É uma pena que a Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos esteja desta forma.
Não é de agora, nem tão pouco de hoje, mas a verdade é que o Montijo e a sua afición, sendo um dos epicentros da tauromaquia nacional, estão a passar por uma crise quiçá de identidade, de vontade e aqui entra a responsabilidade dos empresários… É necessário enfrentar este “problema” com arrojo, com matéria distinta e algo mais de visão, ponderação e tantas coisas mais…
Se o papel na parede e a publicidade nas redes sociais não chegam, há que fazer mais por uma praça que parece interessar a tantos empresários e que depois…
Um terço de entrada (com boa vontade na análise), zero ambiente e até frio… Corrida aborrecida mesmo e quando um dos aliciantes era a mudança de cabo de um dos grupos da terra, os Amadores do Montijo. Rouxinol é também de uma localidade próxima e como é sabido por todos, o Grupo de Montemor que habitualmente arrasta a sua falange de apoio e desta-feita…
Pois bem, há que pensar bem no que fazer, ou não fazer, em certas datas.
Despediu-se José Pedro Suissas, Cabo dos Amadores do Montijo, pegando o primeiro toiro do lote de três destinados à formação montijense, ao primeiro intento. Passou o testemunho a Ricardo Parracho e foi justamente passeado em ombros pelos seus colegas, ao som do pasodoble “Amadores do Montijo”.
As restantes pegas com a jaqueta do Montijo, foram efetivadas por Ricardo Parracho, à primeira tentativa e; Joaquim Consolado, à segunda.
O Grupo mais antigo em praça, o de Amadores de Montemor, “lançou” para a cara dos toiros os forcados Bernardo Batista; Miguel Casadinho e; José Maria Cortes, em efetivações ao primeiro intento.
João Ribeiro Telles foi autor de duas distintas passagens pela arena da Amadeu Augusto dos Santos. A primeira, mais discreta ainda que digna. O primeiro toiro foi recebido à porta gaiola, sendo que a escassez de transmissão e o fato do público estar frio, não ajudaram a que houvesse acoplamento à função na qual reapareceu o cavalo Ilusionista. Com ele, Telles deixou três bandarilhas, sendo a primeira quiçá a mais destacada, mas “longe” do bom dueto de outras jornadas.
Frente ao segundo, um Passanha que quis, houve boas abordagens ao oponente, bons curtos com ligeira batida, brega alegrada com ladeios e remates das sortes. Atuação muito aplaudida.
Francisco Palha voltou ao seu habitual nível frente ao segundo do seu lote e voltou, porque frente ao primeiro as coisas não resultaram redondas. Algumas passagens em falso e um ferro falhado, retiraram brilho a uma prestação pouco colorida. Regressamos ao quinto da ordem e aqui sim, houve Palha na sua essência, a valorizar o momento da reunião mas também, a dar nota do seu “diferente” conceito de lide. Esteve bem, sendo neste momento sim, muito ovacionado pelo público.
Luís Rouxinol Júnior protagonizou duas lides muito igualadas no que a resultado artístico diz respeito. Em ambas andou alegre e ritmado, com bons ferros e uma brega dominadora. Terminou a sua passagem pelo Montijo com dois palmitos de boa nota, estando no geral, em tom agradável.
Lidou-se um curro de toiros da ganadaria Passanha, igualado em apresentação e que na generalidade não incomodou os toureiros, mas também não ofereceu o público “exagerada” transmissão.
Tarde onde a primeira parte foi um aborrecimento e a segunda, num registo pouco mais que “benzinho”, o que é manifestamente pouco para segurar os aficionados.
O festejo foi bem dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Ricardo Dias, com assessoria no sector veterinário de José Luís Cruz.
Fotos: João Dinis










































































