A Feira Nacional do Cavalo, na Golegã, manifestou profundo pesar pelo falecimento de D. Francisco Mascarenhas, ocorrido no passado domingo, dia 8 de março, aos 99 anos. Considerado o decano dos cavaleiros tauromáquicos portugueses, foi uma das figuras mais marcantes da história do toureio a cavalo em Portugal.
Em nota divulgada pela organização da Feira Nacional do Cavalo, presidida por António Carlos Camilo, é recordado o percurso singular de um cavaleiro que marcou várias gerações de aficionados. “Com o desaparecimento de D. Francisco Mascarenhas perde-se uma das últimas grandes referências da chamada época de ouro do toureio a cavalo, ficando para sempre o exemplo de elegância, dedicação e respeito pela tradição que pautaram a sua vida e carreira”, refere a organização.
Nascido a 8 de fevereiro de 1927, em Paço de Arcos, D. Francisco Mascarenhas cresceu numa família profundamente ligada à tauromaquia. Filho do cavaleiro D. Alexandre de Mascarenhas, iniciou-se muito cedo nas arenas, estreando-se em público com apenas oito anos na antiga praça de toiros de Almeirim. Ao longo das décadas construiu um percurso de grande relevo, atuando em diversas praças de Portugal e do estrangeiro.
Conhecido entre os aficionados como o “cavaleiro fidalgo”, tomou a alternativa em 1945, na Praça de Toiros do Campo Pequeno, tendo sido apadrinhado por João Branco Núncio. A partir desse momento iniciou oficialmente uma carreira que viria a marcar profundamente o panorama taurino nacional.
Radicado em Almeirim durante grande parte da sua vida, manteve sempre uma forte ligação à região ribatejana e às tradições ligadas ao cavalo e à tauromaquia. Esse contributo foi reconhecido ao longo dos anos com várias distinções, entre as quais a Medalha de Honra do Concelho de Almeirim, atribuída em 2015.
Mais recentemente, em 2023, foi homenageado na Feira Nacional do Cavalo, na Golegã, onde recebeu o Prémio Carreira Carlos Relvas, tornando-se o primeiro distinguido com este galardão, criado para reconhecer personalidades com um percurso excecional ligado ao mundo do cavalo e da tauromaquia.
Na mensagem de pesar, a organização da feira sublinha ainda o simbolismo desta ligação. “A Feira Nacional do Cavalo teve a honra de distinguir D. Francisco Mascarenhas pelo extraordinário contributo que deu à tauromaquia e à cultura equestre portuguesa ao longo de mais de sete décadas de carreira”, destaca a nota.
A direção da Feira Nacional do Cavalo endereçou também “as mais sentidas condolências à família, amigos e a todos os que acompanharam e admiraram o percurso de uma figura incontornável da história do toureio a cavalo em Portugal”.

