entregue pelo Pai do malogrado forcado, Pedro Trindade, sendo que a formação devolveu o galardão ao progenitor do Homenageado, em sinal de gratidão e respeito.
Pelos Amadores de Montemor, foram na linha da frente, Miguel Cecílio, consumando ao terceiro intento; Vasco Ponce, com o mesmo número de tentativas; Joel Santos, ao quarto intento e; limpando a “honra do convento”, José Maria Cortes Pena Monteiro, à primeira boa tentativa, mas numa pega extra-concurso.
Vestindo a jaqueta dos Amadores de Vila Franca, pegaram de caras, Miguel Faria, Guilherme Dotti e; Rodrigo Andrade com uma grande primeira ajuda, de Rodrigo Dotti, dando ambos merecida e triunfal volta à arena.
Como foi referido acima, o festejo foi dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Tiago Tavares, coadjuvado pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz.
Nota: Antes do início da corrida, a empresa gestora do Campo Pequeno prestou justa Homenagem póstuma, àquele que ali foi médico durante muitos anos, o Dr. José Cabral.
Moral da história: o pagamento de compromissos, nem sempre pode ser feito na praça que todos deveriam querer defender.
Fotos: João Dinis





























































































































