Almendralejo, em Espanha, é definitivamente uma praça de touros bem conhecida da afición lusa e a confirmá-lo, os muitos portugueses que acorreram ao tauródromo na tarde de Domingo, 29 de Março.
Tempo soalheiro mas frio e ventoso mas ainda assim, com ambiente propício à boa prática de rejoneo, com bons apontamentos por parte dos rejoneadores espanhóis e cavaleiros portugueses, numa espécie de duelo ibérico, promovido pela empresa Tauroemoción.
Aos atrativos juntaram-se também os forcados portugueses, dos Grupos de Santarém e São Manços.
Dois terços fortes de entrada foi a lotação conseguida na tarde de Domingo.
As hostilidades foram inauguradas com a presença do já veterano Sérgio Galán, bem de início ao fim. Dono de uma doma clássica, com apontamentos de modernidade, Galán recebeu bem o oponente, mantendo ganas de triunfo, deixando com garbo e qualidade a ferragem da ordem. Terminou com dois palmitos e um par de bandarilhas a duas mãos, de boa nota e estocada efetiva.
João Moura Caetano andou bem face à matéria-prima existente, ou seja, um toiro que desde o início quis muito mais sair da arena do que se entregar à função. Caetano recebeu bem, lidou com qualidade e conhecimentos, bregou com entrega e deixou constância da sua maturidade enquanto toureiro. Matou com eficácia e cortou uma orelha.
Leonardo Hernández lidou de forma intermitente, alternando bons momentos com outros menos acertados, sobretudo no que à colocação da ferragem diz respeito. Os dois rojões de castigo ficaram algo traseiros, sendo que se destacou positivamente na brega a duas pistas. Meia estocada depois de um pinchazo.
Duas rotundas orelhas para um dos triunfadores da tarde, João Ribeiro Telles. Bons rojões e sobretudo boas bandarilhas, deixadas com emoção e poderio. Boa brega, dominadora e com expressão, numa exibição com epílogo em dois palmitos e uma estocada inteira e fulminante.
A João Salgueiro da Costa coube lidar um dos mais voluntariosos toiros do festejo, premiado com volta à arena… e que bem o fez. “Este” Salgueiro surgiu com outro tom, outra disposição e ritmo, mas sem nunca necessitar abandonar o toureio que é o seu. Bem nos rojões de castigo, muito bem nas bandarilhas, a dar vantagens ao toiro, bem nos dois palmitos, mas infelizmente mal no uso do rojão de morte, o que o privou de passear os máximos troféus.
Adrián Venegas era o toureiro da terra… era, foi mas a oportunidade não surgiu, não por si, mas porque o toiro que teve por diante, estava “impróprio para consumo”. Pequeno, sem força e debilitado, sem opções e sem morte a cargo do rejoneador, acabando por ter Venegas que abreviar a lide…
As pegas da tarde, porque as houve para regozijo da afición espanhola, foram asseguradas pelos Grupos de Forcados Amadores de Santarém e São Manços.
Pela formação de Santarém, pegaram: Manuel Ribeiro de Almeida, ao primeiro intento; Miguel Fernandes, ao terceiro e; Tomás Serrano com o mesmo número de tentativas.
Pelos alentejanos vindos de São Manços, foram na linha da frente Alexandre Ramitos, numa efetivação à primeira tentativa; Alexandre Silva com duas tentativas, dobrando a inicial de João Amador e; nenhuma pega mais porque foi negada pelo presidente cedendo aos pedidos do público que “apitou” e muito a escassez de condições do toiro, último da corrida.
Os toiros de Couto de Fornilhos tiveram comportamentos dispares. Destacou-se pela positiva o lidado por Salgueiro da Costa, bom de verdade e a ser premiado com volta à arena e, pela negativa, o último, pequeno sem forças e sem o mínimo de condições.
Resultado: Bom toureio… em português!
Fotos: João Dinis






















































































































