Este é um cartel que o Campo Pequeno gosta, salve-se, claro está, a personificação do tauródromo lisboeta.
Esgotou quatro dias antes e até aí tudo normal… dois dos melhores ginetes destes tempos e uma jovem promessa, onde se “apostam todas as fichas”. Pese embora todos os predicados do elenco e não são, nem foram poucos, a verdade é que o tom de Festa tão próprio de uma alternativa agradada a um público que em Lisboa, mais que nunca, é global e “generalista”.
O público não terá saído preenchido na sua totalidade, mas sim parcialmente, sobretudo se em conta tivermos que Duarte Fernandes foi protagonista máximo e “quase” isolado do triunfo.
Chama-se precisamente Triunfador o touro que serviu de “companheiro” ao triunfo de Duarte. Foi colaborante e diga-se que o toureiro levava a aura das grandes noites. Esteve magistral na lide primeira da sua carreira de profissional, fazendo de tudo, redondeando e bem uma exibição para o “recuerdo”. Enorme desde os compridos, os curtos, os ladeios, os remates. Cada gesto, cada passo seguro, cada pirueta e foram muitas, ajustadas, arrimadas. Brindou ao seu avô e tio Rui Fernandes. Foi dele o apadrinhamento. Testemunha Diego Ventura. Tudo foi desenhado ao mais pequeno pormenor, tudo cheirou a história, a que ficou atrás e a que virá por diante.
Saiu em ombros o mais jovem cavaleiro de alternativa. Saiu depois de uma segunda atuação de grande nível também, brindada aos seus pais e irmã, a família que não o larga e que lhe dá aconchego e que bem se pode orgulhar… A segunda prestação foi demonstrativa da panóplia de soluções existentes no cardápio do novo Fernandes. Terminou uma prestação boa, em tom novamente de triunfo com vários palmos em sorte de violino.
Rui Fernandes está num momento de maturidade impressionante e para si, os toiros já não têm segredos. A primeira atuação teve por diante um toiro mansote, sem se empregar e reservado. O segundo, foi pouco melhor e em ambas, o mais velho dos Fernandes conseguiu dar volta ao texto, com experiência e sapiência própria dos anos que leva nisto. Bons ferros, remates, ladeios, balancés, tudo… Pena os oponentes não se prestarem à luta, retirando euforia maior.
Cumpria nesta mesma noite, 28 anos de alternativa. Não é pouca coisa…
Diego Ventura teve duas passagens discretas por Lisboa e arrisco em dizer, que não foram as sonhadas, sendo prova disso a recusa das voltas à arena, provando que um toureiro é feito também de gestos humildes e de autocrítica. Os toiros não colaboraram. Zero! Houve apontamentos diversos, ferros conseguidos, brega a duas pistas, mas tudo aquém do esperado. Terminou a sua passagem pelo Campo Pequeno com um ferro deixado pelo seu cavalo Bronce, sem cabeçada e um público que foi simpático consigo e acarinhou, pese embora o rejoneador tenha passado distante do triunfo que se adivinhava.
As pegas estiveram por conta dos Grupos de Forcados do Aposento da Moita e Amadores de Turlock.
Vestindo a jaqueta do Aposento da Moita, foram na linha da frente, o cabo, Luís Canto Moniz, à primeira tentativa, António Lopes Cardoso, à segunda e; André Silva, ao primeiro intento.
Na cara dos toiros, vindos do outro lado do oceano, com as “cores” de Turlock, pegaram de caras, Morais Rocha, ao quarto intento, a sesgo e a tentar surpreender o toiro; Joey Ferreira e Fábio Vieira, à primeira tentativa.
Lidou-se um curro de touros da ganadaria de Maria Guiomar Cortes de Moura, com peso e trapio dentro daquilo que é o tipo de encaste, mas que em comportamento se apresentou diversificado, com o primeiro touro a destacar-se pela positiva face aos restantes. Os maus condicionaram negativamente o desenrolar do festejo.
O espectáculo foi dirigido com correcção pelo Delegado Técnico Tauromáquico Ricardo Dias, assessorado pelo Médico Veterinário, Jorge Moreira da Cruz, sendo que se cumpriu um minuto de silêncio em memória de António José Zuzarte, antigo e valoroso forcado da formação montemorense.
Fotos: João Dinis

























































































































