Vivem-se dias de Setembro, atípicos pelo calor, mas há que aceitar as alterações climáticas tal e como nos se apresentam, bem como outras tantas e drásticas mudanças na nossa vida… A célebre IA (Inteligência Artificial) já chegou à tauromaquia, já faz cartazes, vídeos, cenários… mas não toureia e essa é a parte boa. A parte má, é a proliferação de capacidades da IA. Transformar a vida dos humanos em robótica, parece ser o perigo iminente e há até já quem aposte no fim rápido da humanidade. A mim não me espanta mesmo nada. O que ainda não mudou e a mudar será quiçá para pior, é o aperto económico inerente ao mês de Setembro… há menos dinheiro para ir aos toiros. Os pais têm despesas avultadas com o regresso às aulas dos seus meninos e os ordenados dos portugueses, não acompanham os apelos financeiros…
A Feira Taurina da Moita foi por isso sempre muito castigada, pese embora a qualidade que possa exibir na sua cartelaria. Não vou comentar os elencos deste ano, nunca o fiz antes da realização de qualquer certame de forma a não influenciar ou para disso não ser acusada, mas, digo apenas que, a qualidade e imponência dos cartéis, são os únicos fatores que podem conduzir a bons resultados.
É certo que o nosso país de quando em vez surpreende. Quem nunca pensou que o cartel “a” ou “b” não reuniam preferência e depois, surpreendeu com larga entrada. Mas o seu contrário também existe. No entanto, o padrão para os bons resultados de bilheteira, são as ideias bem alinhadas, a junção de vários fatores e sobretudo, a imaginação para se fazerem coisas que ainda não foram feitas. Ah, e já agora, é necessário cuidar os pormenores, esses que a IA não conseguirá fazer por ninguém, como por exemplo, palcos apelativos, bem cuidados, limpos, com condições de conforto.
Felizmente, a IA ainda não chegou ao toureio propriamente dito e o toiro, embora com muitas reações previsíveis e manipulações em exagero, ainda e de quando em vez, tem a capacidade de trocar as voltas e fazer com que o toureiro tenha de improvisar e provar que afinal, tem alguns de diversos predicados: vontade, saber, experiência, sentimento e sobretudo, capacidade de improviso perante a leitura do momento.
A IA será capaz de identificar factos marcantes deste ano. Por exemplo: que Portugal não o fez, mas que em Madrid, naquela que é a mais importante praça de touros do mundo, se evocou João Moura; que o mesmo toureiro, depois de passados os seus 65 anos de vida, ainda irá a Sevilha; que temos mais um matador de touros chamado Tomás Bastos e dois cavaleiros de alternativa, com o seu piri-piri, como Duarte Fernandes e em breve, Luís Pimenta, mas jamais conseguirá determinar quem se perfila como absoluto triunfador da temporada, pela sua regularidade nos triunfos, mas sobretudo, pela sua capacidade estranha no toureio: Miguel Moura.
Aguarde-se e perceba-se… e depois não digam que a Inteligência é Artificial.
