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Vilafranquenses querem acabar com concertos no Cevadeiro e devolver Colete Encarnado ao centro da cidade

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By Redação on 26 de Outubro, 2026 Destaques, Noticias
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A maioria dos participantes numa sessão pública dedicada ao futuro do Colete Encarnado defendeu o fim dos grandes concertos no Cevadeiro e a concentração da programação musical no centro de Vila Franca de Xira, numa aposta na recuperação das tradições ribatejanas e na valorização da figura do campino. As propostas vão servir de base a um regulamento que a coligação Nova Geração, constituída pelo PSD e pela Iniciativa Liberal, pretende apresentar à Câmara Municipal.

A sessão, realizada no passado dia 20 de outubro, no Clube Vilafranquense, reuniu cerca de 150 pessoas, entre tertulianos, representantes de associações, jovens e outros cidadãos, que durante quase três horas discutiram o futuro de uma das festas mais emblemáticas do Ribatejo.

Segundo o relatório elaborado pela Nova Geração, os participantes convergiram na necessidade de preservar a identidade tradicional do Colete Encarnado, defendendo que a festa deve continuar a ter como elementos centrais os campinos, os toiros, as tertúlias, o fado, o folclore e a música popular portuguesa.

Uma das conclusões mais expressivas da sessão foi a contestação ao modelo de grandes concertos no Cevadeiro, que, segundo vários participantes, contribui para a descaracterização do Colete Encarnado, afasta os visitantes do centro da cidade e prejudica o comércio tradicional.

Entre os argumentos apresentados estiveram a perda de movimento comercial na Avenida Pedro Victor e nas ruas envolventes, a concentração de público fora do núcleo tradicional da festa e os incidentes registados no final da noite.

Apenas um participante defendeu a manutenção dos grandes concertos no Cevadeiro, invocando razões de segurança, por considerar vantajosa a concentração de público num espaço delimitado.

Em resposta, outros intervenientes argumentaram que, com uma programação musical adequada à identidade do Colete Encarnado, o centro da cidade tem condições para receber os visitantes.

Em alternativa, foi defendida a criação de vários palcos de menor dimensão, distribuídos por locais como o Largo da Câmara, Largo do Tribunal, Mercado Municipal e antiga Escola do Adro, com horários coordenados para evitar a sobreposição de espetáculos.

A programação deverá privilegiar o fado, os ranchos folclóricos e a música popular portuguesa, permitindo que os visitantes circulem pelas diferentes zonas da cidade e contribuam para a dinamização do comércio e da restauração.

A possibilidade de limitar os géneros musicais, porém, não reuniu consenso. Alguns participantes defenderam uma programação exclusivamente ligada às tradições, enquanto outros alertaram que afastar os estilos musicais preferidos pelos jovens poderá prejudicar a renovação do público da festa.

Um dos jovens presentes resumiu a necessidade de conciliar tradição e renovação com a expressão “modernizar sem descaracterizar”.

Desfile de campinos deve recuperar autenticidade

O desfile de campinos foi outro dos temas que suscitou críticas e propostas de alteração.

Vários participantes consideraram que o desfile tem perdido autenticidade, apontando situações de participantes com trajes inadequados, veículos pouco cuidados e pessoas a consumir bebidas alcoólicas ou a utilizar sistemas de som próprios.

Perante alguns desses comportamentos, um dos intervenientes afirmou que “isso não é um desfile”, numa crítica à forma como a homenagem ao campino tem vindo a decorrer.

Entre as propostas apresentadas está a criação de regras mais rigorosas para os trajes dos campinos, cavaleiros e restantes participantes, bem como critérios de participação e fiscalização que garantam o respeito pelas tradições ribatejanas.

Foi igualmente sugerida a atribuição de prémios aos carros e cavaleiros mais bem apresentados e a realização da homenagem ao campino junto ao respetivo monumento, onde existe maior espaço para o público assistir.

A separação entre o desfile de campinos e o desfile das tertúlias foi também discutida, embora não tenha reunido consenso, com alguns participantes a defenderem a manutenção do modelo atual.

Largadas devem manter horários e percursos

As esperas e largadas de toiros, consideradas elementos fundamentais do Colete Encarnado, estiveram igualmente em discussão.

Os horários das esperas de sábado e domingo não suscitaram oposição, mas foi apresentada a proposta de transferir a largada de sexta-feira das 18h00 para as 22h00, permitindo a participação de quem trabalha durante o dia.

A alteração encontrou resistência devido a preocupações relacionadas com a iluminação das ruas, o consumo de álcool e a segurança dos participantes.

Também foi sugerida a inversão do sentido das largadas ou a descarga de parte dos toiros junto à estação ferroviária, mas estas propostas enfrentaram forte oposição.

A maioria das intervenções defendeu a manutenção do formato atual, apostando antes na melhoria da qualidade dos toiros e numa maior diversidade de ganadarias.

Foi ainda proposta a alteração do horário da atividade taurina infantil de sábado, atualmente realizada ao meio-dia, devido à exposição das crianças ao calor.

Tertúlias devem manter papel central na festa

O papel das tertúlias foi amplamente valorizado pelos participantes, que defenderam a sua continuidade como espaços de convívio, hospitalidade e preservação das tradições.

No entanto, foram também identificados problemas relacionados com a proliferação de espaços improvisados de venda de bebidas e alimentos, bem como com roulottes, quiosques e geradores instalados em zonas residenciais.

O relatório aponta para a necessidade de regulamentar a venda de comida e bebidas e a difusão de música para o público, privilegiando as tertúlias e os estabelecimentos de restauração com atividade regular.

Foi igualmente defendida a criação de critérios claros para definir o que constitui uma tertúlia, evitando que qualquer garagem ou espaço temporário possa assumir essa designação.

A recuperação dos tradicionais postos públicos de sardinha assada, caldo verde e pão foi outra das propostas apresentadas, procurando reforçar a hospitalidade que caracteriza o Colete Encarnado.

Os participantes pediram ainda mais instalações sanitárias, pontos de água potável e locais de sombra, de forma a melhorar as condições de conforto e segurança de quem visita a festa.

Centenário de 2032 deve envolver toda a comunidade

A preparação do centenário do Colete Encarnado, que se assinala em 2032, mereceu particular atenção, tendo os participantes defendido uma programação construída em conjunto com as associações e a comunidade.

Entre as ideias apresentadas destaca-se a realização de 100 dias de iniciativas comemorativas, evocando a história da festa, bem como um concurso público para a escolha do cartaz oficial.

A passagem dos toiros pela ponte, um dos momentos mais marcantes da história do Colete Encarnado, reuniu concordância para integrar as comemorações do centenário, embora vários participantes tenham defendido que não deve repetir-se anualmente, para preservar o seu caráter excecional.

Foram ainda sugeridas a recuperação da iluminação tradicional das ruas, a organização de concursos de decoração de varandas e montras, a valorização da Rua da Lota e a criação de um momento coletivo para cantar um hino alusivo à festa.

A inauguração do Museu Nacional da Tauromaquia durante as comemorações foi outra das propostas apresentadas.

O envolvimento das crianças e dos jovens mereceu igualmente destaque, com sugestões para a criação de espaços infantis dedicados às tradições ribatejanas, atividades nas escolas e iniciativas ao longo de todo o ano.

Nova Geração vai apresentar proposta de regulamento à Câmara

Além dos contributos recolhidos presencialmente, a Nova Geração recebeu propostas escritas, entre as quais a criação de uma Comissão Consultiva do Colete Encarnado.

A composição deste órgão ainda não está definida. Enquanto alguns participantes defendem que seja constituído exclusivamente por representantes das tertúlias, outros consideram que deverá integrar também entidades como o Clube Taurino, a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, a Escola de Toureio José Falcão, o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, o Clube de Fado e a Paróquia.

A coligação PSD/IL pretende incluir a criação desta comissão na proposta de regulamento, deixando por definir a sua composição e funcionamento, uma vez que estas matérias não foram debatidas na sessão pública.

A Nova Geração continuará a receber contributos da população até ao próximo dia 30 de outubro, comprometendo-se a integrar na proposta os pontos que reuniram consenso.

O documento será posteriormente apresentado à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, cabendo aos órgãos municipais decidir sobre a eventual criação e aprovação de um regulamento para o Colete Encarnado.

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