Já me perguntei muitas vezes o que se passa comigo relativamente às minhas expectativas em relação a certos cartéis, a certos elencos… De quando em vez falta-me o entusiasmo e atribuo tal facto às repetições excessivas, ao “mais do mesmo” e até ao “conforto” que se sente em certos toureiros.
Irrita-me quando o pai, o apoderado, o amigo bate nas costas do toureiro, dando o aval a certas medíocres exibições que se veem por aí.
Mas em Vila Franca houve uma série de outras respostas. Não que as repetições não existam. Não que o conforto dos cavaleiros não seja uma realidade, mas, reafirmou-se que por vezes, diria, com frequência, falta a mais mágica das “peças”. O toiro!
Vila Franca foi um exemplo do que é viver a Festa na sua amplitude máxima. Quando há toiro, há emoção, há vibração, há ligação entre a arena e a bancada… não há calor, não há frio, há interesse e há vontade de estar ali, mais e mais…
Mas pode ainda acrescentar-se que, quando há toiros, ficamos a saber se há toureiros. Ali dentro, com um toiro a sério, “ou se tem ou não se tem” – argumentos!
Este fim-de-semana, descobri dois toureiros. Sentido figurado, como é lógico, mas descobri-os. Não se acanham. Não têm medo “visível”, sentem, improvisam, lutam (no bom sentido da palavra), aproveitam cada minuto na arena e não nos fazem sentir que nos estão a fazer um favor.
Neste fim-de-semana, renovei as esperanças no término do marasmo em que vive a tauromaquia lusa. Parreirita Cigano e António Prates, deram-me vida, vida de aficionada, vida de querer vê-los sem bocejar, sem olhar para o relógio. Vê-los com toiros que os agigantem.
Digo-o com a tranquilidade de quem não ganha nada com o que vou dizer. Espero sinceramente que os empresários os premeiem com cartéis de compromisso, em palcos de visibilidade e que não andem à mercê do favorzinho ou do lobby.
Só isto pode salvar a tauromaquia. Toiros a sério e toureiros com sentimento e vontade.

