A Câmara Municipal de Mourão veio a público esclarecer as recentes questões levantadas em torno das obras realizadas na Praça de Touros local, manifestando “profunda estranheza e legítima indignação” face a críticas surgidas apenas após a conclusão da intervenção.
Segundo o município, a obra consistiu exclusivamente na construção de curros, uma infraestrutura até então inexistente, com o objetivo de “assegurar o cumprimento da legislação em vigor, bem como garantir as condições adequadas de bem-estar animal, colmatando uma lacuna antiga daquele equipamento municipal”.
O projeto foi previamente submetido e aprovado pela entidade fiscalizadora competente, a Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC), sem qualquer reparo. A autarquia sublinha que todo o processo decorreu “de forma rigorosa, integral e de boa-fé, em estrita conformidade com o projeto aprovado e com o respetivo aval institucional”.
A intervenção representou um investimento de cerca de 70 mil euros, assumido pelo município “com responsabilidade, transparência e no exclusivo interesse público”, visando resolver uma situação antiga e assegurar melhores condições no equipamento.
Contudo, após a conclusão da obra, surgiram novas exigências técnicas, como a necessidade de sombreamento da zona dos curros e o revestimento em acrílico das barreiras de proteção. A autarquia considera estas exigências “desprovidas de qualquer sentido prático ou funcional”, argumentando que a tradicional corrida de touros de Mourão decorre em fevereiro, “em pleno inverno, não se vislumbrando qualquer necessidade objetiva dessa natureza”.
Perante esta situação, o município admite preocupação quanto às motivações destas novas indicações, referindo que a atuação pode “configurar uma tentativa de criar entraves à realização de espetáculos tauromáquicos ou um ataque dissimulado a uma tradição profundamente enraizada na comunidade de Mourão”.
Ainda assim, a Câmara Municipal reafirma a sua disponibilidade para o diálogo institucional, garantindo que continuará a defender “o interesse da população, a boa gestão dos recursos públicos e a legitimidade de uma obra realizada em cumprimento da lei”.
A autarquia conclui sublinhando que a população “tem o direito de ser informada de forma clara e transparente sobre estas matérias”, assumindo este esclarecimento como parte desse compromisso.

