Sem que me custe muito dizer como a alguns, faço diariamente e mais que uma vez ao dia, uma ronda por todos os órgãos de comunicação e até mesmo por blogues e páginas daquelas que presumem ser canais publicitários, ainda que somente existam em redes sociais. Faço-o para me manter a par de tudo. O bom, o mau e por aí fora e faço-o até no que a meios espanhóis concerne. Saída de Almendralejo, vi e li o que se havia escrito no mundotoro sobre a corrida que também eu tinha visto e deparei-me com um resultado negativamente avassalador, dando conta de Adrián Venegas tinha escutado três avisos. Nem um escutou. Venegas teve o terrível azar de lhe tocar um toiro inválido e sem condições, tendo sido a sua morte abreviada pelo puntillero de serviço. O erro, sim, erro foi corrigido mais tarde, bem mais tarde, mas existiu, e para quem viu e não reviu, ficou com esta ideia errática sobre o que ali tinha acontecido ao jovem toureiro…
Erros existem e todos os cometem. Todos, todos, todos, como de resto dizia o Papa Francisco. Este tema, introduz outro. Um órgão é feito de muitas coisas. Ou deveria… Opinião e pertinência, é uma delas. No mesmo meio espanhol, li um artigo de opinião fantástico. Aplaudo. Aplaudo de pé o escrito. Ricardo Ortiz morreu nos curros de uma praça de touros. Foi toureiro. Digno. Digno como de resto foi o seu último trabalho. A grande infelicidade que teve além das cornadas na obscuridade, foi o dia em que elas aconteceram. Sábado de Páscoa. Tantas festas e festinhas. Tantas corridinhas, mas ainda assim, não capazes de albergar todos os toureiros existentes num país de tanta afición prática. Ortiz passou ao lado… Ingratidão? Sim, talvez e tempo perdido porque não imperariam os holofotes…
A falta de holofotes faz-nos a todos medir o esforço de uma viagem, de um investimento, de um empenho extra. Este é o mundo atual. É assim que estamos. Com pouca memória.
Quero com tudo isto chegar a Lisboa. Já nem perco tempo a perceber quem manda em Lisboa. Como não perco tempo com os ditos de um e de outro, entenda-se do empresário e dos itinerantes sócios. Zero interesse em quem faz os cartéis e até em quem os organiza ou até paga. O que sim me surpreende muito, mas mesmo muito, é como é que, numa era de opiniões valentes nas redes sociais, não há um “raio” de um aficionado que questione a ausência de João Moura, no Campo Pequeno. Estão todos esquecidos? É que não falamos de um toureiro retirado. Falamos de um toureiro no ativo e que por acaso foi o maior de todos os tempos. Ahhh, são os galgos. Ahhhh, o Covões não quer. Pois muito bem. O dono manda na sua casa e é legitimo. Mas também seria legítimo que se ouvissem vozes de defesa relativamente a este ídolo vivo.
Ah ok, vão todos jantar e isso passa. Ok, todos os jantares e homenagens são devidas ao grande vulto que é Moura, mas, até que toureie, o Campo Pequeno era uma imposição.
Todos calados. Todos com medo de abrir a boca. Todos com medo das consequências da sua ida a Lisboa. Mas e vale a pena tanto medo por quatro corridas? Porque alma de quem vêm outros toureiros a cavalo, quando os “nossos” estão ali vetados.
Ainda há dúvidas? Sou só eu que penso que quatro corridas não valem tanto silêncio e ingratidão?
Afinal, “estamos” de caridade no Campo Pequeno. Vale a pena? Ou a dignidade e proteção dos grandes nomes portugueses não interessam a ninguém?
Pensemos nisto… O Rei Emérito Don Juan Carlos, errou, errou muito. Exilou-se. Retirou-se. Pagará se assim tiver que ser. Mas já pagou muito. Paga com a distância do seu povo. Voltou, voltou a Sevilha e o que fez o povo? Ovacionou. Porque um homem jamais se medirá somente pelos seus erros!
