Salvaterra de Magos e a sua central praça de touros, continuam a reunir as atenções dos aficionados da zona. Era por demais evidente que na bancada, as presenças eram as da terra, as da região e daí não resulta mal, muito pelo contrário. O Ribatejo afirma-se cada vez mais como o epicentro da tauromaquia portuguesa. Três quartos de entrada, numa noite que no seu conjunto resultou agradável.
O regressado e veterano João Salgueiro era o cabeça de cartaz de um elenco equilibrado no que a conceitos diz respeito. A sua presença, por ser rara nos últimos anos, continua a ser, acredito, um chamariz para quem não conheceu a sua juventude, mas também um chamado aos saudosistas que viram o “tudo” que foi João Salgueiro. Foi chama, foi tremendismo, foi intensidade, foi diferença… Continua a sê-lo mas, obviamente sem a “rodagem” de outros tempos. Isso notou-se na lide do primeiro touro. Em Salvaterra, como em Vila Franca, como na Nazaré… foi assim. Ainda que sem muitos compromissos anunciados, a verdade é que já se percebeu o “modus operendi” e quando assim é, quando a previsibilidade existe… No primeiro do seu lote, andou bem, com ladeios e evidente experiência perante um andarilho incómodo. No segundo e depois dos compridos, o seu cavalo dos sucessos e três curtas de levantar o público da bancada, revivendo-se as “paradinhas”. Foi isto, Salgueiro foi embora, deixa água na boca, mas também deixa a sensação de “trabalho incompleto” perante quem se esforça por acompanhar.
A Ana Batista nota-se sempre o profissionalismo, mas em casa, esse profissionalismo é acrescido de responsabilidade. Frente ao primeiro cumpriu com dignidade, regularidade e correção perante um astado que não era franco; frente ao segundo, houve mais “conforto” acompanhado de inspiração, boas reuniões e ferros de qualidade. Boa atuação e que fez Salvaterra vibrar com a toureira da terra.
Marcos Bastinhas era o terceiro ginete anunciado. Depois das tempestades últimas que marcaram a sua vida, chegaram os tempos que acredito serem ainda de desafios, mas de uma autoconfiança que a ninguém passa indiferente. Ao ver Marcos, lembro-me de outros tantos casos que ao longo da história da tauromaquia marcaram uma posição diferente, carismática e singular. Marcos é isto, é carisma, agitação, ritmo e diferença. Chega para marcar e isso é bom nos tempos de apatia que atravessamos. Faz o seu “jogo” e que não é igual ao de ninguém. Frente ao primeiro pôde ser mais rotundo e “redondo” pelas condições de lide que lhe ofereceu o “inimigo”. Atuação completa, marcada pela receção do touro à porta gaiola, os compridos, os curtos rematados com piruetas, terminando com um par de bandarilhas de grande nota. Ao ver o segundo ser devolvido aos currais, esperou o sobrero com o mesmo afinco e pronto a marcar, contudo, esse sobrero teve, como outros, um comportamento e potabilidade que exigiam “credenciais” e mais leitura… Bastinhas leu, entendeu e depois de alguns momentos de pureza e dureza, seguiu para o seu conceito espetacular, voltando a cativar um público que vibrou com a sua impactante estadia na arena. Foram dois os pares e até um violino… Num momento em que para mim as referências paternas nunca farão parte do passado mas cada vez mais o presente, vi ali, muito de um toureiro que marcou não só a vida de Marcos Bastinhas, mas de todos quantos são aficionados. O Pai…
As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados Amadores de Santarém e Coruche.
Para a cara dos toiros, envergando a jaqueta dos Amadores de Santarém, foram Francisco Paulos, numa efetivação ao segundo intento; Domingos Lebre, ao quarto e; Manuel Canto, à segunda tentativa.
Na linha da frente, representando os Amadores de Coruche, estiveram Afonso Freitas e Frederico Pinto, em concretizações à primeira e única entrada e; João Formigo, ao segundo intento.
Lidou-se um curro de touros da ganadaria de Foro do Almeida, havendo de tudo no que a esta matéria concerne. Touros cumpridores, mas alguns, com tónica mais agudizada de mansos que apesar de tudo se deixaram. No que diz respeito à apresentação, houve também dissemelhança, com alguns dos astados a resultarem bem mais rematados que outros, ainda que a diferença na balança não o revelasse.
O festejo foi dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Marco Cardoso, assessorado pelo Médico Veterinário, José luís Cruz.
Nota: Durante o intervalo foi prestada Homenagem a Dr. João José Oliveira e Sousa, ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos.
Fotos: João Dinis









































































































