Aquela que “sempre” se chamará Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos, longe das modernices das “arenas” qualquer coisa e tudo e mais um par de botas, encheu à maneira antiga naquela que é a sua noite mais emblemática do ano, a Corrida de São Pedro.
Os responsáveis pela enchente, além do factor “data forte”, foram os cavaleiros Rui Fernandes e João Ribeiro Telles, mas também e muito, a presença de Diego Ventura, agora e nos últimos tempos, muito menos visto em Portugal.
Sejamos francos. O público quis ver Ventura. E viu. Diego Ventura é um portento e isto já sabemos. Ventura quer muito e isso também sabemos. A Ventura já não lhe falta nada, mas quer sempre mais…
Foi este último Diego Ventura, o que quer sempre mais, que veio ao Montijo e destaco a sua segunda exibição como a mais conseguida e completa. Nos compridos ok, mas nos curtos começou o show com uma brega a duas pistas, sempre muito em curto e a criar emoção, aproveitando que o toiro tinha um pouco mais de mobilidade. Seguiu com o Lio, o cavalo que em Redondo há uns anos atrás devolveu o seu toureiro a Portugal. Enorme, escandaloso de bom o ferro “al quiebro” que deixou com esta montada. E por último e com o Bronce, um curto e um par de bandarilhas sem cabeçada. Tanto faz o adorno, contando muito mais a soberba do par a duas mãos. Enorme. Público novamente rendido.
Frente ao primeiro foi uma luta inglória. O toiro era escasso de forças, até queria, mas não podia… Ventura insistiu, fez de um tudo e esse tudo e em excesso, por querer provocar tanto o toiro, resultou em colhida e queda, afortunadamente sem consequências. Montava o Quitasueños. Terminou com palmitos “al violin” de grande nota. Feliz passagem por uma arena que há tempo largo, é também sua.
Rui Fernandes enfrentou dois toiros com pouquíssima transmissão. Se no segundo foi o seu ofício que permitiram uma passagem muito digna pela arena, lidando na verdadeira aceção da palavra para arrancar “faena” e deixar com garbo a ferragem da ordem, no primeiro, a sua exibição foi todavia mais que isso. Brilhou, lidou, encantou e levantou o público a cada ferro, a cada pirueta ajustada, a cada remate. Lidou com o H-Quiebro e o Mistral, num registo excelente, fiel ainda assim ao seu conceito.
João Ribeiro Telles não quis ser um mero espectador e frente ao primeiro do seu lote, esteve em muito bom plano. Andou em plano diria que inteiro. Quero com isto dizer, num bom trinómio entre lide, cravagens e remates, terminando com o seu número antigo, um violino e palmo na mesma sequência, sendo muito ovacionado. Frente ao segundo, passou mais discreto, mas ainda assim tremendamente correto, com música e palmas, mas sem haver alardes de enorme triunfo e muito por culpa do oponente.
As pegas estiveram a cargo dos Grupos de Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e Aposento da Moita.
Para a cara dos toiros, vestindo a jaqueta rubra da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, foram Diogo Oliveira e Pedro Tavares, em concretizações à primeira tentativa e; Wilson Gomes, à segunda.
Na linha da frente, representando as ramagens do Aposento da Moita, estiveram o cabo Luís Canto Moniz, efetivando ao primeiro intento; André Silva, ao segundo e; António Lopes Cardoso, também à segunda tentativa.
Lidou-se um curro de toiros da ganadaria de David Ribeiro Telles e aqui residiu muito do que foi este espectáculo. Alguns touros de escassa força, outros de escassa vontade e que, quer se queira, quer não, condicionam toda a recordação que possamos ter, ou não, deste espectáculo…
Estavam em disputa prémios para a Melhor Lide, ganho por Diego Ventura pelo seu labor ao quinto toiro da ordem e; para a Melhor Pega, ganha por António Lopes Cardoso, do Aposento da Moita, pela pega feita ao sexto David Ribeiro Telles da noite (o júri foi composto por Abel Correia, Nuno Santana e Vasco Ribeiro).
O festejo foi bem dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Ricardo Dias, assessorado pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz.






































































Fotos: João Dinis
