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Azambuja abriu as portas à sua alma ribatejana com o arranque da Centenária Feira de Maio

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By João Dinis on 28 de Maio, 2026 Destaques, Noticias
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A Azambuja voltou esta quinta-feira a assumir-se como a capital das tradições ribatejanas com a inauguração oficial da Centenária Feira de Maio, um dos mais importantes certames taurinos e culturais do país. A cerimónia marcou o início de cinco dias de festa, convívio e celebração da identidade local, reunindo autarcas, campinos, tertulianos, associações, entidades oficiais e centenas de visitantes na Praça do Município.

Acompanhada pela fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja, por campinos a cavalo e por representantes das várias tertúlias do concelho, a abertura oficial deu o mote para uma edição que promete voltar a atrair milhares de pessoas à vila, entre os dias 28 de maio e 1 de junho.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Silvino Lúcio, destacou o significado especial que a Feira de Maio continua a ter para a população local, considerando que estes dias representam muito mais do que uma simples festividade.

“Para quem é de Azambuja, estes não são apenas mais cinco dias no calendário. São dias especiais, dias que se vivem de forma diferente, dias que despertam memórias, unem gerações e reforçam o orgulho na nossa terra”, afirmou.

O autarca descreveu a Feira de Maio como o momento em que o concelho se apresenta ao país na sua forma mais genuína, preservando uma identidade construída ao longo de gerações.

“A Feira de Maio é verdadeiramente o coração do nosso concelho. É o momento em que Azambuja se mostra na sua autenticidade, na sua identidade e na sua capacidade de bem receber”, sublinhou.

Com mais de um século de existência, a Feira de Maio continua a ser uma das maiores expressões da cultura ribatejana, mantendo vivas tradições ligadas ao campino, ao cavalo, à lezíria e ao mundo rural. Para Silvino Lúcio, essa autenticidade é precisamente o que torna o evento único.

“Esta feira atravessou gerações, mudanças sociais, dificuldades e transformações do tempo, mas nunca perdeu a sua essência. E essa essência vive nas nossas tradições taurinas, no valor simbólico do campino, na ligação ao cavalo, à lezíria, ao mundo rural e à cultura ribatejana”, afirmou.

O presidente da Câmara fez ainda questão de agradecer o contributo das associações, das tertúlias, das juntas de freguesia, das forças de segurança, dos bombeiros e dos trabalhadores municipais, destacando que a feira é um património coletivo construído pela comunidade.

“A Feira de Maio não seria aquilo que é sem o povo de Azambuja, sem as tertúlias, sem as associações e sem as famílias que fazem desta festa um verdadeiro património coletivo”, referiu.

Silvino Lúcio salientou igualmente o impacto económico do certame, recordando que durante estes dias o concelho recebe milhares de visitantes que procuram conhecer as tradições, a gastronomia e a hospitalidade da região.

“Quem visita Azambuja percebe rapidamente que aqui sabe-se receber”, afirmou.

A inauguração contou com a presença do secretário de Estado da Agricultura, João Moura, que assumiu o papel de convidado de honra da cerimónia. O governante destacou a capacidade de Azambuja preservar as suas tradições numa região cada vez mais próxima dos grandes centros urbanos.

“Apesar da proximidade de Lisboa, Azambuja consegue manter bem vivas as tradições, a cultura, o entusiasmo e a vivência daquilo que é muito do nosso Portugal”, afirmou.

João Moura considerou que a Feira de Maio ultrapassa a dimensão local e regional, representando uma expressão da identidade cultural portuguesa.

“Aqui foi dito várias vezes que isto é Azambuja. Mas permitam-me dizer-vos: isto é o Ribatejo. Mas isto é também Portugal. Quer se goste ou não se goste, esta é a nossa cultura e esta é a nossa tradição”, declarou perante os presentes.

O secretário de Estado dirigiu ainda palavras de reconhecimento aos campinos, às tertúlias e aos cavaleiros, destacando o cavalo lusitano como um dos maiores símbolos nacionais.

Durante a sua intervenção, João Moura aproveitou também para sublinhar a importância da agricultura para a economia e para a afirmação da gastronomia portuguesa, lembrando que muitos dos milhões de turistas que visitam o país todos os anos ficam impressionados com a qualidade dos produtos nacionais.

“Vêm cá porque a nossa gastronomia é de excelência. E a nossa gastronomia é de excelência porque os nossos agricultores trabalham bem, porque produzem alimentos com elevados padrões de qualidade”, afirmou.

O governante deixou ainda um apelo ao consumo de produtos portugueses, defendendo que cada cidadão deve assumir um papel ativo na valorização da produção nacional.

“Cada um de nós deve ser um verdadeiro embaixador do produto nacional”, sublinhou.

A edição de 2026 da Feira de Maio promete voltar a transformar a vila de Azambuja num grande palco de celebração da cultura ribatejana. Durante cinco dias, as ruas serão animadas por entradas e largadas de touros conduzidos por campinos, cortejos de gado, provas equestres, desfiles populares, atividades culturais, gastronomia tradicional e muita música.

Entre os principais destaques do cartaz musical encontram-se os concertos de La Cuarta Cuerda, Os Pharol, D.A.M.A e Sangre Ibérico, aos quais se juntam os bailes populares, o fado vadio e a habitual Festa dos Anos 80.

No domingo terá lugar um dos momentos mais simbólicos do certame, a tradicional Homenagem ao Campino, figura maior da identidade ribatejana, numa cerimónia que continua a ser um dos pontos altos da Feira de Maio.

Mais de um século depois da sua criação, a Centenária Feira de Maio continua assim a afirmar-se como uma das maiores referências culturais e taurinas do Ribatejo, preservando tradições, promovendo o convívio e reforçando o orgulho de uma comunidade que continua a fazer da sua identidade uma marca distintiva.

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