Sempre levei muito a sério todas as promessas aqui feitas.
O TouroeOuro, nunca escondi, é um dos meus amores maiores. Amor virtual, é certo, mas verdadeiro, honesto e pelo o qual sempre assumi fazer tudo o que estivesse ao meu alcance…
Sonhei esta temporada fazer-lhe a “festa” de aniversário digna da sua chegada à adolescência. Quinze anos não são quinze dias. Repito, sonhei, perspetivei, planeei uma série de ações que marcassem o momento de maturidade em que se encontra este órgão de comunicação, mas eis se não quando, a vida me trocou as voltas e me fez entender, que os sonhos podem não ser concretizáveis…
A doença completamente inesperada do meu Pai, roubou-me o foco, concentrou-me nas verdadeiras prioridades da vida, e sobretudo, nas prioridades e responsabilidades que os amores agigantados acarretam…
Dar amor foi muito mais importante que informar. Perdoem-me por isso, mas estou certa de que entenderão…
Todo este processo profundamente doloroso e que é acompanhar a dor física e psíquica de alguém que amamos ao expoente máximo, transforma-se na nossa razão de viver, no ar que respiramos e no pânico que pode ser uma ausência nossa no momento errado. O medo do milésimo beijo do dia não dado, do milésimo “adoro-te” não dito, afasta-nos do mais emblemático cartel…
O meu Pai, certo de que amo a festa dos touros, pediu-me muitas vezes que não deixasse de ir aqui ou acolá. Acreditem, fui por ele… mas foi o corpo, a alma ficou junto dele.
Hoje e desde há exatamente uma semana, não o tenho fisicamente, mas entendo melhor o que é respeitar por amor. Conto-Vos. O meu Pai nunca foi um profundo aficionado. Gostava de ir a Espanha, sentia de resto alguma afinidade pelo tempo que viveu no país vizinho, mas, fez tudo o que pôde e não foi pouco, para me alimentar a aficion. Nunca a castrou ou nunca tentou que mudasse de direção.
Respeitou por amor… e agradeço hoje, agradeci ontem e agradeço há 47 anos por me ter dado a oportunidade de ser quem sou, de viver o tanto que vivi, de trocarmos as nossas férias num qualquer idílico destino pelas praças do nosso país e de Espanha e por… respeitar por amor!
Por ter sido assim, pelo “investimento” feito nos meus gostos, sonhos e paixões, devo-lhe voltar depressa e voltar com tudo, agora e sempre, muito bem acompanhada de uma força, todavia, maior!
Obrigada Pai, por tudo!
