Não é uma praça qualquer… A “madura” Praça de Touros Palha Blanco, esta temporada a cumprir os seus bonitos e respeitosos 125 anos de existência, voltou a abrir as suas portas para o tradicional festejo de terça-feira à noite, integrado na Feira de Outubro.
À Palha Branco, como a qualquer “senhora” com uma vida “feita”, são permitidas manias, exigências e sobretudo seriedade… E respeito por parte dos intervenientes…
O cartel da agradável noite de touros, foi composto pelos cavaleiros João Salgueiro, João Moura e António Prates, com touros de Veiga Teixeira.
As pegas estiveram e como de resto é habitual, a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, que sozinho pegou a corrida. Esta noite, escrevendo uma página mais da sua história, com a mudança de cabo. Vasco Pereira passou o testemunho a Rodrigo Dotti. Não só por isto, mas também por isto, a Praça de Touros de Vila Franca registou uma entrada que se aproximou dos três quartos de lotação preenchida, talvez algo mais.
Comecemos por aqui, ou seja, pelas jaquetas daquele que é um dos melhores grupos de forcados portugueses. A jaqueta vilafranquense tem prestígio assente em créditos firmados e é parte importante da terra plantada à beira Tejo.
A primeira pega foi magnificamente executada por Rodrigo Andrade, com uma enorme e valorosa ajuda de Rodrigo Dotti e assim continuou, em quatro primeiras ajudas de grande importância, dando o novo cabo, volta no último. Consumou ao primeiro intento. A segunda, foi efetivada à segunda tentativa por Lucas Gonçalves.
Vasco Pereira despediu-se ao terceiro da ordem, com uma boa pega ao primeiro intento e a sua costumeira segurança diante dos touros, dando volta com o cavaleiro e seguidamente, em solitário com o tauródromo a aplaudir de pé.
Seguiu-se Vasco Carvalho, pegando à segunda tentativa; Guilherme Dotti, à quarta e; Rodrigo Camilo com um pegão ao primeiro intento e uma soberba ajuda, novamente de Rodrigo Dotti.
João Salgueiro foi autor de uma promessa atuação capaz de provocar um misto de sensações. Se é certo que houve bons curtos, dois ou eventualmente três, diria, também é certo que houve excessiva intervenção de bandarilheiros e uma desconexão inicial… Por tudo isto a direção de corrida atribuiu musica num momento já desajustado, sendo que o ginete saiu da arena exactamente nesse momento.
Frente ao segundo do seu lote a história foi outra, mas não melhor… O toiro desta feira tinha lide (se quisermos acreditar que alguns não têm…) e Salgueiro não a deu. Escassos recursos e uma passagem sem… Nada que contar ou pelo menos, nada positivo para quem foi a Vila Franca ver tourear…!
João Moura Júnior teve por diante como primeiro do seu lote, uma verdadeira “rolha” incapaz de fazer brilhar qualquer cavaleiro. O astado esteve sempre muito mais preocupado com o que se passava entre barreiras e até mesmo na bancada, por onde circulam pessoas a qualquer momento do festejo (aspecto a cuidar para bem de todos…). Moura cravou a ferragem da praxe com correção e ofício e apenas isso. Lide sem música e sem premio de volta à arena.
Frente ao segundo do seu lote, João Moura Júnior esteve em fabuloso plano… Cravou o primeiro comprido em sorte de gaiola, bem, seguindo para uma série de bandarilhas curtas em modo “recital de brega”. Primeiro com batidas, atacando o touro de largo, depois, com brega duas pistas, poderosa e actuar alvoroço nas bancadas. Terminou com um palmito e o público rendido. Soberbo touro, aplaudido aquando do seu regresso aos currais, sendo atribuída a volta ao maioral.
Moura junior brindou a Benito Moura percebendo-se no término da sua atuação que era a última corrida deste toureiro de prata, sendo o próprio Moura Júnior a cortar a cera ao seu primo.
Bem, muito bem esteve António Prates frente ao primeiro touro da primeira parte do espetáculo com alguma portabilidade e que o ginete não desperdiçou. Boa receção do oponente, a lidar em curto e sempre muito ligado. Bons compridos a que se seguiram execionais curtos, com brega de excelência e remates das sortes vistosos. Musica merecida, volta e ovação cerrada.
O segundo do lote de Prates e último touro do festejo foi recebido à porta gaiola, com o toureiro a querer prender a atenção do estado desde início. Tudo o resto continuou a ser bem feito, com ferros em resultado de reuniões ajustadas, sem invenções e com mérito. Feliz passagem por Vila Franca que parece ter adoptado um novo cavaleiro.
Lidou-se um curro de touros magnificamente apresentado da ganadaria de Veiga Teixeira. Houve exemplares díspares em comportamento na sua generalidade a emprestar pouco ao espectáculo, com exceção para o quinto, mais voluntarioso.
A Rúben Fragoso, Director Técnico Tauromáquico e José Luís Cruz, Médico Veterinário, coube dirigir o festejo com início numa homenagem prestada pelo Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca ao antigo e novo cabo da formação da terra. A este tributo juntou-se também o Grupo de Forcados de Turlock.
Fotos: João Dinis


















































































































