Não faltava nada a Abiul para que fosse um verdadeiro marco de identidade das gentes do centro no que à tauromaquia concerne. Mas afinal faltava… Faltava um grupo de forcados. Foi esta a resposta dada pelo público abiulense que orgulhosamente ocorreu ao chamado mais que justificado. Praça cheia. Foi uma tarde de entrega, de festa, de início de história, ou tão-só, de um novo capítulo de um livro com muitas páginas lidas, mas todo um compêndio ainda por construir.
Estreou-se uma jaqueta de ramagens marcadas pelo verde que aponta a esperança de uma Festa com futuro e de uma flor rubra que simboliza a alma colorida de um forcado. Alguns rostos conhecidos, outros que o tempo revelará, sobretudo se os homens o permitirem… afinal, o sol quando nasce é para todos, os holofotes também.
Quatro pegas a toiros de Varela Crujo, com trapio dentro do recomendado para este tauródromo, com alguns destaques positivos, como o segundo, premiado com volta à arena por parte do seu criador.
Voltemos ao debute do Grupo de Forcados Amadores de Abiul. Sem inventar, sem procurar brilhantismos ou bicos de pés, foram para a cara dos toiros: Hélder Serra, Rodrigo Parker, Fábio Sousa e Hélder Parker, cabo da formação. Grande ambiente, muita emoção e um passo mais no fomento da afición.
Luís Rouxinol lidou o primeiro e quarto exemplares do festejo, respetivamente, e fê-lo com esforço para agradar. Nem sempre as sortes resultaram o mais cingido possível, mas, sempre a dar a cara e a “servir-se” da sua experiência para dar ao público outros atributos que ainda mantem. Compridos deixados de forma regular, de quando em vez ladeios e destaque para o par de bandarilhas e palmo a encerrar a sua segunda exibição.
Marcos Bastinhas continua a perseguir o êxito e nenhum público é inconquistável para ele. Abiul não foi exceção e se a primeira actuação foi já com uma aura de festa, a segunda “terminou de rebentar com o quadro”. Marcos atingiu um ponto de maturidade que se regista com agrado, deixando a ferragem da praxe sempre com história e a desempenhar um papel – original. Houve violinos, palmos, pares de bandarilhas, de tudo… e para todos os gostos, numa tarde também de reencontro com Abiul.
Diogo Peseiro completava o espectáculo que por tradição, era misto. Cumpriu perfeitamente em capote, sendo que o segundo foi recebido com duas largas afaroladas de joelhos em terra. De muleta, passes por ambos os pitons, com tremendismo, com desplantes, com emoção. Contudo, o momento alto e aquele que marca intenções em Abiul, esteve por conta dos pares de bandarilhas deixados com enorme solvência, com aparente facilidade e até, com faculdades físicas apreciáveis por parte do diestro. Agradou e não defraudou.
O espectáculo foi dirigido pela Delegada Técnica Tauromáquica Sandra Strecht, coadjuvado pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz.
Fotos: João Dinis












































































































































