Vila Franca tem algo que não se explica e mesmo que a lotação da primeira corrida da temporada na Palha Blanco não tenha ido além da meia casa, a verdade é que o ambiente registado no tauródromo vilafranquense é especial, diferente e exigente.
O público vem pronto a analisar, resmungar e aplaudir justamente e quando assim é, é também sinal que vive e sente as emoções…
O primeiro toiro saído à arena em tarde de concurso foi da ganadaria de Cunhal Patrício, com 515 quilos e foi lidado por Manuel Telles Bastos. O estado aplaudido à sua entrada na arena pelo trapio invejável, proporcionou bom labor a Manuel Telles. O seu segundo curto foi de grande nível, havendo ainda outros felizes momentos tanto na brega, como nas cravagens.
O dinástico toureiro teve como segundo toiro do seu lote, um exemplar de Oliveira Irmãos, de 570 quilos, também ovacionado à sua chegada à arena. Telles viveu momentos de apuro em diversas ocasiões, numa passagem conturbada e sem história, não escutando música, nem lhe sendo concedida volta à arena.
Antonio Prates lidou primeiramente um toiro de Sommer D’Andrade, de 565 quilos, também ele com trapio e vivacidade e que sendo colaborante como foi, ofereceu ao ginete condições para brilhar. Ladeios que chagaram às bancadas e bandarilhas deixadas com garbo, rematadas na sua maioria. Atuação que agradou ao conclave.
Este toiro foi de resto premiado com o troféu para a “Bravura”.
Se a primeira actuação foi boa, a segunda foi magistral. Dono e senhor dos acontecimentos. A saber exatamente o que fazer ao touro que tinha por diante, de Fernando Palha, de 555 quilos. O jabonero contribuiu, é certo, mas Prates esteve exímio desde os compridos, aos curtos, às reuniões, remates e antes mesmo, nas colocações do oponente em sorte. Houve detalhes, repito, de magistério, sendo que o primeiro curto foi após impressionante, limpa e arrimada batida ao píton contrário. Enorme triunfo em Vila Franca. Este toiro foi também premiado, vencendo o troféu “Apresentação” (júri composto pelos seis ganadeiros com exemplares a concurso).
O grande e talvez único momento alto da lide de Tristão Ribeiro Telles aconteceu aquando da exímia cravagem do primeiro comprido em sorte de gaiola a um toiro de Canas Vigouroux, de 520 quilos, com mobilidade e que embora sem permitir facilidades, cumpriu. Tristão entremeou um ou outro momento de boa nota, numa função sem grande fio condutor, na qual foi o toiro a mandar. Actuação sem música.
O segundo toiro do lote de Tristão, da ganadaria de Vale Sorraia, com 525 quilos, saiu distraído, não permitindo ao ginete concretizar a apontada sorte de gaiola, denotando constante e incessante vontade de sair da arena. A Tristão coube porfiar e labutar, levando a efeito uma atuação digna, com ferros corretos, destacando-se a sua raça e convicção. Resta dizer que este toiro cresceu ao castigo, passando a arrancar-se de todos os terrenos…
As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores de Santarém e Vila Franca.
Pelos de Santarém, foram na linha da frente João Faro; Joaquim Grave e; Duarte Palha. Todos os forcados pegaram ao primeiro intento, fazendo tudo parecer “fácil”, ganhando o prémio para o melhor grupo em praça, sendo o júri composto pelos antigos forcados Vasco Pinto, João Caldeira e João Mota Ferreira.
Vestindo a jaqueta de Vila Franca, pegaram à primeira tentativa Rodrigo Andrade; à segunda e com uma soberba primeira ajuda, Rodrigo Camilo e; Vasco Carvalho, à primeira tentativa.
Das seis reses apresentadas neste concurso, destaca-se o brio da empresa na escolha dos exemplares, bem como dos seus criadores.
O espetáculo foi dirigido com rigor, coerência e exigência pela Delegada Técnica tauromáquica Lara Gregório de Oliveira, assessorada no sector veterinário por José Luís cruz.
Nota: foi cumprido um minuto de silêncio em memória de Jorge Maria de Sousa e Holstein de Melo e todos os falecidos no inverno, entre outros, Augusto Levesinho.
Fotos: João Dinis











































































