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Campo Pequeno – Só “deu” Morante!

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By Solange Pinto on 17 de Julho, 2026 Crónicas, Destaques
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O Campo Pequeno não foi, não é e nunca será uma praça de touros qualquer. Trocam-lhe o nome, trocam-lhe até o objecto principal de existência, mas jamais poderão apagar uma história feita de muitos triunfos, de noites mágicas e das que contavam. Sem favores, sem mandos extras e mesmo que os houvesse… Mandar numa de vinte corridas é uma coisa, uma em quatro, é outra…
Reduzido a quatro espectáculos apenas, ontem, a Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, foi palco de uma corrida de touros mista. Esgotou e este é o primeiro triunfo. Mas seria normal que assim fosse, ou não? Mal seria que em quatro festejos apenas e quando se apregoa que é o mais importante tauródromo do país não se vendesse até ao último bilhetito.

Romantizando, também seria expectável que ao se anunciar uma das duas mais icónicas figuras do toureio a pé do momento, o papel pudesse acabar rapidamente. Tudo normal e aqui, zero notícias ou novidades. No entanto, destaco o tom festivo em que decorreu o festejo, com palmas para tudo, para todos, pedidas por tudo e por todos. Se isto é bom ou mau…

António Ribeiro Telles e Fermín Bohórquez lidaram dois touros de Murteira Grave, cujo trapio foi absolutamente inegável. Sérios, bonitos… O primeiro serviu, o segundo, praticamente igual. O ganadeiro foi premiado com volta à arena aquando do término do segundo da ordem de lide.
Quanto aos ginetes, dois conceitos distintos e ambos super válidos. E novamente ambos cumpriram e repito, em tom festivo por parte do conclave, disposto a divertir-se, ponto!
António Telles com o seu conceito clássico, Fermín Bohórquez ao mais puro estilo campero, terminando com dois pares de bandarilhas, tudo o resto não foi muito e não foi muito mais. O rejoneador fez o gosto ao dedo por voltar a uma arena em geral e ao Campo Pequeno em concreto, e assim fez-se mais um toureiro feliz. E é isso que importa.

As pegas foram efetivadas pelos forcados Francisco Graciosa (cabo), ao primeiro intento e, Salvador Ribeiro de Almeida, ao segundo, mas com qualidade ao mais alto nível. Ambos do Grupo de Forcados Amadores de Santarém.

A noite foi e esteve concentrada no toureio a pé. Dois aliciantes: o génio distinto que é Morante e a promessa do toureio a pé que é Tomás Bastos.

Começo pela promessa. Tomás Bastos lidou reses de La Cercada (recordo que estavam anunciadas reses de El Freixo), sendo ambas cómodas no que a trapio concerne, mas, com faenas possíveis, com distinção positiva para o segundo do seu lote. Se no primeiro a coisa passou discreta, no segundo, Bastos cresceu e conseguiu duas ou três séries de qualidade. E foi esta a história, adicionando-se ainda o facto de ter bandarilhado em resposta ao gesto do génio com “los palos”.

Voltemos ao génio, “fardado” à antiga, obviamente de luces… o traje não foi a única coisa diferente. Morante de La Puebla é todo ele um ser singular e sente-se que de bem com a vida e com o toureio. Se frente ao primeiro havia já mostrado algo que deixava bom pronúncio, frente ao segundo, fez o que quis dele próprio, do touro e do público. Bem mas bem, inspirado, com a sua costumeira arte e recursos técnicos por todos os poros. Destaca-se também a simpatia de ter bandarilhado, a verguenza de emendar um meio par. Tudo a sério, com valor e disposição. Público em êxtase total e uma porta grande que não choca, muito pelo contrário.
Morante lidou dois touros de Álvaro Núñez, a suscitar um ou outro leve “pito”. Os toiros tinham talvez escassez de cara, mas…

O festejo foi dirigido de forma quiçá exageradamente benevolente pela Delegada Técnica Tauromáquica Lara Gregório de Oliveira, assessorada pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz, tendo sido cumprido um minuto de silêncio em memória daquele que foi o médico do Campo Pequeno por muitos e bons anos, bem como pelas vítimas do terramoto ocorrido na Venezuela.

Fotos: João Dinis

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